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quinta-feira, 24 de março de 2016

Curiosidades 54


Uma das teses do livro "The Global Transformation of Time", de Vanessa Ogle, segundo a recensão do TLS (nº 5893), é que a importância do tempo sofreu uma aceleração crucial a partir do capitalismo. Se o tempo passava, começou a gastar-se e a medir-se, meticulosamente, para a execução de tarefas e produção.
Nos anos 60, do século passado, o historiador britânico Edward P. Thompson (1924-1993) fez um trabalho quase antropológico sobre a medição do tempo em comunidades algo primitivas ainda ou isoladas da vida social de todos os dias. Constatou assim que, em Madagáscar, nalgumas povoações rurais usavam, como comparação, para medir o tempo quer "o espaço que demora a cozer o arroz" quer o "tempo de assar um gafanhoto". A importância da alimentação é de sublinhar. Entretanto, na Birmânia, os monges de um convento marcavam o início do dia pela altura em que a "luz era suficiente para distinguir as veias da mão".
Ainda me lembro, também, de ouvir a expressão: o tempo de rezar um Padre-Nosso. Numa parceria curiosa entre a religião e o tempo.