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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Citações DXXVII

 


Depois de uma noite em branco, o cigarro tem um sabor fúnebre.

E. M. Cioran (1911-1995), in Cahiers 1957-1972.

sábado, 9 de agosto de 2025

Citações DXVIII

 

O Progresso é a injustiça que cada geração comete em relação àquela que a precedeu.

E. M. Cioran (1911-1995), in De l'inconvénient d'être né (1973).

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Citações DXV



Dever da lucidez: conseguir chegar a um desespero correcto, a uma ferocidade olímpica.

E. M. Cioran (1911-1995), in Syllogismes de l'amertume  (1952).

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Antologia 20

 


De Le Crépuscule des Pensées (L'Herne, 1991), de E. M. Cioran, em versão portuguesa:

pg. 92 - Existem olhares femininos que têm algo da perfeição triste de um soneto.

pg. 101 - A palidez mostra até que ponto o corpo pode entender a alma.

pg. 124 - O gosto violeta da infelicidade.

pg. 143 - Há dores cuja desaparição do céu poderia consolar.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Citações CDLXXX



Aceito a vida por boa educação: a revolta perpétua é de mau gosto, tal como o lado sublime do suicídio. 

E. M. Cioran (1911-1995), in Précis de  Décomposition (1949).

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Citações CDLXII

 

Será possível falar honestamente de outra coisa a não ser de Deus e de nós mesmos?

E. M. Cioran (1911-1995), in Syllogismes de l'amertume (1952).

sexta-feira, 15 de julho de 2022

História e Leste, por palavras de E. M. Cioran



De uma entrevista de Léo Gillet, traduzo sobre os temas em título, a pergunta do entrevistador e a resposta do autor romeno E. M. Cioran (1911-1995):

L. G.: Tem uma outra bête noir nos seus livros, que é a história. A história e você não são grandes amigos...
C.: Não acontece apenas comigo. O pensamento de Eliade é também contra a história. No fundo, todas as pessoas do leste da Europa são contra a história. E vou dizer-lhe porquê. É que as pessoas do Leste, seja qual for a sua orientação ideológica, têm obrigatoriamente um preconceito contra a história. Porquê? Porque elas são sempre vítimas. Todos esses países sem destino do este da Europa, são países que foram invadidos e subjugados: para eles a história é necessariamente demoníaca.

Entretiens, Gallimard, 1995 (pg. 64).

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Citações CDLXXII



A minha missão é matar o tempo e a dele matar-me, por sua vez. De facto, estamos ambos  à vontade, por entre assassinos.

E. M. Cioran (1911-1995), in Écartèlement (Gallimard, 1979).
 

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Citações CDLXIX



Os piores desmandos são cometidos por entusiasmo, estado mórbido responsável por quase todas as infelicidades públicas e privadas.

E. M. Cioran (1911-1995), in De l'inconvénient d'être né (Gallimard, 1973).

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Citações CDLXII

 

Para castigar os outros por serem mais felizes do que nós, inoculámo-lhes - à falta de melhor - as nossas angústias. Porque as nossas dores, ai de nós!, não são contagiosas.

E. M. Cioran (1911-1995), in Syllogismes de l'amertume (1952).

sábado, 19 de junho de 2021

Citações CDLVIII



O que sei aos sessenta, já o sabia eu aos vinte. Quarenta anos de distância, e de um supérfluo trabalho de verificação. 

E. M. Cioran (1911-1995), in De l'inconvenient d'être né (Gallimard, 1973).

quinta-feira, 18 de março de 2021

Recomendado : oitenta e nove



Limitados no tempo, pelas suas mortes, os meus dois interlocutores e ensaístas mais respeitados, E. M. Cioran (1911-1995) e George Steiner (1929-2020), resta-me apenas recolher os despojos ou acolher para leitura os seus textos inéditos (para mim), que vão aparecendo nas editoras. O mais recente foi este Quatro Entrevistas com George Steiner (VS Editor, 2020) feitas pelo persa Ramin Jahanbegloo (1956). 

Que recomendo vivamente. 



sábado, 19 de outubro de 2019

Do diário de E. M. Cioran (1911-1995)


1 de Junho de 1958

Com vinte anos, eu tinha um desejo insaciável de glória; - já não o tenho agora. E sem ele como proceder? Não me resta senão a consolação dum pensamento íntimo e ineficaz.

Cahiers / 1957-1972 (Gallimard, 1977).

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Mudanças


Verifico, com grande surpresa, que terei lido o primeiro livro de E. M. Cioran (1911-1995) em 1966,  pela marca de posse e data manuscrita, mas não consigo lembrar-me como cheguei até ele. Creio que comprei Précis de Décomposition (1949), na 111, ao Campo Grande. Emparelhado com Camões, o ensaísta franco-romeno viria a servir-me de epígrafe (La joie n'est pas un sentiment poétique) no meu primeiro livro, em 1984. Não sei se por bonomia ou malvadez, os franceses apelidavam-no de filósofo de rua. Seja como for desde longe que Cioran me continua a acompanhar...
Ainda que muitas vezes por oposição ou para me forçar ao contraditório pelo seu excessivo pessimismo ou provocatório niilismo. Não me deixa nunca indiferente e é sempre estimulante a sua leitura. Mais agora, ainda, que um fastio pela ficção se me instalou, de há uns anos a esta parte, e a história, a poesia e o ensaio são meus únicos territórios de gosto e prazer. Assim, resolvi passar até de uma segunda fila, escondida, os livros de Cioran para a primeira linha para os ter à vista e mais à mão.
Sacrifiquei a exemplar e amena ficção de Maurice Genevoix (1890-1980), de que ainda gosto, para a retaguarda da estante, e dei o lugar ao pensador romeno. Uma mudança que ele merecia, aliás.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Divagações 148


Tenho consciência de que, no que diz respeito à verdadeira poesia, quando um autor explica um poema, acaba por limitar o seu horizonte, no leitor. E tornar redutora, condicionando, a sua leitura. Restringindo a interpretação que o inconsciente lhe possa dar, por experiências outras e alheias, ao motivo que desencadeou, no poeta, a criação do poema.
Quando Walt Whitman (1819-1892) editou Leaves of Grass (1855) nos Estados Unidos, preocupou-se e apressou-se, sob pseudónimo, a emitir interpretações pessoais sobre a sua obra. Quando o livro, pela primeira vez, foi publicado na Inglaterra (1868) por William M. Rossetti, foi-o, por razões de censura, de forma reduzida e amputado de alguns poemas.
Ainda assim, e mais uma vez, Whitman, numa espécie de paternalismo estranho e insólito, se desdobrou em intervenções pessoais tendentes a orientar a leitura da obra.
Numa entrevista de E. M. Cioran, em 1979, o escritor, de origem romena, declarou: Evidentemente, que eu gosto de que aquilo que escrevem sobre mim seja exacto. Mas eu creio que os mal-entendidos podem ser fecundos.
Penso que Cioran tinha toda a razão. 

Recomendado : oitenta


Não serei pioneiro, neste particular encómio. Já muita gente e vários blogues elogiaram esta Livraria da Travessa, na rua da Escola Politécnica, nº 46 (Lisboa), que abriu recentemente. Limito-me a confirmar a sua qualidade e diversidade dos livros à venda, em espaço de bom gosto e agradável. De origem brasileira, a empresa parece europeia de alma e conteúdo.
Eu levava dois nomes, debaixo da língua: João Guimarães Rosa e E. M. Cioran. Deste último escritor romeno-francês, trouxe Entretiens (2012), da Gallimard. Quanto a Rosa, havia apenas Sagarana, que eu já tinha. E, pela empregada da livraria, soube de um pormenor caricato: por força legal ou disposições da família (ela não sabia qual), as obras de Guimarães Rosa estão proibidas de serem vendidas fora do Brasil. O mesmo acontece com os livros de J. C. de Melo Neto. Que disparate!
A Livraria da Travessa não tem culpa desta bizantinice brasuca, por isso recomendo uma visita, vivamente.


domingo, 5 de maio de 2019

Osmose 105


Talvez porque assisti a algumas coisas grandes demais, na minha infância e juventude, ou talvez excessivamente pesadas e impressivas para a idade, embotou-se-me cedo a capacidade de admiração e deslumbramento. Fui fechando capítulos, arrumando puerilidades que outros conservam até o círculo se repetir, intenso, na senilidade final. Talvez seja um defeito humano pessoal de cepticismo ontológico, que se me acentuou com a idade, mas que me foi poupando a alguns "assassinatos por entusiasmo" (E. M. Cioran), a deslumbramentos pacóvios e a muitas desilusões que é habitual acontecerem, sobretudo na idade madura. E não me arrependo. Até porque me ficou ainda espaço para viver a alegria, mas de forma inteira, pura e essencial.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Cioran, ainda


24 de Abril de 1972

Acabo de percorrer um livro de X, com um grande sentimento de repulsa. Já não consigo suportar a inflação poética. Cada frase se aproxima da quinta-essência da poesia. E isto torna-se artificial, isso já nada exprime. Pensamos sempre sobre a inanidade da procura de palavras. - De há muito que abomino já todos os "estilos"; mas o que a mim me parece pior, é o dos poetas que nunca esquecem que o são.

E. M. Cioran (1911-1995), in Cahiers - 1957/1972. (pg. 982)

Cioran e a velhice


A vantagem de envelhecer é de poder observar de perto a lenta e metódica degradação dos órgãos; eles começam a estalar, uns de forma flagrante, outros, de maneira mais discreta. Destacam-se do corpo, como o corpo se vai separando de nós: ele escapa-nos, foge-nos, já não nos pertence mais. É um desertor que nós nem podemos denunciar, uma vez que ele não parte para nenhures, nem se põe, sequer, ao serviço de mais ninguém. (pg. 997)

E. M. Cioran (1911-1995), in Cahiers - 1957/1972 (1997).



Nota pessoal: terminei ontem, cerca das 19h00, a parcimoniosa leitura poupada destes "Cadernos" de Cioran, obra que me levou quase 20 anos a terminar, procurando prolongar o mais possível este diálogo estimulante, que me foi útil e sempre agradável pela diversidade e riqueza das suas reflexões.
Em termos de comparação, poderei dizer que me deu muito mais prazer do que a leitura de "Guerra e Paz", de Tolstoi, que também foi lenta e morosa, mas por outras razões. Porque, bem vistas as coisas, um livro de ficção pode não excluir, também, a reflexão e o pensamento... Embora raramente isso aconteça. Principalmente, nos dias de hoje.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Voltar ao princípio


Estou a nove páginas do final dos Cahiers (1997),  livro póstumo de E. M. Cioran (1911-1995).
Creio que comecei a lê-lo ainda no século XX. Fui poupando na leitura das suas 999 páginas, petiscando uns bocadinhos de cada vez que lhe pegava, saboreando-os, a pouco e pouco, para que durasse muito tempo. A sua natureza fragmentária também ajudava às pausas, para eu melhor reflectir sobre as palavras sempre estimulantes do escritor de origem romena, que escreveu a maior parte da sua obra em francês.
E, no meio do deserto de ideias e de pensamento que são os livros que se publicam hoje em dia, deu-me gosto pensar que, quando o acabar, poderei vir a relê-lo. Talvez com o mesmo prazer da leitura inicial...