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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Um poema de Dylan Thomas, em versão portuguesa


O palhaço na Lua


As minhas lágrimas são como um fluir tranquilo
de pétalas derramadas por uma rosa mágica
e toda a minha mágoa atravessa a fenda
de céus passados e neves esquecidas.

Penso que, se eu pudesse tactear a terra,
ela havia de desmoronar-se;
tudo isto é tão triste e tão belo,
tão trémulo como imagens de um sonho.


Dylan Thomas (1914-1953).

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Pinacoteca Pessoal 89


Passa este ano o centenário do nascimento do poeta galês Dylan Thomas (1914-1953), ainda hoje muito popular entre os ingleses que gostam de poesia. O último TLS faz-se eco da saída recente de vários estudos sobre a obra do Poeta, bem como de algumas antologias de poemas.
Documentada muito razoavelmente, a sua iconografia contém três retratos feitos (1934, 1953 e 1964) pelo pintor Alfred Janes (1911-1999), também ele galês. O último retrato, a tinta-da-China, é já póstumo, baseado que foi  em fotografias de Thomas. Aqui ficam, em imagens dispostas cronologicamente.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Dylan Thomas : um poema


No meu ofício ou taciturna arte
Exercida na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes repousam já na cama
Com toda a sua dor nos próprios braços,
Trabalho ao som da luz que vai cantando
Mas não por ambição nem pelo pão
Não por vaidade ou tráfico de encantos
Realizado em palcos de marfim,
Apenas sim para o comum salário
Do que em seus corações há de secreto.

Dylan Thomas, in "Death and Entrances", traduzido por David Mourão-Ferreira.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dylan Thomas, em sequência (III, e final).

John Cale toca e canta "Do not go gentle into that good night..." de Dylan Thomas.

Dylan Thomas, em sequência (II)


Dylan Marlais Thomas (1914-1953), galês, cuja poesia foi sempre escrita em inglês, é ainda hoje um poeta que divide a opinião dos críticos literários. Uns consideram-no um dos melhores poetas do séc. XX inglês, outros acham-no excessivamente retórico e demasiado popular.
Certo é que Igor Stravinsky compôs o "In Memoriam of D. T.", Donovan e John Cale o cantaram e, mais recentemente, em 2000, António Lobo Antunes publicou um livro cujo título sugere, de imediato, (apesar da ligeira mudança de algumas palavras) o início de um dos mais célebres poemas de Dylan Thomas - "Não entres tão depressa nessa noite escura". É precisamente esse poema que iremos traduzir, desse galês de vida excessiva que morreu aos 39 anos, em Nova Iorque.
No poema, sem título, Dylan Thomas incita o pai, octogenário, frágil e quase cego (mas que fora um homem robusto e forte), a resistir, com raiva, à morte - lutando, como fizera toda a sua vida. O poeta utilizou, na composição, a forma "villanelle", frequente em França, no séc. XVI, e que tem um esquema rimático simples. Seis estrofes, cinco das quais são tercetos com rima "aba"; a sexta e última estrofe, uma quadra, com a rima: "abaa". Na tradução, que se segue, não respeitei esse esquema rimático, tentando, no entanto, trair o menos possível o espírito do poema.

Não vás p'la noite mansa, assim, tão complacente,
A velhice deveria arder com raiva até ao fim do dia;
Raiva, raiva contra a luz que vai morrendo.

Embora os sensatos saibam que a treva os espera,
Porque as suas palavras já não têm o fulgor de outrora
Não vás p'la noite mansa, assim, tão complacente.

Homens bons, submersos na última vaga, invocando
As suas débeis façanhas que ondulam na verde baía,
Raiva, raiva contra a luz que vai morrendo.

Homens rudes que prenderam o sol e o cantaram no seu voo
E aprenderam, tão tarde, como lhe ofenderam o destino,
Não vás p'la noite mansa, assim, tão complacente.

Homens sérios, perto da morte, que vêem no olhar turvo
Da cegueira como podem arder, meteoros, e ser felizes,
Raiva, raiva contra a luz que vai morrendo.

E tu, meu pai, aí nas tristes alturas, amaldiçoa,
E abençoa-me agora com as tuas lágrimas ardentes, peço-te.
Não vás p'la noite mansa, assim, tão complacente.
Raiva, raiva contra a luz que vai morrendo.

Dylan Thomas, em sequência (I)

Um poeta galês, Dylan Thomas (1914-1953), dito por um actor galês, Anthony Hopkins (1937).