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quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Retratos (29)

 


Nem sempre os retratos pintados sugerem inteiramente os traços do modelo reproduzido. E é quase sempre vantajoso cotejá-los com a descrição escrita da personagem. Entre as várias pinturas de Filipe II de Portugal, ou Felipe III (1578-1621) de Espanha, escolhemos dois quadros: o primeiro, de Bartolomé González (1564-1627), cujo nome é referido no texto escrito de W. T. Walsh (1891-1949); o segundo de Diego Velásquez (abaixo).



Segue-se o texto da biografia Felipe II (Espasa-Calpe, 1968), do historiador acima referido, com a descrição de Filipe II de Portugal (pg. 764), que verti para português. Segue:

"O príncipe Filipe II (III de Espanha) teria na altura quinze anos e era gorducho, de cabelo castanho arruivado, muito branco de pele, de lábios grossos, demasiado vermelhos, o inferior muito proeminente e o superior levemente sombreado por um buço que, com o tempo, se haveria de converter num largo e sedoso bigode que vemos no seu retrato pintado por González. A parte superior do seu rosto lembrava o seu pai Filipe I (II de Espanha), ainda que os seus olhos eram mais escuros e menos penetrantes; a parte inferior da face era muito menos fina, com a boca débil, amável mas falta de vontade."

sexta-feira, 19 de março de 2021

Pinacoteca Pessoal 173

 

A pintura do norueguês Peter S. Kröyer (1851-1909) nunca me deixou indiferente e já usei a imagem de uma sua tela (Divagações 26, 17/6/2012) para ilustrar um poste, aqui no Arpose. Grande admirador de Velásquez, os anos de aprendizagem em Paris contribuíram para que viesse a integrar-se num impressionismo muito pessoal.



Em que a luz assumia uma importância fundamental. Não foram felizes os últimos anos da sua vida, com uma progressiva cegueira e frequentes internamentos em instituições psiquiátricas.



terça-feira, 7 de abril de 2015

Símbolos, dissimulações, necessidades...


Aí pelos anos 70 do século passado, e na empresa multinacional onde eu trabalhava, havia um pequeno jornal interno, mensal, onde, entre outras coisas publicadas, era costume fazer breves entrevistas aos colaboradores. As pequenas conversas davam, também, direito a fotografia. Desses retratos, que recordo, bem à vontade a grande maioria dos entrevistados aparecia a falar ao telefone (fixo). Creio que pretendiam (ou pretendia-se) dar a ideia que eram funcionários muito activos, sempre ocupados, diligentes no seu trabalho diário. Hoje, o telefone terá dado lugar, seguramente, ao emblemático computador pessoal, nas fotografias...
A acolher, como rigorosa, uma informação, que li recentemente, um sexto da humanidade é míope; e, entre os que lêem e/ou utilizam computador, o número sobe para cerca de 24% dos seres humanos - considerável, a miopia!
Os óculos, que atenuam esta debilidade humana, são uma invenção recente, se compararmos os anos com a idade do Mundo. Terão surgido, apenas, no século XIII, em Itália, pela primeira vez - o seu inventor é desconhecido, embora se aventem várias hipóteses. A primeira pintura em que aparecem óculos, usados pelo cardeal Hugo de Saint Cher, surge no ano de 1352, num quadro do pintor Tommaso da Modena (1326-1397).
Por curiosidade, posso informar, com alguma garantia de rigor, que o primeiro artista, neste caso poeta, a aparecer retratado com óculos, terá sido Quevedo, num quadro de Juan van der Hamen (1596-1631), que dizem ser cópia de um outro de Velásquez, anterior. Não sei se esse adereço útil acrescentava, ao grande poeta castelhano, um halo simbólico de sabedoria, ou se provocava, na altura, estranheza ou exotismo, nos observadores. Seria talvez, pelo menos, um sinal de distinção e singularidade. Não teria, com certeza, a mesma carga simbólica, do omnipresente cachimbo nas fotografias de grande parte dos intelectuais do passado século XX. Nem sequer o volume e importância objectiva do telefone e do computador, em anos recentes, para sublinhar a hiper-actividade simulada dos colaboradores, numa empresa de sucesso, destas, portuguesas.


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Pinacoteca Pessoal 94


Charles Auguste Émile Durand (1835-1917), mais conhecido pelo nome artístico de Carolus-Durand, foi um pintor francês importante e muito considerado, no seu tempo, sobretudo, pelas figuras da Terceira República que retratou, para a posteridade. Mas não só. Grande admirador de Velásquez, foi também mentor e mestre de um grande número de artistas, como por exemplo, John Singer Sargent (1856-1925) que lhe pintou o retrato que encima este poste.
Da sua técnica apurada, melhor falarão as suas obras, que, também, aqui ficam: "Homem adormecido", de 1861, e o retrato de "Madame H. Fouquet", pintado no ano de 1876.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Na Gulbenkian, até 25 de Janeiro


Um Goya monocromático, escurecido, pretextando a caridade de Santa Isabel de Portugal, duas muito belas imagens de estatuária religiosa, uma delas sobre a mesma Santa, com panejamentos delicados em movimento; e um Santo António mavioso no seu sono de bondade, sob a protecção do Menino. Retratos impressivos de Van der Hamen, que me lembraram o de Quevedo, magnífico. Tudo isto não será notícia, para quem já viu a exposição "Tesouros dos Palácios Reais de Espanha", na Gulbenkian.
Mas convém destacar o grande "Cavalo Branco", logo de início, visto pelo olhar único, e oblíquo para a esquerda, de Diego Velázquez, que, se não fosse um sacrilégio, eu diria que faz o contraponto (olhar oblíquo, para a direita) da púdica "Vénus ao espelho", único nu - de costas ainda por cima - que o grande pintor espanhol, de ascendência portuguesa, pintou em toda a sua vida. Foram estas, em breve inventário, as obras em que me detive, pela sua beleza. E que trouxe, na memória.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Pinacoteca Pessoal 73 : John Singer Sargent (1856-1925)


Como se premonitoriamente nascido em Florença, o pintor norte-americano John Singer Sargent, quando, em 1916,  vendeu ao MOMA este retrato (em imagem) da Senhora Pierre Gautreau, teria dito: "Creio que foi o melhor trabalho que fiz." A tela terá sido pintada, a pedido do Artista, em 1882, fascinado pela elegância e beleza da modelo Judith Avegno (nome de solteira), esposa de um rico banqueiro francês. O quadro esteve exposto no Paris Salon de 1884, com o título de Portrait de Mme..., tendo colhido algumas críticas pelo ousado decote do vestido e pelo tom lavanda da pele da retratada. Mas a pose aristocrática e o destaque do traço da silhueta também foram comparados ao tratamento dos retratos de Velásquez.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Citações CLXIV


Respeitar os adversários e não humilhar os inimigos será difícil, mas é uma forma superior, nobre e inteligente de humanismo cavalheiresco.

Ludwig von Dichter (1701-1770).

sexta-feira, 19 de abril de 2013

De Manuel Machado (1874-1947), retrato em verso de Filipe IV


Nada mais cortesão nem mais polido
que o nosso Rei Filipe, que Deus guarde,
sempre de negro até aos pés vestido.
Tão pálida a sua pele, como é a tarde,
cansado o ouro do seu cabelo ondeado,
e dos seus olhos, o azul, cobarde.
Sobre o seu augusto peito generoso
nem jóias perturbam nem correntes
o negro veludo silencioso.
E em vez de ceptro real, segura apenas
com desmaio galante, uma luva diante
da branca mão de azuladas veias.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Estilo e Tempo em Arte, segundo Mário Dionísio



Pergunto-me, às vezes, porque é que uma obra de arte mantém a sua perenidade estética e fascínio, apesar da evolução dos estilos no Tempo, e de novas escolas que muitas vezes se vão contrariando, e até opondo, na forma e processos. É obvio que não tenho, para mim, uma resposta completamente satisfatória, apenas ensaio pequenas explicações parcelares para o facto. Por outras palavras, Mário Dionísio, em "Introdução à Pintura" (1963), põe a mesma questão em evidência. Passo a citá-lo: "...Cada estilo não é um progresso em relação ao estilo precedente. E, ainda dentro de cada estilo - eis o ponto importante -, uma obra mantém o seu valor estético total depois de aparecerem novas obras onde se foi mais longe na consecução de certos objectivos já presentes naquela. A beleza e o valor expressivo da Aparição de S. Francisco de Giotto mantêm-se inalteráveis depois de O Tributo de Masaccio, como a beleza e o valor expressivo de O Tributo depois da Ceia de Leonardo. Ninguém poderia provar que Rembrandt inutilizou Rafael ou que Delacroix tornou Watteau obsoleto. Que depois de Renoir, Courbet não conta. Nem sequer que uma cabeça grega ou um mosaico de Ravena são arcaísmos."

para H.N..

Nota: os quadros em presença, lado a lado, em imagem, são de Velásquez (Retrato do Papa Inocêncio X) e Francis Bacon, respectivamente, e distam entre si, cerca de 300 anos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Citações LX : Luis de Gongora y Argote


"...a poesia, em todo o seu rigor, é uma linguagem construída como um objecto enigmático."
Luis de Gongora y Argote (1561-1627), citado por Jorge Guillén.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Favoritos XXIX : ( as meninas de) Luchino Visconti

Hoje, e por várias razões. E, também, porque me lembra o quadro "As Meninas" de Velásquez.

domingo, 11 de julho de 2010

Góngora, Quevedo e Lisboa


Luis de Góngora y Argote, nascido a 11 de Julho de 1561, morreu em 1627. Representante máximo da poesia cultista castelhana, é um hábil obreiro de poemas, plenos de alusões mitológicas e eruditas, com segundos sentidos complexos que, hoje, só com um manual anotado dos seus estudiosos, por companhia, se poderão cabalmente compreender. Inimigo declarado de Quevedo (1580-1645) que também não o poupou, sendo que este foi o expoente máximo do que se convencionou chamar poesia conceptista. As polémicas, entre os dois poetas espanhóis, foram ferozes ("...untarei as minhas obras com toucinho,/ para que tu não as mordas, Gongorilha..." disse Quevedo, que também ridicularizou Góngora, pelo seu apêndice nasal excessivo - "Era um homem a um nariz colado,/ era um nariz superlativo..."), mas também houve guerrilha literária entre Góngora e Lope de Vega.
Em 1619, Luis de Góngora visitou Lisboa, então sob o domínio filipino, e desta viagem ficou um soneto em que deprecia D. António, Prior do Crato ("mosquito antoniano"), ridiculariza o vestuário dos portugueses ("Amor com botas, Vénus com baeta"), se queixa da falta de gelo para as bebidas, nesse Verão ("Estrela dispensada...") e estranha a alta construção das casas lisboetas ("...aposento nas gáveas o mais baixo;"). Deste soneto - "En la Jornada de Portugal" -, aqui deixo, traduzidos, a segunda quadra e o primeiro terceto:

"...Salga o outro com lança e com trombeta
mosquito antoniano resoluto
e ainda com pesar por tempo mais enxuto,
Amor com botas, Vénus com baeta;

fresco verão, cravinhos e canela,
de neve mal, de uma Estrela dispensada,
aposento nas gáveas o mais baixo;..."

Nota pessoal: em abono da verdade, devo dizer que prefiro a poesia de Quevedo aos poemas e sonetos de Góngora. Por outro lado, Quevedo deixou um lídimo representante português: Francisco Manuel de Melo; enquanto Luis de Góngora contaminou, fatalmente, os colaboradores portugueses de "A Fénix Renascida"...