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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Para a iconografia do 1º de Maio


Será difícil, se quisermos abordar a temática do Dia do Trabalhador, prescindirmos dos pragmáticos e eficazes cartazes de propaganda soviéticos, alusivos a este dia e executados para o efeito, nos primeiros tempos do regime comunista. Apologéticos, engajados, não deixavam de ter uma certa beleza militante.

Tivemos uma imitação serôdia, por cá, depois do 25 de Abril, com os majestosos murais do MRPP, hoje, praticamente todos desaparecidos e, infelizmente, substituídos por pinchagens indigentes que alguns ignorantes logo apelidam de arte urbana...
Como curiosidade anoto que não me lembro de nenhuma pintura ou ilustração norte-americana que celebre esta data. Muito embora em Chicago, no ano de 1886, o 1º de Maio tenha sido sangrento.
Teremos de ir mais abaixo, na América, até ao México e convocarmos Diego Rivera (1886-1957) e os seus esplêndidos murais em homenagem ao trabalho operário e ao Dia do Trabalhador.


sábado, 3 de outubro de 2015

Pinacoteca Pessoal 101


É uma Pinacoteca Pessoal que não obedece ao cânone habitual, que tenho vindo a seguir para esta rubrica do Arpose. Não resulta, pelo menos inteiramente, duma opção que se me impôs por empatia estética ou afectuosa proximidade de gosto.
Será uma forma de realçar a preferência ou assumir uma escolha, o facto de, na nossa casa, termos expostos, ostensivamente, originais ou cópias de obras de um determinado pintor, conhecido ou não, pelas paredes interiores. Quando - creio que por finais dos anos 50 - dois entrevistadores entraram em casa do escritor Alberto Moravia (1907-1990), a sala, em que decorreu a conversa, estava decorada com quatro telas de 3 pintores italianos. Dois dos quadros eram de Renato Guttuso (1911-1987). Não sei se o retrato de Moravia, que encima este poste, era um deles. Grande parte da obra de Guttuso convoca irresistivelmente os muralistas mexicanos J. C. Orozco (1883-1949) e Diego Rivera (1886-1957), de cuja obra não sou um incondicional apreciador. Outro tanto não diria das aptidões do pintor italiano para o retrato. E, mesmo nas obras de figuração colectiva, não posso deixar de apreciar a "Fuga do Etna" (1940), que surge em imagem a rematar este poste.

domingo, 15 de julho de 2012

Revisitar Gómez de la Serna, e as suas greguerías


1. Os orgulhosos dizem «coluna vertebral", e os modestos, «espinha dorsal».
2. Na visita à horta é encantador ver como dormem os melões.
3. A serpente mede o bosque para saber quantos metros tem e dizê-lo ao anjo das estatísticas.
4. O búfalo é o touro jubilado da pré-história.
5. O macaco observa-nos como se nos tomasse por pedagogos.
6. A imortalidade do caranguejo consiste em andar para trás, rejuvenescendo-se no passado.

para a MR, que as aprecia - como eu.

terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de Maio


Há qualquer coisa de rude, áspero e naïf que a sensibilidade sofisticada quase rejeita, como coisa não sua, nos murais de Orozco (1883-1949) e Diego Rivera (1886-1957), ou que os estudiosos consideram quase uma arte primitiva. Os académicos raramente falam deles porque, decerto, a sua estética subiu a outros patamares. Mais altos ou etéreos, onde o povinho não entra. Também falam pouco de Alfaro Siqueiros (1896-1974), em imagem deste poste, porque, no fundo, é da mesma família...
Os direitos dos trabalhadores foram conquistados, penosamente, através de lutas, persistência, prisões, mortes, enormes sacrifícios, e muito lentamente, a partir do séc. XIX. Também em Portugal e, por isso, este dia é uma festa que celebra a alegria, mas também o longo sacrifício que lhe deu origem. Posso afirmar por mim, convictamente que, neste ano da graça de 2012, os trabalhadores, de um modo geral, têm menos direitos e garantias do que tinham em 1972, ou seja, há 40 anos. A "viradeira" foi rápida.
Assim faz sentido eu ter usado, para imagem do poste, este pormenor dum mural de Siqueiros, porque quase se voltou à estaca zero. E é preciso recomeçar...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Greguerías



Greguería, palavra castelhana, é uma espécie de jogo de palavras, ou metáfora em prosa, dito de espírito, normalmente, com comentário humorístico sobre a realidade. Por vezes, parece um aforismo, outras quase lembra um hai-kai em prosa. A sua criação, ou nome de baptismo, é atribuido a Ramón Gómez de la Serna (1888-1963), na segunda década do séc. XX. Este truculento escritor é autor de cerca de 10.000 greguerías, além de obra vasta em vários domínios literários. Damos, em seguida, alguns exemplos de greguerías da autoria de Gómez de la Serna:
1. "A cidra queria ser «champagne» mas não o pode ser porque nunca foi ao estrangeiro."
2. "As pirâmides são as bossas do deserto."
3. "As passas são uvas octogenárias."
4. "O «Pensador» de Rodin é um jogador de xadrez a quem retiraram a mesa."
5. "O caracol devia tocar o trombone que leva às costas."
6. "A água não tem memória, por isso é tão límpida."
7. "A couve-flor é um cérebro vegetal que nós comemos."
8. "A girafa é um cavalo alargado pela curiosidade."
9. "A verde lagosta põe-se vermelha de cólera quando a fervem."
10. "Dante ia todos os sábados à barbearia para que lhe aparassem a coroa de louros."