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sexta-feira, 22 de março de 2024

Publicar, ou não

 

Será sempre uma questão interminável, essa que divide leitores e críticos conscientes: se se deve ou não publicar livros que um escritor deixou inacabados. Póstumos e não revistos pelo autor, a dúvida permanece, se se justifica ou não editá-los.
Eça, Sena estão aí para exercício e juízo de quem queira pronunciar-se.
O útimo caso foi a publicação recente de "Vêmo-nos em Agosto", romance póstumo e inacabado de Gabriel García Márquez (1927-2014) que os filhos do Nobel da Literatura de 1982 resolveram editar.
Descontando o habitual acriticismo mediático português, que sempre bate palmas a estas coisas, apoiado provavelmente pela editora lusa que publicou a obra, ao contrário o jornal alemão Die Zeit fez uma abordagem negativa do facto. Mas também Le Monde des Livres (15/3/2024) se pronuncia criticamente assim: "... le livre présente des défauts et incohérences, et la chute laisse le lecteur sur sa faim." Embora atenuando depois: "Mais l'extraordinaire puissance narrative est là, de même que la fulgurance de certaines images, drôles, piquants, ou l'art de mêler truculence et délicatesse."
Enfim, não há nada como ler esta obra de García Márquez, para se fazer um juízo pessoal ainda que subjectivo.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Divagações 147


É expectável, por cá, que, durante uma semana, jornais, televisões, redes sociais e comentariado se desdobrem em interpretações metafísicas sobre o resultado das Europeias. Num barroquismo balofo e desmesurado que já nos vem, no ADN, desde o século XVII.
Entretanto, o jornal alemão Die Zeit titula, sucinto, qualquer coisa como: "O ataque do quarto das crianças", numa alusão expressiva e divertida à subida percentual surpreendente dos Verdes (Die Grünen) em relação aos "velhos" (ou maduros) partidos germânicos.
Por cá, talvez a mais expressiva subida tenha pertencido ao partido dos animaizinhos, mais do que justificada pelo aumento exponencial e enorme dos dejectos que vamos vendo pelas ruas portuguesas. Mas também pelo crescente espaço que, nas grandes superfícies, vai sendo consagrado às gôndolas dedicadas aos alimentos para animais...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Apontamento 80: Um galerista fala sobre a Arte e os Artistas


Jörg Johnen, galerista em Berlim e que iniciou a sua carreira, em 1984, em Colónia, Alemanha, deu, recentemente, uma entrevista ao jornal DIE ZEIT, tecendo considerações sobre o estado actual da Arte e dos Artistas.

A sua visão crítica, num olhar de despedida sobre a sua carreira, não engrandece a Arte, nem abona nada sobre a maioria dos Artistas.

Johnen sublinha que uma recepção intelectual da Arte foi substituída por fenómenos como a “posse”, a “auto-representação” e o “glamour”, tornando-se duvidoso o caminho dos Artistas que seguem esta “pista do capital” de coleccionadores endinheirados.

O galerista, mantendo-se fiel a alguns, poucos, artistas, confessa-se cansado de uma arte contemporânea feita de “cliques de rato”, “junções artesanais” de “corte e costura”. No fim, fala de um dos seus Artistas que ele considera pela espiritualidade, mas que não consegue ter o êxito merecido pela timidez e modéstia, características tão fora do mundo actual.


 Post de HMJ

domingo, 31 de janeiro de 2016

Apontamento 78: É sempre bom saber ...



A existência de ideias fixas ajuda, por vezes, reencontrar o que parece mais adequado e se revelou acertado ao longo de uma vida. Tenho por mim que “nem toda a criação tem o selo de inocência”.
A História da Alemanha, sobretudo no período após o Nazismo, tinha uma versão oficial, até com cambiantes ideológicos para todos os gostos, sem, no entanto, revelar tudo sobre a postura de determinadas figuras públicas, tanto da área de política-social como de cultura.

Sucede que me deram a conhecer, no ensino oficial, alguns artistas e escritores, olvidando, de forma inocente ou premeditada, a sua afeição, convicção ou até colaboração com o “Terceiro Reich”. Ora, quando descobri o engano, não gostei, como não gosto de logros de qualquer espécie. Daí que comecei a ligar mais à biografia dos criadores, numa dúvida metódica quanto à sua inocência relativamente ao seu perfil ideológico, designadamente na sua vertente cultural e social.

Tudo isto me veio novamente à memória no dia em que descobri mais uma pista, porventura cheia de enganos. Tal como Heidegger, parece que a “filosofia alemã” continua a alimentar a extrema direita. Actualmente, a criatura em imagem acima, é o filósofo que orienta a sua versão considerada “mais civilizada” e que dá pelo nome de AfD [= Alternative für Deutschland, i.e.: alternativa para a Alemanha], com uma crescente aceitação devido à sua postura xenófoba e profundamente troglodita.
Ora, o “filósofo” Marc Jongen parece que já foi assistente do professor Peter Sloterdijk. Vieram-me, novamente, à memória todas as minhas dúvidas metódicas sobre a “inocência” da criação e, sobretudo, a necessidade de uma permanente vigilância relativamente aos “criadores”.

Por enquanto, não encontrei, ainda, nada que me fizesse rejeitar o professor Peter Sloterdijk, embora o censure pela escolha do seu assistente. Deixo, para finalizar parte de uma texto de Sloterdijk, naquilo que considero um olhar oportuno sobre o mundo em que vivemos:

“According to his diagnosis, the human beings of our time are basically bored. And to be bored means that if you look into yourself, what you find is the profound absence of a driving conviction.”

Post de HMJ

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Apontamento 60: Heinrich Zille (1858-1929)



Não sabia que Heinrich Zille, na imagem acima, tinha também obra como fotógrafo. No seu último número, o jornal DIE ZEIT publicou algumas fotografias de um livro, dedicado à obra de Heinrich Zille como fotógrafo, de que retiramos a seguinte:



Os desenhos de Heinrich Zille, litógrafo de formação, conhecia-os pela sua crítica social e, sobretudo, pelo seu olhar sobre a sociedade berlinense, o “Miljöh” como ele se referia ao ambiente que o rodeava.



Heinrich Zille era amigo de artistas como Max Liebermann e Käthe Kollwitz. Os seus desenhos enriqueceram o jornal satírico Simplicissimus, cujo lado irreverente se encontra resumido, perfeitamente, na imagem com que terminamos esta breve nota.



Post de HMJ

sábado, 15 de novembro de 2014

Antecedentes do Ginásio



De facto, estamos sempre a aprender. Só ontem, através de um livro publicitado no DIE ZEIT sobre a Revolução Industrial, soube que as actuais maquinetas que invadem os ginásios já tinham antecedentes de "peso" e "glória", datadas de 1924.
Como se vê pela imagem acima, até havia uma "bucha" e uma "estica" a vigiar o desempenho das demais criaturas.
Gostei imenso das fatiotas, com destaque para os calções que, juntamente com sapatos de salto alto, poderiam servir de modelo a algumas criações modernas.
Enfim, nada se perde, tudo se transforma !

Post de HMJ

domingo, 8 de dezembro de 2013

Apontamento 32: A Europa precisa de um Golpe de Estado !



Uma conversa entre Helmut Schmidt e Joschka Fischer, parcialmente publicada pelo DIE ZEIT na sua edição de hoje, representa uma "lufada de ar fresco" no cinzentismo dos actuais líderes europeus.
A exclamação é do próprio Helmut Schmidt que, com frases lapidares, traça um quadro negro do estado da UE, a começar pela evidência "eloquentíssima de que nem no topo da Comissão Europeia temos um homem de primeira ordem" (!). 
Quanto aos dois intervenientes, muito críticos quanto ao papel da Alemanha na Europa, H. Schmidt remata que "seria possível, se houvesse vontade" mudar o rumo presente, sublinhando que, de momento, apenas o BCE, sob a direcção de M Draghi, funciona bem.
J. Fischer, nascido em 1948 e sendo "filho da esperança", como ele diz, transmite a sua preocupação perante o paulatino esvaziamento da ideia da Europa, designadamente no que respeita à solidariedade e aos princípios que tornaram a Europa numa construção viva, alertando para o perigo de que o crescente vazio, assim gerado, se possa preencher de novos e velhos nacionalismos.
Aliás, a "prestação" paupérrima dos actuais comissários, nomeadamente do "trauliteiro" Olli Rehn, negociado, segundo parece, como sucessor do "Zé Manel", confirma, tão só, a deriva e a opinião dos dois antigos estadista da Alemanha.
A versão completa das conversas entre Helmut Schmidt e Joschka Fischer sairá, brevemente, sob o título "Mein Europa" [= A minha Europa].

Post de HMJ

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Apontamento 21: Populismo económico



Recomendo, mais uma vez e vivamente, um artigo do DIE ZEIT, de Mark Schieritz, que me ensinou a palavra em epígrafe, indo ao encontro daquilo que já sentia há muito. Já estou cansada destes pretensos “cientistas em economia”, i.e., de contabilidade caseira, que, na Alemanha e por cá, nos tentam “fazer a cabeça” perante a “solução única e final”.
Uns, na Alemanha e alguns alemães tresmalhados por cá, alinhados com o jornal ligeiro de referência, o DIE WELT, outros por cá, como a RENASCENÇA, tendo como cabeça de cartaz umas “excelentes senhoras” como Graça Franco, não conseguem sair do mesmo. Ou seja, concentram-se nos coitados dos pensionistas ou “aforradores” alemães que, embora cada vez mais ricos, andam a perder dinheiro com o apoio, sustentado pelo Banco Central Europeu, aos países “preguiçosos e sem remédio” do Sul da Europa. Como diz o jornalista do DIE ZEIT, relativamente aos objectivos e à acção do BCE, tudo não passa de “populismo económico” para enganar os incautos.
Ora, os jornalistas da RENASCENÇA, como “trabalho jornalístico” de cobertura das eleições alemãs de Domingo, ainda conseguiram fazer melhor. Deram cobertura a um novo partido, o AfD [Alternative für Deutschland = Alternativa para a Alemanha], que “aconselha” – veja-se a postura (!) – os Portugueses a sair da zona Euro. Sucede que o tal “partido”, com um invejável painel de 300 (!) economistas, não passou a barreira dos 5 % para entrar no Parlamento alemão.

Das duas uma, ou os Alemães são parvos, deitando para fora tanto cientista, ou os encartados académicos eram, de facto, muito fraquinhos. E por cá também temos “Helderzinhos” semelhantes.

Post de HMJ, em defesa de uma imprensa esclarecida

sábado, 13 de abril de 2013

Da Janela do Aposento 32: Álbion, a caminho da Hibérnia



Nos últimos dias, e por razões diferentes, surgiu-me, de novo, essa aversão que tenho contra os ingleses. Quando, há décadas, passei pelo Sul da Inglaterra, a caminho da Irlanda, ficou-me uma primeira má impressão. Pelo contrário, gostei da Irlanda e dos Irlandeses e compreendi a sua revolta surda contra a sobranceria da vizinha Álbion.
Mais tarde, numa viagem a Londres, tive a oportunidade de sair do "circuito turístico" e entrar em algumas casas de súbditos de sua majestade. E o que me ficou, até hoje, é um ambiente pobrete de espírito, profundamente provinciano e "kitsch", ingredientes que costumam alimentar poses sobranceiras de alguns políticos - e políticas - actuais ou recentemente falecidas.
No meio destes pensamentos veio ter comigo um texto, publicado ontem no DIE ZEIT, a propósito da visita de Cameron a Berlin, cheio de ironia sobre alguns senhores actuais que se passeiam pela Europa.
Eis a súmula da parábola.
Partindo do princípio de que cada família tem os seus hábitos e formas de convivência, o jornalista passa a caracterizar a "família europeia". Imaginemos, então, uma mãezinha alemã severa e um papá francês meigo que traçam o caminho para a família quando estão de acordo, o que nem sempre acontece. Os restantes membros da família seguem, em regra, as ordens dos papás, provocando, frequentemente, desavenças familiares. Apenas um, o tio de Londres - que já foi tia - costuma colocar-se à margem. O tio quer participar vivamente no debate familiar, insistindo, contudo, no seu menor contributo para o orçamento familiar e ressalvando o seu estatuto especial de apenas cumprir as regras estabelecidas quando ele assim o entender.
Bela harmonia familiar !
E foi assim que compreendi, finalmente, porque não gosto do tio de Londres.

Post de HMJ

domingo, 31 de março de 2013

Apontamentos 3: A Vida Portuguesa



A imagem reproduzida de Catarina Portas, que responde pelo conceito e a gestão de diversos projectos, entre eles as lojas A Vida Portuguesa, consta da edição, de hoje, do jornal DIE ZEIT. O semanário em apreço tem dedicado a Lisboa e a Portugal alguns artigos que demonstram, não apenas bom gosto nas escolhas, como preocupação na diversidade e riqueza da cultura europeia e portuguesa.
Nesse sentido, o jornal demarca-se, sem dúvida, de outros "pasquins" - dos mais rasteiros, como o DIE WELT, ou "manhosos", como os restantes do grupo Springer - que insistem, até à exaustão, nos esteriótipos do português "manhoso, corrupto, preguiçoso, etc.". Por cá, esses "pasquins" têm, também, os seus seguidores, em "blogues" e quejandos. Costumam calçar sapatos acima da sua medida, avançando para apreciações culturais e históricas para as quais não têm a mínima preparação, para não falar da falta de sensibilidade para conviver com a "alteridade".
Recomendo, pois, a leitura do artigo.  É uma lufada de ar fresco na "bambochata" dos discursos apoucados de Merkel's e Schäuble's que, na sua ignorância cultural, "nasceram  para cinco, mas não chegam a dez" (!).
E, em dia de Páscoa, que a Europa de Cultura e de Paz tenha compaixão para com estes criados menores !

Post de HMJ

segunda-feira, 11 de março de 2013

Apontamentos 1: Atlas dos Preconceitos



Há dias falou-se, no PROSIMETRON, dos preconceitos mútuos dos povos europeus. Considero que a alteridade implica um elevado grau de elaboração mental. Aliás, os dois mapas demonstram, se aceitarmos a visão irónica subjacente, que a capacidade intelectual de encarar o outro não está bem ao alcance de todos.
Do mapa acima, Portugal passou do País das Especiarias, em 1555, para a Oceania, em 2009.


Salto mortal !

Post de HMJ

sexta-feira, 8 de março de 2013

Da Janela do Aposento 31: A dança do cânone literário



Ainda existem, de facto, jornais e semanários que estimulam a reflexão, embora o seu número seja cada vez menor, tanto a nível nacional como europeu. Para mim, o semanário alemão DIE ZEIT consegue essa proeza de continuar a oferecer “pasto” aos seus leitores, nas mais diversas áreas: política, economia, viagens, culinária e literatura. E é sobre a literatura, mais propriamente a “dança do cânone literário” que se debruça um editor, numa entrevista publicada hoje no referido semanário.
O entrevistado, responsável da editora Manesse, que se dedica à publicação de clássicos – antigos e modernos – da literatura universal, enumera, de forma clara e sucinta, as alterações rápidas que se verificam no mundo editorial e de leitura.
A editora Manesse, fundada em 1944 na Suiça, criou uma “Biblioteca da Literatura Universal” que, ao lado de edições mais económicas da Reclam, forneciam a “burguesia cultural” – como refere o editor – com os clássicos. Esse consumo cultural e tradicional dos leitores, formados por funcionários públicos, médicos, juristas, professores e “até políticos”, entrou em declínio nos anos setenta. E como diz o editor, também foi por essa altura que começou a “dança do cânone literário”.
De facto, para leitura dos clássicos recorria-se e recorre-se, ainda hoje, à editora Manesse e à Reclam, esta com edições mais fracas, enquanto a Manesse ainda fabrica livros com os cadernos cosidos, como se pode observar, com interesse, na página da editora em que se explica o processo de encadernação. Mas, para já, duas imagens, do mesmo título, publicado pelas editoras referidas.



Como sobrevive, então, a editora Manesse, integrada actualmente na Random House, nestes novos tempos, em que a necessidade social procura, permanentemente, “a novidade e a encenação” ? Numa altura em que o ciclo dos livros, em vez dos 2 ou 3 anos de há 20 ou 30 anos, passou para uns escassos 6 meses, sem condições comerciais para os chamados “longsellers”. A opção foi para os clássicos modernos.
Contudo, o número de exemplares, em traduções novas ou revistas, para garantir a rentabilidade mínima faz pensar. O editor refere que são, no mínimo, 10.000 exemplares vendidos para pagar a edição. Em obras acima de 600 páginas é preciso que haja uma segunda edição para não perder dinheiro.
Com o abandono da leitura dos clássicos no ensino, em Portugal e também na Alemanha, editoras para a publicação do “cânone literário” terão, certamente, um triste fim.

Post de HMJ

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Lagarto, Lagarto ...!



Confesso que não consegui ler, na íntegra, a entrevista, publicada no último "Expresso", à senhora em epígrafe. O desplante e a irresponsabilidade do "Lagarto" foi superior "às minhas forças" de tolerância e uma revolta surda tomou conta de mim. Então, parece que o FMI não pensou na inconstitucionalidade das medidas de austeridade ? Para o "Largarto" não interessa, são "águas passadas (!)"
No entanto, hoje, no jornal DIE ZEIT, a minha indignação encontrou um interlocutor qualificado num texto do jornalista Fabian Lindner. Tudo o que os povos da Irlanda e do Sul da Europa já sentiram na pele, o jornalista comprova com factos. Informa-nos, com base nos próprios documentos do FMI, que a instituição sabe, há mais de uma década, que a sua política fiscal "é contraproducente na diminuição das dívidas". Pelo contrário, "provoca crises económicas profundas que aniquilam a existência de milhões de seres humanos".
O jornalista termina o seu texto com uma pergunta oportuna. Os médicos que, conscientemente, praticam actos que agravam a doença perdem a sua cédula profissional. E aos economistas que levam economias inteiras à miséria, o que lhes acontece ?
Resta perguntar o que fazem os nossos órgãos de soberania, o governo e a oposição para nos salvar de semelhante gente !

Post de HMJ

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Cees Nooteboom e a literatura europeia


O escritor neerlandês Cees Nooteboom deu, recentemente, uma entrevista ao jornal DIE ZEIT, falando da literatura e do espaço espiritual que é a Europa.
Dos escritores que o influenciaram, Nooteboom cita Pessoa, para além de Proust, Calvino e Nabokov. Sobre a literatura e a Europa, no momento actual, tece algumas considerações curiosas. Para ele, a Revolução Industrial teve, como contraponto, o Romantismo e a Globalização trouxe o Regionalismo com as pessoas a descobrirem a sua cultura e a sua história. Adianta, ainda, que os europeus não querem viver sem o euro e que se vão habituando a Bruxelas (i.e. a CE) assim como os americanos ao Washington D.C. Com efeito, tanto os americanos dizem mal de Washington como nós o fazemos relativamente a Bruxelas, porque vociferar faz parte da natureza humana.
Oxalá que o seu pensar sobre o Regionalismo pacífico e cultural consiga vencer. 
Cees Nooteboom tem, na base de dados da BNP, quatro títulos da sua obra publicada em Português.

Post de HMJ

terça-feira, 31 de julho de 2012

Da janela do aposento 14: Lições da História



A imagem acima reproduzida foi retirada de um artigo esclarecedor sobre o dia 31 de Julho de 1932, publicado, hoje, no jornal DIE ZEIT. Nesse dia, precisamente há 80 anos, os alemães votaram, maioritariamente, o NSDAP, ou seja, o partido de Hitler. Como esclarece o artigo, o povo alemão não votou na democracia, dando 37,3% dos votos ao NSDAP e 21,6% ao SPD, entre outros. Em algumas localidades, como Rotenburgo, a direita sanguinária alcançou 75,7% dos votos.
A imagem em epígrafe representa a corrida dos alemães aos depósitos bancários, em Julho de 1931, e faz recordar episódio recentes. 
Nos comentários ao artigo do DIE ZEIT houve quem se lembrasse das medidas draconianas de reparação, estabelecidas pelo Tratado de Versalhes, em virtude da responsabilidade alemã no eclodir da 1ª Guerra Mundial. Embora com as devidas diferenças, as imagens e as circunstâncias sugerem semelhanças preocupantes.
Desse dia 31.7.1932, a melhor lição da História que alguns estadistas, no passado, aprenderam foi a ideia de uma Europa de paz e de democracia. 

Post de HMJ

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Lisboa - City Guide



De manhã, li no DIE ZEIT mais um artigo dedicado à cidade de Lisboa. Desta vez, o jornalista Michael Altmaier sugere alguns Restaurantes e fala, sobretudo, de espaços junto ao rio. Em cima, um Restaurante em Belém.
De tarde, e como o calor convidava, descemos a Rua do Alecrim e procuramos uma esplanada junto ao Tejo para apreciar a paisagem. Lá vi o outro Restaurante que o jornalista alemão refere, o IBO. "Se bem me lembro" foi a MR a falar deste Restaurante no PROSIMETRON. 


Por fim, voltamos ao Chiado e passamos pelo último Restaurante que M. Altmaier sugere, o BELCANTO.


Embora não conheça, pessoalmente, nenhum dos restaurantes citados e reproduzidos, achei uma boa publicidade para a cidade de Lisboa. 

Post de HMJ

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Da janela do aposento 8: Cultura e Pátria



Os meus leitores atentos compreendem, certamente, que uma vivência entre dois espaços geográficos diferentes enriquece, sobretudo, o próprio indivíduo, embora a figura do “forasteiro” levante suspeitas, ridículas, a determinadas alminhas de menoridade que, infelizmente, tive que enfrentar com alguma frequência no passado.
Seria, porventura, pedir muito a determinadas pessoas que entendessem uma diferença de escala entre Cultura e Pátria. A Humanidade, como raiz da cultura europeia, manifesta-se, com variantes, a um nível inferior da Pátria, i.e., nos diversos espaços geográficos que constituem a Europa.
Com efeito, a confusão conceptual, ou a ignorância cultural e histórica – velada ou verdadeira – cerca-nos diariamente. Perante os discursos confrangedores ou sobranceiros, de “altas figuras do estado”, rebaixando o Sul perante determinada prepotência do Centro da Europa, as instituições de cultura definham, o ensino anula-se e os meios de comunicação alinham-se.
Não é por acaso que, ainda, me faça eco de algumas notícias, publicadas no jornal alemão DIE ZEIT, pelo esforço de manter uma informação plural sobre a riqueza cultural e histórica dos diversos espaços geográficos europeus. Assim sendo, e com algumas ingenuidades próprias do “olhar de pássaro”, recomendo um artigo sobre Lisboa: http://www.zeit.de/reisen/2012-04/lissabon-im-netz com várias ligações a páginas virtuais que, certamente, permitam uma visão diferente sobre a capital portuguesa pela positiva.

Post de HMJ

domingo, 15 de abril de 2012

As agendas


O titulo deste poste poderia ter sido: todos os caminhos vão dar a Roma...
Como um amor antigo ou uma casa que já foi nossa - e que, no presente, já não é -, os seus destinos nunca nos são inteiramente indiferentes. Gostamos de saber deles e, se os encontramos no nosso caminho, é com agrado que os olhamos - quase nunca com frieza ou indiferença.
Também não acredito nas excessivas coincidências: acho que, muitas vezes, são provocadas por alguém. Ou ajustadas para algum desígnio. Por isso parece-me, no mínimo curioso, que num espaço de pouco mais de 8 dias, o TLS, Die Zeit e o jornal Público, pelo menos, tenham abordado (embora por diferentes motivos) a religião católica, centrando a sua atenção e páginas na figura de Bento XVI.
Objectivamente: o que é que as centrais de informação andarão a tramar?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A patroa e o capataz da quinta


Não bastavam as críticas à Madeira (é certo que com alguma razão real, mas nenhuma autoridade, nem direito), numa ingerência abusiva da dona Merkel, logo o capataz Schulz (literalmente, poder-se-ia traduzir o nome por "meirinho"), presidente do Parlamento Europeu, alemão também, despropositadamente num colóquio, veio prognosticar o declínio de Portugal, justificando-o com os contactos havidos, pelo nosso PM, em Angola. Invejas, no fundo...
O que eles não referem é que na sua própria Federação, alguns estados não estão nada bem de finanças. Na länder de Bremen, por exemplo, uma família de 4 pessoas tem uma dívida (113.000 euros) pouco menor que, em média, um mesmo agregado familiar grego (116.000 euros) - são dados do Die Zeit de Dezembro de 2011, citados pelo Le Monde de 3/2/2012. E, em Berlim, uma mesma família está endividada em 73.000 euros. Por isso, talvez fosse mais apropriado a patroa e o capataz da quinta europeia fazerem os sermões dentro de casa...