Dos Avós, não me reza a história. Maternos se foram antes de eu ter vindo, e dos paternos, não me lembro, embora me pareça que a Avó, por pouco me foi coeva, e consta de uma fotografia amarelecida e pouco nítida, posando junto a uma fonte monumental, talvez do Bom Jesus, em Braga.
Recordo-me, sim, de uma Bisavó silenciosa, à cabeceira de uma mesa grande e natalícia. Mas é uma recordação neutra, inexpressiva, que não me suscita emoções de maior.
Não foi desagradável, no entanto, antes pelo contrário, que ontem me tivessem lembrado que já o sou. Através de fotografias de um Ser pequenino, e de um vídeo, onde pernas e braços tenros se mexem, desconfortados. Nesta sequência expectante e misteriosa de sangues que se vão projectando, naturalmente, para o futuro, que é um país distante, aonde não chegaremos de todo. Por aí se vai fazendo a fragilíssima eternidade dos homens...