Quando um Poeta é traduzido para outra língua, é porque a qualidade da sua obra é transversal, no mundo.
Mas também é preciso dizer que, se a tradução da prosa - quando bem feita - é difícil e está cheia de armadilhas, verter poesia para outro idioma é sempre uma tarefa condenada à imperfeição. Porque cada povo e cultura tem expressão própria e palavras exactas para exprimir a singularidade atávica dos seus sentimentos mais íntimos e a sua maneira de ser e viver, sem correspondência integral, absoluta, nos outros idiomas, mesmo que próximos ou vizinhos - e não há nada a fazer... Quanto a essa singularidade e idiossincrasia, próprias.
Apesar disso, neste dia eleito, pela Unesco, para celebrar o Dia Mundial da Poesia, escolhi para imagem, no poste, dois livros de poesia traduzidos, para chinês e francês (respectivamente, por Yao Jingming e Michel Chandaigne), de Eugénio de Andrade (1923-2005) - um dos meus poetas portugueses de eleição.
para MR, e em geminação com o Prosimetron.