Mostrar mensagens com a etiqueta Divagações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Divagações. Mostrar todas as mensagens

domingo, 4 de janeiro de 2026

Divagações 213


O inventário, para ser realista, só pode ser de pessimismo, do meu ponto de vista. A menos que acreditemos em fadas e anjinhos da guarda benfazejos.
Vamos assistindo à crescente barbárie do mundo. À sucessiva mediocridade e desarranjo mental dos políticos, cada vez mais fracos e tolos. E à cobardia acentuada das comunidades humanas que quase só sabem grunhir ou rir como as hienas e os atrasados mentais.



quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Divagações 212

 

Um amigo de infância que faz anos e, felizmente, está bem.
Olho os números e constato que sou mais velho que alguns dos desaparecidos. Já ultrapassei, em idade, a vida dos meus pais, o que é, em si, uma sensação estranha, parecendo que, agora e depois, tudo é ficção aparente a que me falta realidade. A sobrevivência de favor (?) vai-se estendendo. Até quando, não sei. E, embora as competências vão faltando, vou conseguindo pensar atinadamente, em termos racionais, embora a memória, sobretudo dos nomes, vá passando por hiatos temporários, que não chegam bem a ser dramáticos, mas não ajudam ao resto.
Um amigo que faz anos...

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Divagações 211



Tenho a enraizada convicção de que os pássaros são discretos a morrer. Sobretudo as pombas, que normalmente escolhem um canto isolado para se aconchegarem, sem piar sequer, para desfalecerem de vez.
Por outro lado, salvo as aves trucidadas pelos veículos nas estradas, é raríssimo eu ver o cadáver abandonado de um pássaro morto na natureza. Talvez escolham o mar para repouso final.
É isso que me falta saber.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Divagações 210

 

Evito quase sempre, nas coisas ou objectos, a perfeita simetria arrumada. Sempre me pareceu falsa a igualdade lateral dos espaços. Mas falta-me saber se as asas das borboletas são exactamente iguais, ou se é, por esse natural desequilíbrio que elas conseguem voar. Embora tenham vida curta.

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Divagações 209


Ou se escreve a pertença, no verso, ou se perde a origem da fotografia. Depois, só apenas a arqueologia especializada poderá permitir situar aquilo que terá sido nosso, ou contemporâneo. Se for útil ao futuro. O que é altamente duvidoso. Embora muita gente pense que tudo o que viveu é importante. E assim vão sendo felizes pela vida.

sábado, 2 de agosto de 2025

Divagações 208

 

Gradual e normalmente, com o tempo, a minha correspondência foi-se reduzindo ao mínimo e/ou ao que seria educado e obrigatório, ou meramente formal. Mas dele, amigo meu, reencontro-a do passado, para mim, a cada passo. em livros, gavetas, nos sítios mais improváveis. Postais ilustrados, sobretudo, da Itália, de França, Espanha, Alemanha, até da Lituânia, dando notícias ou narrando algum episódio pitoresco. De Portugal nem se fala, um número imenso de sinais e imagens.
Através deles reunidos e agrupados se poderia, de algum modo, reconstituir o percurso de uma vida e seus estados de espírito.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Divagações 207

 
Despacho rapidamente os contactos que me chegam da Meo (dizendo que vou desligar...), via conversa chapa zero tipo chinelo e de call-center chunga. Conheci algumas (poucas) pessoas que se dedicavam a esta actividade: eram preguiçosas e fala-baratos sem grandes objectivos na vida.
Não percebo o alcance, nem esta actividade foleira das nossas operadoras nacionais de comunicação.
Ainda assim prefiro os operadores de caixa das grandes superfícies que, também sendo indiferenciados e algo limitados de cabeça, variam um bocadinho de diálogo e tentam ser diferentes para chegarem a fiscais de caixa ou outras melhores posições profissionais.

terça-feira, 17 de junho de 2025

Divagações 206

 

É minha convicção que o rigor e a exigência abrandaram no mundo, nos últimos tempos. A tolerância quando não o relaxe ganharam uma flexibilidade impensável ainda no século passado. Ponto assente, anteriormente, era de considerar a literatura policial como um género menor...
A precedência de Georges Simenon em La Pléiade, de algum modo, permitiu que a prestigiada colecção francesa, quase equivalente a uma academia de imortais, viesse a albergar  agora parte dos livros de Arthur Conan Doyle (1859-1930), em dois volumes. Incluindo a dita obra canónica do escritor composta por 4 romances policiais e 56 novelas, produzidos entre 1887 (Um estudo em vermelho) e 1927, que têm por figura central o detective Sherlock Holmes. 

sábado, 24 de maio de 2025

Com ambição de máxima

 
A concisão e a discrição são virtudes maiores de maturidade atingida, embora nem todos o reconheçam ou cultivem, e possam demorar anos a adquirir, como princípio. Poupam aos mais velhos a paciência e o cansaço quotidianos. Porque a síntese e o equilíbrio são sempre um esforço de inteligência lógica, irreconhecível dos espalhafatosos e incontinentes, sempre abundantes por este nosso mundo vulgarmente irracional. A redundância, o excesso e a verborreia não deixam de ser epidemias contagiosas e de pouca utilidade.
Assim parece ser bastante difícil dizer apenas o essencial à vida.

terça-feira, 13 de maio de 2025

Divagações 205

 
Ao que parece, e comprovadamente, os elefantes têm reacções sensíveis pela morte de parentes ou componentes da sua manada. Estas mosquinhas da fruta que eu detesto e mato, sempre que posso, com grato prazer, demonstram, pelo contrário, alguma neutralidade sentimental, mas também burrice, pois são capazes de pousar, pouco tempo depois, junto de alguma colega falecida, com manifesta indiferença.
Entretanto, surpreendi-me uma vez mais, recentemente, com a sequência de reacções cristãs de lamentação e choro pela morte de Francisco, seguidas, poucos dias depois, com as demonstrações esfuziantes de júbilo e alegria ruidosa pelo anúncio da eleição do novo Papa.
(Ele há coisas do diabo!...)

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Divagações 204



O Vaticano, na sua infinita ou eterna sabedoria, procura sempre emendar a mão ou sequenciar alternativas, para contentar todos os fãs, quanto a pontífices.
Veremos o próximo. O cardeal Tolentino -  parece-me - está fora da corrida.

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Divagações 202



O nacional-porreirista mor do nosso reino (vulgo MEC) escreve hoje no Fugas, do jornal Público, que chorou por uma garoupa - triste e patético. Vê-se mesmo que nunca provou, na sua vida redonda e oportunista de plumitivo chocho, um bom rodovalho grelhado.
Mas compreendo. Todo o ser humano se esgota, todo o cronista acaba por se repetir. A imaginação tem limites. De tanto escrever, o MEC já chegou, há muito, ao fim do seu prazo de validade. Pelo menos, desde a altura em que fez a remake do romance da coxinha (telenovela radiofónica antiga), a propósito das maleitas da sua cara metade. O gorducho incontinente devia ter aprendido a parar com as suas banalidades pindéricas e já insuportáveis de infantilidade crónica.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Divagações 201

 

Nem todo o sentimento pessoal ou íntimo se consegue exprimir ou explicar. Muitas vezes, é uma sensação difusa que nem  sequer encontra a imagem perfeita ou palavras próximas. Locais concretos de outrora ajudam, mas é por sentidos estranhos, que não os cinco canónicos, que podemos talvez lá chegar melhor.
Percebo assim a pintura abstracta, na sua fulguração figurativa ausente.

sábado, 14 de dezembro de 2024

Divagações 200

 

Estava um frio danado quando saímos para ir ao talho. O Paulo, em vez de duas, tinha-nos guardado três perdizes. Já depenadas, que eu já não tenho pachorra para estar para ali umas horas, à mesa, a depená-las, laboriosamente. As bichinhas ficaram no congelador para a altura devida, da época natalícia.
Falta depois escolher um Dão macio pelos anos, ou um Douro amansado. Qualquer deles, tinto, de feição.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Divagações 198

 

HMJ saboreia à minha frente a romã que, pacientemente, descascou. Quase me apeteceu provar alguns daqueles bagos rubis tão bonitos.
Conheci várias senhoras que, pela beleza do fruto, lhe poupavam o escalpe e as deixavam mumificar (ou apodrecer) na fruteira. Como disse John Keats, e agora por palavras minhas: "Um momento de beleza é uma alegria para sempre."

sábado, 28 de setembro de 2024

Divagações 197



Talvez por sermos, sobretudo agora, um país geograficamente pequeno, quase sempre fomos um povo de alma reduzida, desconfiada e invejosa, por onde sobressaem alguns gigantes: o infante D. Henrique, D. João II, Afonso de Albuquerque, o marquês de Pombal...
Até em coisas corriqueiras escondemos aspectos básicos de elementar saber, com medo de nos copiarem a receita e perdermos o negócio. É o caso, por exemplo da "discreta" Sogrape, que nunca revela as castas de que fez os vinhos, ainda que anteriormente, elas constassem, noutros produtores mais descomplexados, seguros de si, e que ela absorveu entretanto. É o caso do Planalto, branco, Douro, que fora da Casa Ferreirinha. 

Nota pessoal: por vias travessas, aqui vai o lote das castas, à partida, que a Sogrape não queria revelar - viosinho (25%), malvasia fina (20%), gouveio (20%), rabigato (10%), códega do larinho (10%) e moscatel (5%). Assim fica desfeito este mistério enológico de polichinelo.

domingo, 4 de agosto de 2024

Divagações 196

 

Não é muito frequente, ao reler um livro ou rever um filme, eu encontrar-lhes o sabor de outrora. O tempo faz-lhes perder a frescura inicial, habitualmente, ou o meu cepticismo acentuou-se com o tempo, e já não perdoo os rodriguinhos ou a palha excessiva do entremeio...
Voltei a ver hoje, sem enfado, o North to Northwest (1959), de Alfred Hitchcock (1899-1980) que, do meu ponto de vista, pertence ao triénio dourado do realizador britânico: Vertigo (1958) e Psycho (1960), em volta que eu diria suprema. O elenco era muito bom, também.
Mas as cenas de Cary Grant (1904-1986) acossado e atacado no descampado, ou as peripécias no Monte Rushmore não deixam de ser inesquecíveis e geniais, para a história do Cinema.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Divagações 195

 
O esquecimento pode ser uma tragédia, com a idade. Mas a repetição de narrativas, por lapso, é, no mínimo, um aborrecimento difícil de suportar, muitas vezes, por um interlocutor. A coberto da intimidade, devemos libertar a verdade, com prudência, e à medida da confiança que temos do outro. E da sua abertura e tolerância.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Divagações 194



Com o tempo, a sensação do desarrumo começa a parecer mais frequente, quer nas coisas que nos rodeiam, quer na associação das reflexões que nos ocorrem. Para além de mais coisas que fomos juntando, há talvez uma liberdade na velhice que quase parece confundir-se com a anarquia, no seu melhor sentido.
Mas também é verdade que há algumas palavras de outros desaparecidos que, uma vez pronunciadas, nos hão-de acompanhar arrumadas para sempre, na memória dos dias. Mantendo o seu lugar parcialmente imperecível enquanto formos vivos e lúcidos.

domingo, 3 de dezembro de 2023

Divagações 191


Eu creio que quase todos temos preferências e prioridades. Critérios e códigos, alguns de conduta, definidos e hierarquizados, até para melhor arrumar os trastes em casa, e na cabeça. Mas há coisas que me parecem incompatíveis. O rigor dos factos e a fantasia da imaginação, por exemplo. A uniformização dos afectos, também, acrescida pelo abuso incontinente das palavras, no discurso quotidiano, de muitos.
Também a ignorância e o populismo vivem disto, que se alimenta da ligeireza dos dias e da irracionalidade militante.