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domingo, 30 de outubro de 2022

Géneros e geografia



A leitura deste pequeno excerto do cineasta e jornalista Leitão de Barros (1896-1967), inserto numa crónica do Diário de Notícias, do último dia do ano de 1955, que passo a transcrever, suscitou-me algumas pequenas reflexôes de índole diversa. Segue o texto: 
"O Porto, aconchegado no seu grande capote de granito, fumegando, independente, no cacimbo dos seus nevoeiros, voltado aos contraluzes prateados do Douro, é a mais vetusta e máscula cidade portuguesa. Nenhuma o suplanta ou iguala nesse sentido de veteranidade solene que irradia das suas pedras puídas pela ventania dos séculos."
Ora, se exceptuarmos o Funchal - creio -, apenas a Cidade Invicta, das urbes nacionais, ganhou o estatuto de género masculino. Mas, se alargarmos a ideia à geografia, na Europa, esta ciência também privilegia o género feminino para as cidades e até mesmo para países. Apenas me lembro do masculino Luxemburgo e do Reino Unido (embora da feminina Inglaterra). Curioso, pelo menos.
Qualquer dia, se calhar, os devotos LGBT ainda se lembram disto...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Opinião, memórias e recensões


Vem, hoje, no Diário de Notícias, um registo de memórias de Mário Cláudio, sobre Eugénio de Andrade, que eu recomendo vivamente. É despido de preciosismos saudosistas, mas documenta uma verdadeira amizade, que não se abstinha de reflectir sobre o Outro, mesmo quando negativamente.
O penúltimo TLS (nº 5889) traz dois artigos sobre Portugal. Num deles, faz-se referência ao livro Global City, a propósito de Lisboa no século XVI; no outro, vem uma recensão sobre um livro de Mia Couto, recentemente traduzido para o inglês. Em ambos se fala do passado colonial português.
Mas Landeg White (1940), na recensão sobre a obra de Couto, permite-se algumas considerações que me parecem sem sentido, para não dizer, disparatadas. Passo a traduzir o início e o final da recensão:
"Wole Soynka e o falecido Chinua Achebe foram classificados com escritores Nigerianos, assim como escritores Africanos, sendo ambos escritores post-coloniais (depois de uma breve caracterização classificativa de escritores da Comunidade) (...) Mia Couto, que nasceu na colónia de Moçambique, filho de imigrantes portugueses, tem sido desde o início da sua carreira um premiado «escritor Lusófono». Portugal nunca tendo descolonizado mentalmente (a expulsão das colónias é uma experiência bem diferente), o espaço que o artista ocupa é ambíguo. (...) Quando Couto acrescenta que os escritores Europeus nunca foram desafiados para tais assuntos, há que perguntar em que mundo é que ele vive."
Francamente, não percebo a ideia deste crítico literário do TLS (que parece que também é poeta)...