Arriscando a contra-corrente mas, de certo modo, muito naturalmente pela época que atravessamos, o penúltimo TLS (nº 6037) aborda como temática: Deus. Nos aspectos tratados, a abordagem parece-me muitíssimo adequada. E até fiquei a saber de uma Santa Tecla, discípula inicial para além dos 12, citada pelos Evangelhos Apócrifos, que eu não conhecia, nem nunca tinha ouvido falar.
Deus não é, seguramente e no momento actual, um tema que me fascine ou interesse, em particular, mas os artigos do jornal literário inglês não deixam de ser importantes e de agradável leitura. Um dos textos pergunta-se, em equação, qual a forma melhor de abordar a questão: se pela filosofia, através da ficção, ou pelo ensaio? Estranhamente, não fala da poesia, nem do teatro. Omissões que me pareceram imperdoáveis.
Godot, de Beckett, ou o dono da Tabacaria, de Pessoa, que serão senão deuses mutilados pela imaginação humana, desejante? E, ainda há dias, de um poeta vivo português, li um livro, é certo que irregular na qualidade, em que Deus estava presente ou subjacente em quase todos os poemas. E não diria que por misticismo forçado, ou por pose meramente acidental...