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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Bibliofilia 19 : O Viajante Universal



A história conta-se em algumas palavras. Eu costumava frequentar, em Agosto, uma sombria livraria da Póvoa de Varzim, creio que na Rua Tenente Valadim, paralela à Rua da Junqueira. O dono, e único atendedor, não era lá muito simpático. Mas era, também, poeta amador, daqueles que juntam versos, em quadras. Tinha publicado, em edição de autor, vários livros de poesia e, de cada vez que eu lá ia, aproveitava para me tentar vender algum. Só lhe comprei um, que dava pelo saboroso título de "Escrínio dos cem beijinhos". O livreiro era viúvo e tinha, na sua loja, imensas primeiras edições já esgotadas, em Lisboa: Sophia, Cinatti, Tomás Kim... Comprei lá vários desses livros que ainda têm o carimbo "Livraria Académica". Eu cobiçava-lhe também uns cartapácios que ele tinha arrumados na última prateleira, alta, junto ao tecto - que não, eram da sua biblioteca, dizia ele.
No Verão de 1970 ou 1971, fui lá com um familiar, e achei o homem diferente: menos antipático, mais amável. Disse-me, depois, que já podia vender os livros que eu cobiçara, anos a fio. Tinha tido dois enfartes e ia viver para o Porto, com o filho e, por isso, ia fechar a loja. Comprei bastantes coisas - dentro do que me permitia o orçamento da altura. Entre elas, 42 volumes de " O Viajante Universal" do Senhor De Laporte (a obra, "rollandiana", terá 51 ou 52 tomos), a Esc. 2$50, cada um. Regressei a Esposende, na companhia do Tó, com uma abada de livros. Para lá do poeta amador da Póvoa de Varzim, os livros pertenceram, antes de mim, a Thomaz António da Silva Gama, de Sta. Comba Dão, e, também, a Jozé Paulo (Ferreira?), da mesma localidade. Hoje, estão comigo. Até quando?
Não é frequente "O Viajante Universal" aparecer à venda. E, quando isso acontece, só tomos dispersos. Em 40 anos, só consegui adquirir mais um, na antiga Livraria Histórica e Ultramarina, do saudoso Aquário, Senhor Almarjão. Em Maio de 1998, num leilão do Correio Velho, havia o tomo XVIII para vender, mas esse já eu o tinha...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mulheres em Goa no séc. XVIII



Já aqui se referiram (A Carta da Índia, de Luís de Camões - 28/4/2010) as mulheres de Goa, no séc. XVI. Desta vez, passaremos aos finais do séc. XVIII e às observações turísticas do Senhor De Laporte no seu "Viajante Universal...(tomo V), que nos diz o seguinte:
"...As mulheres desta cidade amam especialmente os Europeus; e como as vigiam cuidadosamente, empregam toda a casta de estratagemas para manifestar a paixão que lhes têm. Dizem que empregam o sumo de uma erva chamada "troa" para adormecer seus maridos, quando querem gozar livremente de seus amores, e também se servem dela os homens para corromper as mulheres, quando estas não cedem às suas instâncias.
Em Goa não se veem as mulheres Portuguesas, nem mestiças pelas ruas: quando saem, ou seja para ir à Igreja, ou para as suas visitas, vão em palanquins cobertos, e acompanham-nas tantos escravos, que não é possível falar-lhes. Quando se apresentam em público, vão magnificamente adornadas, e carregadas de muitas pérolas, e pedrarias; porém nas suas casas andam com a cabeça nua, e os pés descalços, sem mais vestido, que uma anágua curta, e uma saia de pano pintado. São tão ciosos os maridos, que não lhes permitem falar com homem algum, ainda que seja parente. A contínua ociosidade em que vivem as mulheres de Goa, incita-as a buscar algum divertimento por via de algum namorico particular: se bem que há muitas honestíssimas, que resistem a todas as persuasões dos seus amantes. Sua ocupação regular é estar constantemente mascando o bétele, que , como já vos disse, lhes enegrece os dentes, e gengivas. ..."