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terça-feira, 21 de julho de 2020

Pinacoteca Pessoal 167


A obra de Domenico Ghirlandaio (1440?-1494) fala por si. Mas também dele falou Giorgio Vasari, que se ocupou de biografar os nomes grandes dos pintores da Renascença italiana. Dizem que Ghirlandaio terá sido um dos professores de Miguel Ângelo, o que só abona e reforça a qualidade do seu mestrado.


Com obra realizada em Florença e Roma, principalmente, são de destacar os frescos da igreja de Santa Maria Novella, de índole religiosa, ou a decoração da capela Tornabuoni. Retratos das figuras gradas florentinas pontuam também os seus quadros. Não esquecendo, porém, o magnífico retrato de Dante. Que, para cotejo, convirá emparceirar com o homónimo executado por Botticelli.


sábado, 30 de janeiro de 2016

Da leitura (9)


Esta fase da minha vida, no que diz respeito a leituras, tem-se caracterizado por um grande fastio em relação à ficção. Para ser exacto, no entanto, terei de dizer que encetei, há dias, com agrado a novela O Cisne Negro (Estúdios Cor, 1957), de Thomas Mann. Não sei se o interesse se irá manter até ao fim, veremos.
Alberto Manguel, em Uma História da Curiosidade (Tinta da China, 2015), usa, para itinerário dos seus discursos capitulares, passagens de A Divina Comédia, de Dante. O livro parece-me irregular: capítulos interessantes alternam com outros menos agradáveis, talvez demasiado prosaicos, eruditos e com abundantes citações. Num dos capítulos, de que gostei particularmente, o escritor argentino fala de um professor (Lerner) que teve um efeito benéfico e influência grande, no aconselhamento de obras e autores que ainda hoje o fascinam. Vou transcrever uma pequena parte desse capítulo:
"...Quando somos adolescentes, somos únicos; quando crescemos, percebemos que o ser singular é, na verdade, um mosaico composto por outros seres que, em maior ou menor medida, nos definem. Reconhecer essas identidades espelhadas ou aprendidas é uma das consolações da velhice: saber que certas pessoas há muito transformadas em pó continuam a viver em nós, tal como nós viveremos em alguém cuja existência talvez nem conheçamos. Compreendo agora com 66 anos, que Lerner é um desses seres imortais. ..." (pg. 61)

Ao longo da minha vida, tive também pessoas que me aconselharam livros e leituras. Recordo duas, especialmente. A primeira foi um professor de Inglês, de nome Fabião, no meu 4º ano de Liceu, que me abriu caminho para Somerset Maugham, aconselhando-me a ler The Moon and Sixpence. Vim a encontrá-lo mais tarde, na Faculdade de Letras de Lisboa, onde era leitor de neerlandês. O segundo conselheiro foi Eugénio de Andrade que me recomendou João Guimarães Rosa, na altura da minha ida para a tropa. E, porque falava muito de Juan Ramón Jiménez, acabei por vir a ler, também, o poeta do Moguer, com grande entusiasmo. São três autores recomendados que ainda hoje me dão prazer de leitura.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Imoralidade



Foi, certamente, pela mão de um “pessimismo antropológico” atribuído, em terras lusas, aos luteranos que criei, desde cedo, uma aversão profunda àqueles “católicos romanos”, ostensivamente caridosos e beatos e de rosto compassivo, mas de alma desprovida de qualquer ética.
Assim, e civicamente, ao atingir a idade própria que me permitia decidir livremente, oficializei, administrativamente, a linha que há muito me separara dos “crentes do parecer e de fachada”, optando por uma postura mental na defesa do “ser” e, também, do “tempo”.
Ora, o que me fez recordar essa opção longínqua foi um episódio – desumano e deprimente – que presenciei, hoje, num Centro de Saúde, bem no coração de Lisboa. Uma senhora, a caminho dos 80 anos, de aspecto frágil e com reacções pausadas, com apresentação respeitável, pediu à funcionária que o médico lhe passasse a receita dos seus medicamentos. Encontrando-se o médico de férias, surgiu-se-lhe a hipótese de a receita ser passada por outro médico, demorando ca. de 7 dias. Uma questão de prazos ... O pior estava para acontecer. Feito o pedido, a funcionária pediu 3,00 euros pela receita a levantar no prazo de uma semana (!). A senhora, mantendo a sua postura, disse: “não tenho esse dinheiro, porque, passei na Caixa (Geral de Depósitos ?) e, ainda, não tenho lá a pensão (!)” Segurei a minha carteira à espera da solução “administrativa” para o caso e, sobretudo, para evitar uma humilhação de um ser humano carente dos cuidados elementares. A solução foi o pagamento do valor da receita (!) no acto de entrega. A mim, ficou-me a revolta para o resto do dia e um reencontro com o Purgatório de Dante.
De facto, não sei como, quando e onde, o Senhor Ministro da Saúde confessa tais pecados – da sua responsabilidade – escondendo os seus actos benevolentes para com as PPP’s na área da saúde.
O episódio permitiu, no entanto, consolidar a minha opção antiga de não pertencer a semelhante confraria de falsos “cristãos”, nem a outras. E, embora não crente, gostava de ver algumas figuras, com actos imorais praticados ao longo da vida, numa expiação dos seus pecados semelhante à imagem pictórica que a seguir se reproduz.


Post de HMJ