Mostrar mensagens com a etiqueta Daniel Cohn-Bendit. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Daniel Cohn-Bendit. Mostrar todas as mensagens

sábado, 12 de maio de 2018

Variedades e efeméride


Em tempos da minha juventude, as opções eram normalmente simples. O maniqueísmo era predominante. Ou cabelos curtos ou muito longos, Benfica ou Sporting (o Porto ainda não fizera a sua aparição...), ou O Mundo de Aventuras ou O Cavaleiro Andante, semanais. Muito embora houvesse transgressões pequenas: por exemplo, os soixante-huitard, do Maio francês, preferiam os cabelos compridos e rabos de cavalo aos austeros cabelos curtos do maoismo da Revolução Cultural. Excepção feita ao alsaciano Cohn-Bendit, que tinha o seu cabelo mais ou menos composto e com volume. Pressagiando, talvez, o cordato e futuro deputado Verde do P. E., que viemos a conhecer mais tarde.
Muitos anos depois, chegou a terceira via, que havia de dar cabo do socialismo democrático, a multiplicidade do corte dos cabelos, o liberalismo desenfreado que se seguiu à queda do Muro, o exotismo andrógino, o politicamente correcto dos beatos saudosos da religião perdida, a nova ignorância militante. As etnias multiplicaram-se à face da terra e nas consciências, sendo enorme, hoje, a possibilidade de escolhas. Mas uma coisa se repete, juvenil, quando a liberdade parece ser total: continuam a queimar-se carros pelas ruas. Como aqui, há 50 anos atrás, neste Paris varrido pela sublevação estudantil, em 11 de Maio de 1968 ( da foto que encima este poste).

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Há quase 50 anos...


Não imagino como o governo do sr. Macron tenciona comemorar, no próximo ano, o meio século das movimentações estudantis e operárias de Maio de 1968, em Paris. Mas há datas que são sempre difíceis de tentar contornar, rasurar ou não referir. Emmanuel Macron (1977) estará, com certeza, à vontade, porque, como ainda não era nascido não se deve lembrar dessas convulsões pelas ruas de Paris... 



Daniel Cohn-Bendit (1945), hoje, tranquilo reformado do Parlamento Europeu, que foi figura cimeira e carismática nessa época, fará certamente algumas declarações solenes e importantes sobre a efeméride. Talvez aproveite até a oportunidade (quem sabe?) para lançar algum livro de memórias. Quanto a Jean-Luc Mélenchon (1951), que, dada a tenra idade, teve um papel menor, não deve porém ficar calado...
Mas o que resta dessa época de som e fúria, nas páginas cépticas da História, são sobretudo alguns slogans pitorescos, como: "É proibido proibir", "A ortografia é um mandarinato", "A sociedade é uma flor carnívora"; ou esse saboroso diálogo, que reproduzo acima, entre Cohn-Bendit e o ministro francês da Juventude, na altura.
Tudo o resto acabou por se esfumar no tempo e nas viradeiras sucessivas da história contemporânea francesa.
Que De Gaulle repouse em paz!

sábado, 27 de julho de 2013

Provocatoriamente


O fermento demora a levedar, e há que dar-lhe o tempo necessário para que o pão seja perfeito.
Olhando o passado, sem grandes preocupações de rigor, pode concluir-se que haverá, em cada país, no máximo uma ou duas revoluções por século. E depois de uma revolução, as gerações seguintes vão amolecendo como a gelatina dos relógios de Dali. O conformismo instala-se: atiram-se, de vez em quando, umas pedras, à polícia, por desfastio; acampa-se, indignadamente, nas praças mediáticas, ou, cacafonicamente e de forma acarneirada, mostra-se uma revolta cristã e inconclusiva, pelos feicebuques e linquidins que a NSA, com paranóia mormónica persistente, vai registando. Tudo fogo de vista.
O que sobra de revoltados autênticos não chega para fazer uma revolução, mas apenas para pequenos atentados suicidas que, no fundo, pouco adiantam. Porque grande parte da adolescência se vai preparando, muitas vezes a conselho indirecto dos pais, para o desemprego, a resignação, a impotência ou o individualismo desenfreado. Mas também se pode entreter (depende da cultura) com as revistas róseas, os bebés reais, os papas franciscanos, os futebóis, as novas tecnologias e os aviários políticos. É só escolher a disciplina...
É por isso que os governantes e pacifistas europeus podem dormir descansados. Não haverá, tão cedo, Brigada Rossa, nem Baader Meinhof (RAF) ou FP-25. Nem sequer, em forma mais soft, um novo MFA.
Quando muito poderá haver Primaveras Árabes ( que é feito da Síria, não me dirão?!) que depois dão para o muito torto ou, como diria o povo, na sua sabedoria milenar: é pior a emenda que o soneto...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Stéphane Hessel (1917-2013)

Ainda há 3 dias (poste "O beco", 25/2/13), eu tinha referido uma das suas últimas intervenções cívicas, num diálogo com Daniel Cohn-Bendit, promovido pelo "Obs.". Mostrava-se um pouco decepcionado com o rumo da res publica, mesmo na França, mas mesmo assim isso não o impedia de dar o seu contributo de ser humano pensante, em relação a um melhor caminho para o mundo. Na melhor tradição dos intelectuais europeus responsáveis, Stéphane Hessel intervinha, sempre que podia e na medida das suas forças, pelo pensamento. E fê-lo até ao fim. Faleceu, tranquilamente, em França, na noite de 27 de Fevereiro de 2013.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O beco


Entre a recente imolação pelo fogo do desempregado francês de Nantes (que, se calhar, nunca foi ao Louvre, mas precisava de comer e alimentar a família), o diálogo fecundo, mas inconclusivo (no último "Obs."), entre Cohn-Bendit e Stéphane Hessel, e, finalmente, o lúcido artigo de Pacheco Pereira, sábado no "Público", o triângulo isósceles fecha-se irremediavelmente num beco. Sem saída, senão por recuo.
O mercenarismo de muitos políticos corruptos, o corporativismo extremo dos partidos políticos e o desespero dos cidadãos conscientes - eis as razões deste cul-de-sac espiritual que dá razões ao mais profundo dos pessimismos ontológicos actuais. E que poderá dar justificação a movimentos anárquicos agressivos, singulares ou colectivos, mas também permite, em terreno inculto, o temível desenvolvimento do populismo mais grosseiro (Berlusconi, por exemplo).
Se a imolação pelo fogo já pode ser, recentemente, global (Tunísia/ França), se 2 gerações (Hessel/ Cohn-Bendit), quase se irmanam, no sentimento de claustrofobia, como poderá o comum da terra manter a serenidade e clareza de espírito, para não começar a bombardear as paredes do beco, para não ter de recuar ainda mais?! Ou para ouvir, com paciência cristã, as perlengas do professor da TVI que, arengando de gravata, prega, como um clássico cura de aldeia, a resignação, em nome do reino dos céus, como recompensa, ao fim de tudo?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A grande diferença


Quando vejo, nos jornais, fotografias destes encapuzados (como se fossem assaltantes) juvenis ou mascarados de Guy Fawkes pindéricos e esbranquiçados (ia jurar que 95% deles nem sabem quem foi Guy Fawkes...) a esconder a cobardia da sua identidade, vejo a enorme distância de atitudes entre a geração de 68 e a de 2012. O que as une é, unicamente, o legítimo verdor do lúdico dos anos juvenis e o arrancar pedras da calçada, para atirar à Polícia. Mas, se os de 68 escavavam para atingir "a praia" ou o Mar, os de 2012 cavam por cavar, simplesmente, sem outros objectivos, nem substância ou projectos - e escondem o rosto, com medo...
Daniel Cohn-Bendit é, hoje, deputado europeu pelo grupo dos Verdes, no Parlamento Europeu - continua a defender causas. O que serão estes pequenos guy fawkes mascarados, em 2050?