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sexta-feira, 12 de junho de 2026

David Hockney (1937-2026)



Era um dos meus 3 ou 4 pintores vivos preferidos. Refiro-me a David Hockney que faleceu ontem, aos 88 anos. Tivemos o privilégio, HMJ e eu, de visitarmos uma magnífica exposição do notável pintor inglês na cidade de Colónia (Alemanha), no ano de 2012.




sexta-feira, 1 de maio de 2020

Reacções


Têm sido muito diversas as reacções dos meus próximos ao estado de sítio destes tempos mais recentes, desde a resignação ponderada à impaciência frenética, da acédia à quase depressão, do realismo positivo ao pessimismo doentio, quando não, tolo. Depois, há também umas damas piedosas que se apegam com santas e santos de sua estimação. Uma coisa é comum a muita gente: o rearrumar da casa, onde os livros se incluem. Premonitoriamente, parece, eu comecei a fazê-lo ainda em Janeiro, no dealbar do presente ano.
Ontem, dizia-me um bom amigo, que já me vem da infância, que vai estando um pouco farto até porque lhe falta a adrelina, mas também nos rimos, ao telefone, de algumas situações caricatas acontecidas por aí. E, hoje, de um vídeo que me mandaram, Ana Vasconcelos, curadora da Gulbenkian, cita o pintor David Hockney (1937) que, da Normandia onde reside, de momento, teria dito: Temos que continuar a trabalhar porque, lembrem-se, não se pode cancelar a Primavera.
Ora, este parece-me ser um bom lema adequado ao tempo, em vez de perdermos as estribeiras...

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Pinacoteca Pessoal 131


Pintor de entardeceres, ou melhor, de anoiteceres brumosos e paisagens de largos horizontes, o inglês Atkinson Grimshaw (1836-1893) privilegiava nos seus quadros a proximidade dos cais, ruas nevoentas e ribeirinhas, nimbadas por uma luz crepuscular que instala, em muitas das suas obras, uma sugestão de melancolia outonal.



Tendo iniciado a sua vida profissional como mero funcionário dos Caminhos de Ferro britânicos, na esteira tradicional do pai, cedo contrariou o seu progenitor, pela forte vocação que o arrastava para a Pintura, a que veio a dedicar-se, inteiramente, até à morte.



Influenciado, a princípio, pelos Pré-rafaelitas, de pronto ganhou voz própria e estilo marcante, em tema e cores, facilmente detectáveis nas suas telas muito originais. Como poderá notar-se pela primeira imagem do quadro (Cais de Liverpool), que pertence à Tate Gallery.



Algumas das suas paisagens parecem pressagiar, embora em tom mais discreto, algumas obras recentes de Hockney. O perfeccionismo da obra de Atkinson Grimshaw despertou a admiração de Van Gogh, que a ele se referiu na correspondência ao seu irmão Theo.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Recomendado : sessenta e nove


Vem tarde esta recomendação, porque diz respeito a L'Obs da semana passado, e hoje sai o novo.Mas valerá a pena referir que a temática deste penúltimo (nº 2748) é dedicada a Simone Veil (1927-2017), com depoimentos de Jean Daniel, Agnés Varda, Françoise Arnoul, entre outros. E este mesmo L'Obs preenche 3 páginas sobre a exposição, no Centre Pompidou, de David Hockney. En passant, há também artigos sobre Martin Schulz, político, e Nicolas Cage, actor. Eis algumas boas razões para ler este número da revista francesa, que saíu a semana passada.

domingo, 9 de julho de 2017

Em louvor da Velhice (criativa e irreverente) : David Hockney


Tenho, para mim, que a velhice é, normalmente, mais do mesmo, passado. Ou como dizia o outro: é chegar ao fim do dia, e ver que nada aconteceu. Mas há curiosas excepções, mais raras ainda com artistas ou criadores. Estou a lembrar-me, por exemplo, de Herberto Helder que inflectiu, de forma poderosa, a sua poesia, nos últimos anos de vida. Menos, talvez Picasso, mas, com certeza, Matisse. Sá de Miranda é outro bom exemplo. Porque, na maioria dos casos, o que sobra é uma penumbra habituada, uma sombra pálida do que se fez, já sem o fulgor e pujança madura dos melhores anos. Como que uma desistência direccionada ao apagamento. Júlio Pomar disse, numa relativamente recente entrevista, que já andava cansado...


David Hockney (1937), que hoje faz 80 anos, é também um bom exemplo dessa vitalidade criativa que se renova, teimosamente, apesar da idade. Em 2012, em Colónia (Alemanha), tive a felicidade de ver uma exposição das suas últimas obras, que me surpreendeu pela frescura e qualidade estética, até mesmo, pela inflexão profunda do itinerário que tinha seguido até ali. É certo que ele tinha voltado à infância, voltara às paisagens juvenis da Inglaterra (East Yorkshire), onde tinha decorrido a sua adolescência, para pintar de novo. Alguns dos vídeos-instalações eram surpreendentes. E deixaram-me fascinado. Não os esquecerei tão cedo, como soberbas realizações de velhice ou maturidade tardia. E de apuramento estético, naquilo de que um criador é capaz.


É canónica e foi consensual a teoria de Leon Battista Alberti (1404-1472), durante muito tempo, para que o centro de um quadro organizasse os motivos de tal forma que obrigasse ou fizesse convergir o olhar do espectador para o tema central da obra. Muito poucos pintores, e ainda assim muito raramente, desafiaram esta teoria sobre a perspectiva, ou "desmanchar(am) a regra" - como disse, em verso e muito bem, o meu amigo António.
David Hockney tem, presentemente, no Centre Pompidou, uma exposição das suas obras, patente ao público até 23 de Outubro de 2017. A propósito da mostra, concedeu a Le Monde (22/6/2017) uma interessante entrevista em que explica a sua glosa (Annonciation 2) sobre o quadro de Fra Angelico (1395-1455), "A Anunciação a Maria", pintado em 1437. Recriando o interesse do presumível espectador pelo lado esquerdo, onde acrescentou uma paliçada diferente, e pelo lado direito, com o negro da noite. Por outro lado, modificou a posição da paliçada, de modo a alargar o campo de visão do observador. Levando-o para outros caminhos. A geometria do quadro de David Hockney é também totalmente diferente da de Fra Angelico, et pour cause...


Hockney refere também na entrevista que o que vinha pintando, natural e inconscientemente, numa tendência de inversão das perspectivas, se lhe esclareceu com a leitura da obra de Pavel Florenski (1882-1937), "A Perspectiva Inversa", em que o teórico russo advogava uma concepção da pintura totalmente contrária às ideias renascentistas do italiano Leon Battista Alberti. Daí os seus vídeos- instalações dos últimos anos, que, pelo seu movimento contínuo, obrigavam à participação acompanhada do olhar do observador.


Terminemos com uma nota mais ligeira, e de humor, de David Hockney que, quase no final da entrevista a Philippe Dagen, em Le Monde, afirma:
"Sim, eu sou um pintor feliz, e continuo a fumar. Na minha idade, não faria muito sentido parar: já não arrisco grande coisa. Sabe o que dizem na Califórnia? Que a opção, em breve, será entre fumar e a imortalidade. A imortalidade..."

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Adagiário CCXXXII : Outubro (6)


1. Vindima em Outubro, que S. Martinho  to dirá.
2. Logo que o Outono venha, procura lenha.
3. Se queres alho cuzudo, semeia-o no mês de Outubro.
4. Em Outubro não vás ao mar pescar, mas vai ao celeiro e abre o mealheiro.

sábado, 16 de maio de 2015

David Hockney


Inaugurou hoje, em Londres, na Galeria Annely Juda, uma nova exposição de David Hockney (1937), dedicada a pintura e fotografia, com os últimos trabalhos do artista. Encerrará em 27 de Junho de 2015.

domingo, 23 de novembro de 2014

Em prosa (poética?) repentina, ao jeito de Prévert, e sem auto-crítica sequente


O castanho, sobretudo o mais pálido,
acaba por nos ser consensual
na sua amenidade prática e tranquila
de Outono. Mas há também um fogo rubro
nas folhas suicidas que se despem ou despedem
dos seus ramos, para a nudez tosca de Dezembro.

Há mistérios na Natureza que não convém desvendar,
como no amor - pelo seu encanto singular.
Nem os poetas sabem ao certo,
embora suspeitem,
que vão deixar de cantar.
Os números exactos não são o seu forte.

Nem sequer as certezas.



Sb., 23/11/2014.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Divagações 74


As gamboas já chegaram, a semana passada, e a marmelada já está feita - foi quase um dia de trabalho para a HMJ. Agora falta só esperar pelos frutos secos: castanhas, nozes, pinhões. E pelos afogueados diospiros, vermelhos ou translúcidos, de veios amarelados.
As camisas de manga curta são substituídas pelas de manga comprida, os casacos ficam à mão, nos guarda-vestidos; a lã, gradualmente, vai ocupando o lugar do algodão - vamo-nos preparando para enfrentar o Inverno. Mas é pelo Outono, já começado, que a palavra melancolia ou nostalgia se insinua, por causa desses dias de Sol, já extintos, do Verão. A chuva regressou e a luz é quase só penumbra pelo interior das casas.
Por vezes é difícil situar ou datar o nascimento de uma palavra. Não será o caso do neologismo nostalgia, que nasceu no ano já distante de 1688, numa dissertação (Dissertio medica de Nostalgia oder Heimweh) apresentada por Johannes Hofer (1669-1752), na Universidade de Basileia. O então futuro médico, suíço, criou o vocábulo para caracterizar o estado de espírito doentio que dominava os jovens soldados helvéticos que combatiam longe de casa, e tinham saudades.
A palavra é formada por 2 étimos gregos: nóstos (reencontro/ regresso a casa) e álgos (dor, sofrimento), segundo apurei. Só não consegui saber se, a primeira vez que foi escrita e dita, terá sido no Outono desse ano de 1688...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Pintura e fotografia


Em Iowa, fiz também desenhos do natural, de pessoas, de modelos. Tirei muito poucas fotografias; eram principalmente em polaroide e punha-as em álbuns. Mas eu não tirava conscientemente fotografias com o objectivo de as utilizar na minha pintura. De certo modo, fazia aquilo que faço agora. Uso a fotografia como referência; é difícil pintar a partir de uma fotografia. Se a fotografia não foi tirada por nós, só com a imaginação se pode fazer alguma coisa com ela. Se a tirámos, pelo menos podemos lembrar-nos de que apenas a usamos para avivar a memória, para anotar uma aparência. Acho que é impossível desenhar a partir de fotografias. As fotografias não nos dão suficiente informação. Se se observar qualquer fotografia de um rosto, ela não nos dá nenhuma informação real.

David Hockney, in David Hockney by David Hockney (Nikos Stangos, Londres, 1976).

domingo, 2 de março de 2014

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

3 escolhas pessoais de 2012



Já aqui no Arpose falei do agrado que tive, em 2012, em visitar três mostras de Arte, de indiscutível beleza estética. Uma, é permanente, e as outras duas são temporárias. A primeira na cidade belga de Antuérpia, a segunda, em Colónia, e a última, em Lisboa. Vou lembrá-las, para quem, porventura, as queira ver:
- A exposição, no Museu Gulbenkian, "The Ages of the Sea", que encerra a 27/1/2013.
- A mostra de David Hockney, na cidade alemã de Colónia. Fecha a 3/2/13, mas deverá itenerar para o Guggenheim, de Bilbau.
- Em Antuérpia, o maravilhoso Museu Mayer van der Bergh que alberga uma média colecção particular, que vai da Arte Sacra à pintura flamenga, iluminura, estatuária e livros. A casa, onde se encontra este precioso acervo, foi construída de raiz, no início do séc. XX, e, por isso, a inclusão das obras é adequada e perfeita. A monografia sobre o Museu, cuja capa representa uma imagem, em nogueira, de Cristo e S. João, do séc. XIII, foi executado pelo Mestre Heinrich de Constância.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Hockney em Colónia


Quando, a 9/2/12, aqui no Blogue, falei da grande exposição de David Hockney (1937), na Academy of Arts, de Londres, não me passou sequer pela cabeça que, decorridos menos de nove meses, eu estaria a vê-la, em Colónia, no Museu Ludwig. Mas, como dizia J. V. de Pina Martins, por outras palavras: as coisas de que gostamos, muitas vezes, vêm ter connosco...
Não tenho palavras para expressar o quanto me agradou ver todos os quadros e vídeos-instalação, de cores claras que vão do branco ao amarelo, do verde ao castanho da natureza de Yorkshire que Hockney, num revisitar de infância e adolescência, esboçou, pintou e filmou durante cerca de dois anos, com afecto. Dir-se-ia que é uma explosão primaveril de alegria. Muito embora o Outono e o Inverno, em vídeos desencontrados de 3 corpos, cada, também estejam presentes, num conjunto de uma sala de 4 paredes, e que parece personificar, num espaço autónomo, as 4 estações, em movimento.
A exposição, em Colónia, encerra a 3 de Março de 2013, mas creio que a itinerância programada a levará, por inteiro e posteriormente, ao Guggenheim, de Bilbau. Para quem, como eu, aprecia a obra de David Hockney, sempre fica mais perto.

sábado, 15 de setembro de 2012

Um Turner menor?




O fragmento, o inacabado e a incompletude têm, para os admiradores modernos da Arte, um estranho fascínio. A inacabada "Batalha de Anghiari", de Leonardo da Vinci, ou a "Venus de Milo", fazem algum sentido, neste particular.
Recentemente, numa sala da Clore Gallery (dedicada à obra de W. Turner) da Tate Britain, abriu uma  mostra do Pintor inglês, seleccionada pela artista americana Vija Celmins, preenchida por estudos e esquissos dos inúmeros (cerca de 300) sketchbooks de William Turner.
Uma cheia do Tamisa, em Janeiro de 1928, que atingiu a Tate, danificou gravemente muitos dos livros de apontamentos de Turner. No entanto, a curadora incluíu alguns esquissos afectados pela água, na exposição, e até escolheu uma ou duas folhas em que Turner quase nada traçou. E a polémica estalou. Em abono da liberdade da Arte, alguns críticos apoiaram Vija Celmins, lembrando uma exposição de Yves Klein, onde só havia molduras e o famoso 4' 33'' de John Cage, de 1957, em que o pianista silenciosamente se senta ao piano, sem tocar uma só nota musical, durante esses 4 minutos e 33 segundos. Viria à colação, eu referir aqui, também, um filme português de João César Monteiro...
A polémica sobre esta mostra de Turner acentua-se, porque fazem comparações com uma outra, mais clássica e menos ousada, de 2009, que teve como curador David Hockney.


Em tempo e já 8 anos depois (2020):
ó seus parvos!, vêm aos magotes a este poste, para quê? Não sejam palermas nem carneirinhos amestrados por pastores marcanos!
Perdei antes tempo com coisas mais úteis.

You are really nerds and stupid bastards, just like Trump!

Sois mesmo uns grandes palermas e patetas, ao vir aqui....
Alguma vez ouvistes falar de Turner? Sabeis, por acaso, quem ele era, ó parvalhões?

How stupid you are, coming here!...

Yankees!,don´t be so submissive and stupid - think a little! Why do you come here, as a sheep?

Ó marcanos e sul-americanos!, vocês são mesmo uns bardamerdas do carago!  Vindes todos ao mesmo...

Ainda gostava de saber como é que vocês, sertanejos lorpas e marcanos indigentes, vêm aqui atraídos por um "ácaro" mongolóide que vos espevitou as meninges... Sois mesmo atrasados mensais!

Aqui, e depois de tantos anos do poste, já só vem os autistas (rain men), os mongolóides e os crónicos palermas, que abundam pela net.

Ó parvalhões, por que é que ainda vindes cá!? (Não tendes mais nada que fazer, na vida?!)

Ora vejam lá: esta semana já cá vieram visitar este poste 57 palermas!... E continuam: a maior parte são marcanos rurais dos USA, mas também há arreitados de outros sítios..:-))))

Eternamente, os parvos obcecados continuarão a cá vir, burros e piticegos de cabeça e miolos - que andam pela net sem saber que mais fazer. Pimps!

Andais à cata do síndrome de Turner? Não sejais parvos nem tão imbecis, ide antes a uma biblioteca credível, porque na net só encontrareis merda barata, ó hipocondríacos mentecaptos!

domingo, 1 de julho de 2012

Corrigir e rever


Uma boa parte dos escritores corrige e reescreve as suas obras. E, com os poetas, acontece o mesmo. Já Sá de Miranda o tinha dito: "...qu'emendo muito e qu'emendando dano,/.../ eu risco e risco (...)/ Ando c'os meus papéis em diferenças;..."
W. H. Auden não foi excepção, e desesperava os editores porque, muitas vezes, à última hora, queria rectificar alguns poemas ou, até, eliminá-los do conjunto que entregara para publicação. Um excerto do seu prefácio, de que farei uma tradução livre, ajuda a perceber o seu ponto de vista. Esta introdução de Auden faz parte dos Collected Poems, editados pela Faber and Faber, em 1976, e que tem, na capa, um retrato do Poeta feito David Hockney. Diz Auden:
"...Aos olhos de cada autor, eu imagino, que a sua obra passada é dividida em quatro categorias. Primeira, o puro lixo que ele se arrepende de ter escrito; segunda - para ele a mais dolorosa - as boas ideias que a sua incompetência ou impaciência não permitiram que fosse muito longe; terceira, os poemas em que, não havendo nada contra, não têm grande importância; estes são os mais numerosos, enquanto a quarta categoria, excessivamente pequena, as realizações de que se sente satisfeito. ..." 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

David Hockney


Abriu recentemente e prolonga-se até 9 de Abril uma exposição de pintura de David Hockney (1937), na Royal Academy, em Londres. O pintor inglês, com a sua proverbial irreverência, tinha declinado há pouco o convite para retratar Isabel II, por ocasião do 60º aniversário da chegada ao trono. Disse, em resposta, que estava muito ocupado "a pintar as paisagens de Inglaterra. Seu país (dele e da raínha)". Mas, aos próximos, acrescentou que "preferia pintar pessoas suas conhecidas". A Tate Modern vai inaugurar, em meados de Abril de 2012, uma mega exposição da obra de David Hockney, consagrando a sua Arte.
Na foto da imagem, Hockney, tendo por cenário de fundo o quadro "The Arrival of Spring in Woldgate, East Yorkshire" (2011).  

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Pinacoteca Pessoal 16 : Picasso


Penso que este quadro de Pablo Picasso (1881-1973) será, talvez, uma das últimas pinturas ditas de "intervenção" da Europa Ocidental, no século XX. Excluí, conscientemente, as Américas e a Europa Oriental, desta afirmação anterior. O "Massacre da Coreia", de Picasso, não terá porventura a violência apocalíptica de "Guernica", que a precedeu, mas espelha bem a revolta e indignação do Pintor perante a Guerra e a opressão desmedida. É um quadro que as bem-pensâncias procuram esquecer e, muito raramente, referem. Mas melhor do que as minhas simplórias palavras, valerá mais a pena transcrever (TLS nº 5222, de 2/5/2003), traduzindo, aquilo que, sobre o quadro, David Hockney (1937) escreveu, sob o título " Problems of depiction". Segue:
"Em 18 de Janeiro de 1951, Picasso pintou um quadro intitulado "Massacre na Coreia". No dia seguinte voltou a pintar crianças. O catálogo razonado Zervos anota a obra como sendo relativamente isolada numa sequência de retratos de crianças - a inocência e o futuro.
A Guerra da Coreia tinha começado em Junho de 1950 e em  Dezembro daquele ano vieram a lume histórias nos jornais que davam conta de atrocidades na Coreia que incluíam relatos de disparos sobre mulheres e crianças.
O quadro de Picasso foi reproduzido nos jornais da época (eu lembro-me disso, tinha 14 anos e era aluno de uma escola de Bradford). O caso foi rotulado como uma acção de propaganda e o quadro foi muito desvalorizado, comparado com "Guernica", e o assunto, praticamente, não voltou a ser falado.
Anos mais tarde, ao ver uma exposição de Picasso no MOMA, eu fiquei impressionado com o quadro. Ele ficou comigo, e comecei a interpretá-lo de forma diferente.
Em 1950, as imagens da II Grande Guerra ainda estavam presentes; a recuperação do post-guerra ainda ia a meio, quando as notícias do novo conflito, longe de Paris, começaram a chegar - reportagens de jornalistas, mas sem imagens.
A pintura de Picasso era uma resposta
Evidentemente que as suas fontes são Goya e Manet, mas eu penso também que, mais importantes ainda foram as imagens largamente difundidas dos campos de morte nazis. E isto teve um largo impacto, na altura (foram mostradas em Bradford, num local da cidade onde tinha caído uma bomba, e eu vi-as quando tinha oito anos).
Do meu ponto de vista penso que é uma obra universal, embora Picasso tivesse dito que as fotos vieram depois do acontecimento, e na verdade, de algum modo, não testemunham inteiramente a terrível e brutal actividade desses campos de morte, mas apenas nos dão conta dos sobreviventes - muito poucos em relação aos mortos. Por isso, o seu assunto e motivo é a resposta de um Pintor às limitações da fotografia, limitações que ainda hoje se mantêm connosco, e talvez mereçam, ainda hoje, um debate." 

terça-feira, 6 de julho de 2010

Favoritos XXVIII : David Hockney


Aqui fica "Splash", que me parece uma boa sugestão para esta tarde. David Hockney nasceu na Inglaterra em 1937. Embora o pintor não goste da classificação, é considerado um artista pop.
P. S. : agradeço a ms a rectificação do título da obra que é : "A bigger splash" (1967).