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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Da leitura 64



Auspiciosamente, o jornal Público de hoje, e por artigo bem informado de Luís Miguel Queirós (1962), levou a cabo a celebração de Agatha Christie (1890-1976), no dia preciso em que passam 50 anos sobre a morte (12/1/1976) da célebre escritora inglesa de livros policiais. A colecção Vampiro publicou 66 obras da autora, tendo sido suplantada em número apenas por dois outros autores: Erle Stanley Gardner (95) e Georges Simenon (73). LMQ destaca vinte dos mais importantes livros traduzidos para português, através de concisas sinopses dessas obras, em 3 páginas do jornal.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Da leitura 63

 


Da antologia Lisboa (Prosa), escolhida por Tomaz Ribas, e do texto de M. Teixeira Gomes (1860-1942) passámos a citar da página 60:

"Na Rua do Tesouro Velho encontrei o Jorge Della Faille. Entrámos na cervejaria Jansen e abancámos no terraço. O Della Faille é de Anvers, terra que eu conheço quase tão bem como a da minha própria naturalidade, e eu tivera ensejo de ver ali o pai, o conde Della Faille, senador, num baile dado pelo governador da província, o barão Ozy. Além disso conhecia-lhe perfeitamente a casa de habitação, ao pé da Igreja de S. Jacques (tão cheia, esta, de recordações portuguesas) e apelidade casa de Santo Inácio por ter sido ali, segundo reza a tradição, que endireitaram a perna quebrada de S. Inácio de Loiola (quebrando-lha outra vez), que ficara torta do primeiro conserto. A fachada da casa, enegrecida pelos anos e pelo clima (e a que religiosamente conservam a pátina) é triste mas harmoniosa e nobre, nas linhas puras da renascença neoclássica flamenga."

com agradecimentos a H. N.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Da leitura 61



Depois de uma (re)leitura breve e em diagonal do livro (Outros Tempos) de Júlio Dantas (1876-1962), obra que me pareceu algo especulativa e insuficientemente fundamentada, hei-de encetar a leitura do segundo livro em imagem, do historiador Armando Luís de Carvalho Homem (1950), que HMJ acabou de ler. E a que deu o seu aval de qualidade - meio caminho andado de garantia de leitura, para mim.




domingo, 9 de fevereiro de 2025

Da leitura 60

 

É o jornalista de Le Monde, Harry Bellet (1980) que o refere, e eu traduzo: "Último dos simbolistas ou no grupo dos primeiros pintores abstractos, quem era Piet Mondrian (1872-1944)? Ele detestava a cor verde porque lhe lembrava demasiado a natureza, mas pintava árvores como ninguém, e flores durante quase toda a sua vida, cuja venda lhe assegurava a sua subsistência. Era aparentemente austero, mas também um excelente dançarino e amador de jazz...".
Ao inverso, lá diz o provérbio: "Se não fossem os gostos, que seria do amarelo." Na verdade, podemos procurar em vão, na obra do holandês Mondrian, alguma árvore em que o verde surja, mas não encontramos nunca essa cor. Achamos o cinzemto, aparece o vermelho, mas verde é que não há...



sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Da leitura 59

 

Sempre me senti pouco à vontade com a leitura de filosofia. Se exceptuar porém os nomes de George Berkeley, Arthur Schopenhauer, Soren Kierkegaard e Friedrich Nietzsche, autores que li com agrado e proveito.
Concluí entretanto que a marca de posse e data que, antigamente, eu inscrevia nos livros que ia comprando me permite, hoje, situar a leitura que deles fiz. Este Para além do bem e do mal, li-o aos 22 anos de idade.

terça-feira, 9 de julho de 2024

Da leitura (58)



Penso que há livros que têm um tempo próprio para serem lidos: a infância, juventude, a idade madura. Mas há quem subverta tudo isto, talvez por desarrumação natural.
Estou a tentar ler, embora devagar, O Doutor Jivago, de Boris Pasternak, livro que, na juventude, não consegui ler quando saiu, editado pela Bertrand.
Vou na página 25, a ler vamos...

sábado, 8 de junho de 2024

Da leitura (57)

 


Pela sua objectividade, talvez valha a pena traduzir e registar aqui o início do editorial, de Laurence Moreau, neste número especial da revista francesa, intitulado Se réconcilier avec l'autorité. Assim: 

"Estranha época, em que mais nenhuma autoridade resiste à contestação. A autoridade da família? Recém chegados ao raciocínio, muitas das crianças impõem a sua lei aos pais ultrapassados. A da escola? Os miúdos da primária insultam os seus professores. A autoridade do Estado? Os deputados não hesitam a pôr em causa a integridade do Conselho constitucional, a jurisdição encarregada de verificar a conformidade das leis com a Constituição, só porque as suas normas não respondem aos seus desejos. (...) Por todo o lado, a autoridade está em refluxo: nas comunas, os presidentes de Câmara são ameaçados frequentemente, maltratados, por concidadãos descontentes. «A autoridade da coisa julgada»? Uma noção cada vez mais posta em causa. Bem como a presunção de inocência. O trabalho do juiz como polícia tende a ser negado pelo tribunal popular.Na hora da«post-verdade», até a própria certeza científica é desvalorizada.(...)
A única verdade que vale, a da opinião e a da emoção. Não se acredita mais no pai, no padre ou professor, mas nas vociferações dum imã autoproclamado, nas fake news difundidas pelas redes sociais e nas acusações não comprovadas. A autoridade mudou de canal. Por culpa de quem? Pela sêde de igualdade que, em democracia, acabou por pôr em questão todas as hierarquias, as do poder, do saber, da religião e até mesmo da idade. (...)"

Nota pessoal: o meu agradecimento, a H. N., pelo empréstimo da revista.





sexta-feira, 15 de março de 2024

Da leitura (56)



Será talvez um livro sem pretensões*, o do japonês Satoshi Yagisawa (1977), mas que se lê bem, este Os meus dias na Livraria Morisaki (2023). E não deixa de ser interessante que a obra tenha no final um breve glossário que nos dá a conhecer o significado de algumas palavras japonesas. Como por exemplo:
Ayu - peixe de rio, de carne bastante doce.
Futon - cama tradicional japonesa.
Yukata - quimono de algodão.

* embora aureolado com a classificação editorial de bestseller na capa e a indicação de 2ª edição...

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Da leitura (55)

 

É sempre com alguma expectativa que enceto a leitura de um autor desconhecido, sobretudo se já foi premiado. Neste caso, a francesa Annie Ernaux (1940), com o Nobel de Literatura de 2022.
Vou a páginas 43, o que não me permite tirar conclusões antecipadas, mas a obra lê-se corrediamente, com manchas tipográficas pequenas em vez de capítulos e com uma história autobiográfica (?), até aqui, simples.
Faz lembrar o estilo de G. M. Tavares (Expresso e JL), embora os textos deste autor sejam mais desarrumados.
A ver vamos o que o futuro me reserva do resto da leitura do livro La Place (1983)

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Da leitura (53)



Como se segue:

"Não é caso único: a Octavio Paz, no fim da vida, ardeu-lhe uma biblioteca cheia de raridades bibliográficas; e o italiano Giovanni Papini perdeu os seus livros, que estavam numa cave, durante umas cheias.Todas as vidas têm um fundamento material, mas a vida de um escritor é quase só papel, um suporte duradouro mas exposto a tantos perigos e inimigos. Perder uma biblioteca é de certo modo perder tudo, o maior pesadelo para quem fez dos livros a sua vida."

Pedro Mexia (1972), in Biblioteca (pg. 236).

domingo, 20 de agosto de 2023

Da leitura (52)



Numa realista recensão crítica ao livro The Great Crashes, da economista Linda Yueh (1977), o historiador norte-americano Eric Ranchway (1969) põe o dedo na ferida, a propósito das crises de mercado, referindo algumas das causas da depressão económica. Aqui ficam 2 pequenos excertos que traduzi livremente, do texto inglês, para português, pela sua pertinência.

"  As crises começam com a euforia. Os tempos parecem favoráveis e as pessoas acreditam que eles permanecerão bons. A inovação técnica e o vigor empresarial empreendedor parecem convidar a uma nova era que será imune aos velhos azares. "
( ...)
" Mas nas crises, os banqueiros - cuja classe contribuiu mais do que qualquer outra para criar os problemas que agora parecem ameaçar de novo a economia global - pouco sofreram. "

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Da leitura (51)



Descontando do título, benevolamente até porque foi póstumo, o plágio do nome da obra de Camilo, Memórias do Cárcere, confirma a qualidade da escrita do romancista brasileiro Graciliano Ramos (1892-1953). Percebemos pela sua leitura a riqueza da realidade que absorve. O pormenor que não perde e perpetua. E se perceba, a quem atende com algum mínimo sentido crítico, a mediocridade do que se vai publicando, por entre aves de arribação, sacaduras e mãezinhas, dos coelhos brasucas, piercings e afonsos de hoje, uma outra fasquia de excelência, no passado recente da literatura de língua portuguesa... 

quarta-feira, 1 de março de 2023

Da leitura (50)



A cerca de 1/3 da leitura, do livro Correspondência Fernando Lemos e Jorge de Sena (Documenta, 2022), não posso dizer que o andamento e assuntos me levem entusiasmado. Os interlocutores, na altura, Jorge de Sena (1919-1978), em Portugal,  e Fernando Lemos (1926-2019), no Brasil, teriam cerca de trinta anos e é bem possível que o tom mais ligeiro do segundo tenha contagiado o estilo mais solto do poeta de As Evidências.

Duas transcrições darão o tom, ou andamento. De Lemos, em carta de 1954: "...Todos os dias acontecem ocupações. Bailados, teatro, exposições, jantar em casa de um, almoçar em casa de outro; eu sei lá! É cansativo, claro, mas dá gosto e vibra-se com tanta gente ao mesmo tempo, ansiosa de novidades e acontecimentos. A quantidade e qualidade de mulheres, faz o eixo ao fim de contas de toda esta movimentação. Nada se faz sem elas e sem ser por elas. Aparecem em todo o lado aos cardumes, sempre com um ar disponível, mesmo quando casadas, morenas, loiras alemãs, e outras meio japonesas. Tenho feito os maiores escândalos, e o Casais (Monteiro) sempre que me pode ajuda-me na luta pela mentira..."



Quanto à carta de Sena, de Lisbos e datada de 1955: "...Creio que nunca cheguei a dizer-lhe (pois se não respondi à carta) como achei admirável o seu poema «Que me importam as entradas e saídas dos barcos?», como o achei verdade. Por estas e por outras é que me repugna a «independência de capelista" dos seus ex-confrades e novos ex-confrades, quando proclamam as grandezas dos Cesarinys e outros Margaridos mais ou menos Euricos da Costa. Tudo isto meu caro, passe a vaidade, é uma merda que cada vez menos nos merece, a menos que, parafraseando o Casais, não se foda e, portanto, queira ser salva. Mas tenho para mim que não quer. ..."

Que cada um ajuíze da qualidade, após leitura da obra, e do seu interesse geral.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Da leitura (49)



Do livrinho anote-se o bom gosto da impressão e os textos concisos, mas densamente informativos, que serviram de base e apresentação (folhas de sala) a várias mostras da BNP. Apraz-me registar esta pequena-grande obra do historiador João J. Alves Dias (1957), que nos chegou às mãos em boa hora.

sábado, 11 de junho de 2022

Da leitura (51)


Há uns anos atrás, dizia-me um romancista meu amigo, que toda a ficção que se preze teria de ter alguma palha convencional, sobretudo se a obra quisesse passar do conto ou novela para a consistência e volume de um romance. O problema seria o leitor ter que ultrapassar o frete ou vir a fazer batota na leitura do livro...
No que diz respeito aos romances policiais, a situação é recorrente e muito mais habitual. Se alguns clássicos e autores de primeira água (Conan Doyle, S. S. van Dine...) conseguem evitar os enchumaços na escrita, grande parte dos outros autores secundários não o evitam ou mal o disfarçam.
Aprecio razoavelmente a obra do inglês Nicolas Freeling (1927-2003) cujos policiais são um bom exemplo de divagações frequentes e alheias ao tema central das intrigas. No caso vertente (Uma Vida Perfeita, nº 628 da Colecção Vampiro), são convocados, um pouco a despropósito embora com algum interesse, Graham Greene, Stevenson (pg. 93), o assassinato de Olaf Palme (pg. 97), no ano de 1985.
Bem como, na página 104, estas considerações: "Os maus romances policiais da minha juventude estavam cheios de sustos tornados lúgubres - o efeito divertimento de feira. Comboios-fantasmas, fitas sarapintadas, truques com espelhos, vampiros. Se repararam no padre Brown nas proximidades sem fazer nada, exibir um par de saltos é um bom conselho. Nero Wolfe, ao abrir inocentemente a gaveta para contar as suas cápsulas de cervejas, encontrou uma ponta-de-lança dentro... Hoje em dia, acalentaríamos a esperança de que o pobre diabo não tivesse contraído um resfriado, mas a ideia consistia em pregar um bom susto ao leitor - é isso que o público aprecia."
E, talvez valha a pena dizê-lo, que muitos leitores se calhar nem se apercebem da palha que consomem.