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sábado, 18 de julho de 2015

Regionalismos transmontanos 87


1. Zanzino - o mesmo que moscardo.
2. Zarba - mata de arbustos, sebe.
3. Zavaneira - boa dona de casa, muito diligente.
4. Zavar - morder raivosamente.
5. Zichar - sair à pressão (líquidos), sair em borbotões (a água), esguichar.
6. Zíngaro - cogumelo.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Regionalismos transmontanos (67)


1. Respício - criança magra e enfezada.
2. Resulho - a parte sólida do caldo, o m. q. rasulho.
3. Revergada - diz-se da caligrafia difícil de entender.
4. Ribeira - terra baixa, fresca e com regadio, boa para a cultura.
5. Riça - diz-se da galinha com penas crespas, frisadas (riçadas).
6. Rijar - frigir, fritar, frejucar (em pingo).

domingo, 8 de junho de 2014

Diário sucinto de umas férias, sem rede, no Alto-Douro (6 e último)


Há viagens que se fecham em si, uma vez feitas, bem como algumas férias já passadas. Outras, que se procuram e se guardam, para sempre, num compartimento estimado da memória. Mas, à partida, nunca saberemos a brevidade ou longevidade desse tempo delimitado que foi nosso.
30/5
Manhã de sol, embora ligeiramente nublado a sul, cobrindo os píncaros mais altos. Céu totalmente limpo, pelas 9h00. O pequeno-almoço, por aqui, além de um bom momento de convívio, é sempre reconfortante: se o leite (Vigor) e a manteiga (açoreana) vieram do sul, o pão regional, fabricado em Donelo, é excelente.
Sejam as simples carcaças, que nada parecem ter de industrial, quer o pão grande, bem cozido, que dá um fatiado de miolo pleno e fofo. Não podemos é perder o padeiro ambulante e simpático, que se faz anunciar pelo buzinar da carrinha, todas as manhãs, pelas veredas sinuosas das povoações. A alternativa é ir buscá-lo ao minimercado da aldeia (mercearia-café, melhor dizendo), mas o pão esgota-se depressa.
A águia-de-asa-redonda (?) só aparece ao fim da tarde. Deixa aos pequenos pardais os campos livres, no entretanto. Mas também aos melros, às rolas, aos pintassilgos, que aproveitam, numa justa distribuição comunitária, natural. Como nos minifúndios minhotos, a rega, entre vizinhos, é horariamente partilhada...
Os dias crescem ainda e a luz solar, às 20h30, estende-se pelas encostas, fazendo ressaltar o casario branco, por entre os tons diversos do verde: olivedos, vinhas, pinhais... Não há vento e toda a natureza parece acomodar-se à tranquilidade da noite de quarto-minguante, que será a última, para nós, aqui.
Parcimoniosamente lidas, vou acabar as "Mitologias" de Barthes.
31/5
Às 6h50, o sol já ilumina os topos mais altos dos montes, em frente da casa.
Arrumar, regressar... Havemos de parar na Régua, para o almoço.

sábado, 7 de junho de 2014

Diário sucinto de umas férias, sem rede, no Alto-Douro (5)


29/5
O sol piscou um pouco, de manhãzinha, mas pisgou-se logo, e as nuvens cinzentas ocuparam o horizonte, em Donelo. Mas o nosso objectivo era passearmos de barco no Douro, e pusemo-nos a caminho.
No Pinhão, o rio arredonda-se numa pequena baía, que mais parece uma lagoa, amena e tranquila pelas dimensões limitadas. O rabelo "Quinta de Ventozelo", adaptado, tem capacidade para 30 pessoas (com zona coberta e descoberta), mas a viagem de ida e volta até às águas da Quinta da Romaneira (1 hora), faz-se com apenas 18 pessoas e mais dois tripulantes. Só duas são portuguesas, as restantes distribuem-se por: flamengas, francesas, alemãs e inglesas (americanas?). Na conversa breve que tenho com o Arrais da barca duriense, recolho uma nova versão do naufrágio e morte do Barão de Forrester, no Cachão da Valeira, em que a Ferreirinha (D. Antónia), que se salvou por causa das suas saias de balão, não teria tido um papel inocente... Diz-me o Homem do leme, também, que a Capitania do Porto expediu recentes directivas que limitam estes rabelos a só levar 15 turistas: o que ele acha ridículo, porque as barcas transportavam, antigamente, até 20 tonéis de 300 litros, com vinho do Porto, até Vila Nova de Gaia. Mas ordens burocráticas, também são ordens...
No regresso, por descoberta de HMJ, ainda colhemos fruta de uma cerejeira brava que se inclinava sobre a estrada. Quase duzentos gramas de pequenos frutos de pele translúcida, bem saborosos e  doces.
Já em casa, ao fim da tarde, o sr. Pedro, acompanhado do seu fiel Póxi, leva-nos o garrafão de azeite duriense, encomendado anteriormente. Ficámos a falar sobre a fauna regional e as actividades cinegéticas. Que há excesso de melros - diz-me ele -, porque a caça destas aves foi proibida e, agora, os pássaros dão cabo das sementeiras. Em compensação desfavorável, há poucas perdizes e coelhos bravos, talvez por causa das muitas águias, que a Comissão Venatória tem libertado, pela zona - aventa. 
Até sempre, sr. Pedro!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Diário sucinto de umas férias, sem rede, no Alto-Douro (4)



Dos animais domésticos, sempre prezei mais os canários, pelo seu cantar, sobretudo, mas também pela elegância corporal e pelas suas cores.
28/5
Em geral, não gosto de cães, pelas muitas mordidelas que sofri na infância e minha juventude. Mas tenho uma especial simpatia pelo jovem (com quase ano e meio) Póxi, da raça Labrador (Retriever) do sr. Pedro. Quando o dono vem trazer a botija de gás a nossa casa, pela picada sinuosa que desce de Donelo, o Póxi trota alegremente à frente da carrinha, sempre uns dois ou três metros adiante. Da corrida, chega já cansado, mas parece feliz, e deita-se nas lajes de xisto, que rodeiam a habitação, ficando a resfolgar, de língua de fora e pendente. E, se lhe trazemos um balde de água do poço, bebe sofregamente até ao fim. Quando termina, olha-nos atento e parece agradecido. A sua alegria contagiante chega a mim.
11h40 - Galafura (S. Leonardo de), de Galafre, emir mouro que, segundo a tradição, por aqui construiu um fortim, em tempos imemoriais, no pequeno planalto, donde o Douro se pode ver em quatro perspectivas, bem como o Marão, ao longe. Na igrejinha do topo, em azulejos simples, um poema de Torga que, na sua discursividade prosaica, cai bem, ao ler-se, embora do Poeta transmontano eu lhe prefira a "Bucólica" ("A vida é feita de nadas...") - para mim, um dos grandes poemas em língua portuguesa.
No pequeno restaurante "S. Leonardo", com magnífica vista sobre o Douro, almoçámos um cabritinho assado, delicioso, com arroz de carqueja a condizer, acompanhado por um "Quinta dos Mattos", tinto reserva de 2008, onde entrava Tinta amarela, casta não muito frequente, por estas bandas. Serviço atento e gentil, preços justos. E, se não fora à entrada, a fotografia na parede, da múmia de Belém, que aqui refeiçoou, em 1993, na sua versão de PM, seriam tudo boas recordações... Mas que fazer?, se, daqui, não estamos longe do Cavaquistão.

Obsv: Infelizmente, não fotografámos o Póxi. A imagem é do cão mais parecido que achei na net...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Apontamento de viagem: Donelo do Douro




Quando há anos passara pela Quinta de la Rosa, fiquei com vontade de regressar, sobretudo a essa paisagem entre a Régua e o Pinhão. Este ano, e por uma coincidência feliz, poisei uns dias, a uns quilómetros acima, no meio dos montes numa casa belíssima, com vista para Donelo.
De manhã, ouvia-se a buzina do carro do padeiro, a passar lá em cima, a anunciar o pão fresco e a fofa bola que se vê na imagem seguinte. A garrafa de azeite, caseiro, puro e gostoso, recebemo-la à chegada, juntamente com outros produtos da região para a primeira merenda verdadeiramente duriense: enchidos, pão e vinho. As cerejas, belíssimas, juntaram-se mais tarde, vindas do mercado da Régua.



Do encanto da paisagem e do jardim da casa, fixei alguns pormenores, de bom gosto, como as florinhas à volta da oliveira.


A vista de cima, rodeada de montes cuidadosamente cobertos de vinhas e oliveiras, completou-se com um passeio fluvial, num antigo barco rabelo, a apreciar o Douro e as suas margens.



No entanto, nessas “Viagens na minha Terra” não resisto à tentação de encher o carro de produtos regionais. Do café de Donelo, com uma mercearia anexa, veio o vinho, juntando-se-lhe um garrafão de azeite, adquirido a um produtor local, pessoa simpatiquíssima que me encheu os ouvidos com palavras novas e um discurso, rico e sabedor, sobre a fauna e a flora do lugar. Do padeiro andante, parado a fazer negócio no meio dos povoados, saboreei o pão e, sobretudo, a bola, rectangular, embrulhada em papel vegetal e empilhada num canto da carrinha.
Por fim, ainda cheguei a tempo de dar uma volta ao mercado da Régua. Prazer supremo o de olhar para os produtos acabados de colher, e pena de saber o carro já muito carregado ! Contudo, ainda perto de mim tenho as cerejas e o cheiro de uma réstea de cebola nova, conservando, durante uns dias, a riqueza do campo que ficou para trás.

Post de HMJ

domingo, 1 de junho de 2014

Diário sucinto de umas férias, sem rede, no Alto-Douro (1)


24/5
Almoço desinteressante em Lamego.
Chegados, verifico que as assimetrias de Portugal, por aqui, são ainda mais evidentes. Consegui ver que há comentários nalguns dos últimos postes do Blogue, mas nem sequer consigo abri-los, muito menos, responder. No entanto, da janela vejo, enormes e altos, 3 "moínhos eólicos", no monte defronte, sinal da modernidade tecnológica e ambiental portuguesa, mas a inefável tmn-MEO quase não tem rede, aqui, nem mesmo para telemóveis, e trabalha, no mínimo, à velocidade obesa e preguiçosa de um caracol distraido.
Vou-me resignando à hipótese provável e desagradável de o Arpose ficar "congelado" por uns tempos...
Mal que eu só tenha trazido dois livros para ler! Paciência... olho a paisagem, que é lindíssima. À noite, inicio as "Mitologias" de R. Barthes.
25/5
Domingo, 8h44. Mais 4/5 tentativas frustradas para ligar a net e aceder ao Blogue. Em frente, cinco oliveiras retorcidas e centenárias asseguram a antiguidade do lugar e a permanência estática do espaço. Isolado, agreste, sem abertura alguma ao futuro ou à modernidade que, fatalmente, nunca passará por aqui. Fecho o computador e desisto. O telemóvel, inerte e sem vida. Inesperadamente, consigo mandar uma mensagem... mais nada.
Donelo, Gouvinhas, Ferrão, Covas do Douro, andam por aqui à volta, numa babel de nomes estranhos e  cujo som fonético convoca tempos imemoriais, no mesmo ermo de solidão e penedia alta. Para chegar a casa, são cerca de 350 metros de picada exígua de largura, e inóspita.
16h10, Pinhão. Por momentos, no computador, a ligação"...Paris, S. Petersburgo, o mundo..." (Cesário). A suprema ironia...