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domingo, 8 de setembro de 2019

Para os francófonos, muito especialmente...



...este Domingo de 1957, para matarem saudades de Paris.
(Que eu sou mais de Londres.)

domingo, 4 de agosto de 2019

domingo, 28 de maio de 2017

Outros Domingos


A Bíblia sempre foi um dos meus Livros de referência, mesmo depois de deixar de acreditar.
Nas manhãs de Domingo, de infância e juvenis, eu gostava muito de ouvir a leitura dos Evangelhos, mesmo depois de os conhecer e ter lido. Se o padre tinha voz clara e a sua dicção fosse boa, melhor ainda. O problema dava-se, no entanto com as homilias, muitas vezes. Porque havia pastores que gostavam de se ouvir, eram monotonamente prolixos, falavam, falavam, falavam. Gastando, com frequência, na homilia, quase o dobro do tempo, do que tinham usado para ler o Evangelho. E, concretamente, não acrescentavam mesmo nada à concisão perfeita das parábolas dos textos sagrados. Eram, apenas, paupérrimas glosas gaguejantes, repetitivas e desordenadas dos motes essenciais da Bíblia.
Era, por essa altura, que eu, cansado e farto, quase adormecia, na reprise...

domingo, 17 de abril de 2016

O vazio e sossego dos dias inúteis


O Domingo tem destas coisas: o vazio ressonante dos blogues...
E montes de donas de casa desesperadas, por falta de impulsos motivadores que lhes dêem forças para iniciar as lides domésticas. Como também os desanimados cibernautas suspensos no vazio, à espera de um primeiro poste matutino.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Glosa (6)


Domingo. No tempo em que eu ia à missa, e já começara a pensar, embora impreparadamente, apreciava bastante aqueles oficiantes (raros, aliás) que, depois da leitura do Evangelho, glosavam de forma inteligente e clara aquilo que tinham acabado de ler para os paroquianos, através de uma interpretação pessoal comentada. A grande maioria dos padres, no entanto, limitava-se a reproduzir a história do Evangelho, de forma canhestra, vacilante, como que num eco desfasado e paupérrimo de palavras banais. O que me dava um grande tédio, quando não, bocejo e sono...
Há dias, e durante cerca de 25 minutos, na SIC-notícias, a propósito do recente terramoto de Taiwan, uma inepta e verborreica jornalista tentava, por palavras, comentar as parcas e repetitivas imagens que iam aparecendo no ecrã sobre a tragédia. O que ela dizia não ultrapassava, em nada, o que íamos vendo, porque decerto não sabia chinês, nem lho traduziam para ela poder acrescentar um pouco mais de explicação a essas imagens que, continuamente, iam passando no ecrã. Repetiu, assim, as mesmas banalidades umas quatro ou cinco vezes, num péssimo trabalho jornalístico.
Mas não é caso único. Já me habituei, também, a que depois de um corriqueiro discurso político (do PR, por exemplo) o(a) inefável jornalista de serviço, imediatamente e durante quase outro tanto tempo, comece logo a debitar em sotto voce, como que a explicar aos palermas dos telespectadores, as sábias palavras da mensagem política ouvida. Tudo isto me provoca um inenarrável tédio e uma cansada irritação.
Para não falar da multidão de comentadores minorcas que pululam por aí e que glosam dias e dias, interminavelmente, aquilo que vai acontecendo (política, futebol...) numa linguagem de pau seco e num eco de plágio sistemático que, mesmo muito espremido, não traz sequer uma ideia nova ou uma única achega original. Será que isto nunca mais muda? Será que esta gente não tem um mínimo de sentido crítico?

domingo, 19 de julho de 2015

Manhã de domingo, com Maigret


A duas ou três páginas do fim da leitura do livro de Simenon, na varanda a leste, uma das minhas três rolas, vizinhas e outrabandistas, descreve um voo elegante, helicoidal, até pousar na antena de televisão mais alta das redondezas. Lá terá ficado uns bons cinco minutos. O calor, entretanto, ia subindo na manhã.
É um medo misterioso, o do título do romance de Simenon, que Maigret confessa, por mais de uma vez, mas que nunca chega a adjectivar. Não é físico, mais parece abstracto. Vago. Mas chega para pairar sobre essa manhã, passada na província, depois do acordar tranquilo, quase onírico, de Maigret:

"Ao tomar consciência de que era domingo, pôs-se a preguiçar. Já antes jogara a uma brincadeira secreta de infância. Ainda lhe acontecia jogá-la, deitado ao lado da mulher, tomando cuidado para nada deixar transparecer. E ela deixava-se enganar e perguntava, ao trazer-lhe o café:
- Com que é que sonhavas?
- Porquê?
- Sorrias como um anjo.
Nessa manhã, em Fontenay, antes de abrir os olhos, sentiu um raio de sol que lhe atravessava as pálpebras.
Entregou-se à sensação. Tinha a impressão de o ver através da fina pele que o picava e, indubitavelmente por causa do sangue que nele circulava, era um sol mais vermelho que o do céu, glorioso, como o que paira sobre as imagens.
Podia criar um mundo inteiro com este sol, milhares de faíscas, vulcões, cascatas de ouro fundido. Bastava-lhe mexer levemente as pálpebras como num caleidoscópio, sevindo-se das pestanas como grade.
Ouviu os pombos que arrulhavam num beiral por cima da sua janela, em seguida dois sinos soaram em dois lugares ao mesmo tempo e imaginou os campanários erguidos na direcção do céu azul. ..."

domingo, 22 de março de 2015

Osmose (51)


Aos Domingos, os blogues acordam mais tarde, fazem-se esperar, normalmente, abandonam-se à morna atmosfera dos quartos interiores. Bocejam ainda às primeiras palavras se, premeditados, não agendaram, atempadamente, um poste inócuo ou desinteressante, para pequeno almoço de visitas temporãs.
Os visitantes, porém, comungam também da mesma lassidão matinal, que nem a Primavera desiberna ou atiça, de forma flagrante. Porque o Domingo há-de ser sempre mais subjectivo, doméstico, mesmo que exterior. Camaleónico nos gestos ou, ironicamente, inútil, contra a utilidade dos outros dias. Ditos úteis.
Está dito.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Dias e sabores


Bem se afanam os comentadores de vinhos e outros produtos naturais em tentar, surreal e caricatamente, classificá-los poeticamente, enquanto os especialistas afirmam que o ser humano só tem possibilidade de sentir quatro sabores básicos: doce, amargo, insosso e salgado. Ao que parece, haverá um quinto sabor, de origem japonesa, que aguça o apetite, mas de que eu não me lembro do nome. E é tudo.
Há sinais e sintomas que marcam os dias. Se os dias úteis nada têm que os distingam, salvo algum acontecimento fortuito que possa vir a acontecer e a marcá-lo na memória, já o domingo é reconhecível, logo ao acordar: há, quase sempre, mais silêncio em volta. E se eu fizer uma retrospectiva memorial, há, pelo menos, quatro pontos característicos nesses meus domingos provinciais: a manhã, que era um tempo espiritual, a carne assada e o leite-creme, ao almoço, o futebol e a reunião alargada de família, durante a tarde dominical.
Hoje, porém, este dia útil de segunda-feira, soalheiro, tem, por razões diversas, um sabor marcante e diferente. Porque o Verão quase parece ter voltado. E, por causas distintas, também regressou a esperança em melhores dias.