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terça-feira, 19 de março de 2024

Uma boa notícia



Depois do erro grosseiro de um qualquer funcionário de Cultura (?) português, que permitiu que um quadro maior de Domingos Sequeira (1768-1837) fosse levado para o estrangeiro, para ser vendido, é uma boa nova saber-se que a Fundação Lello tivesse comprado a obra e a venha a depositar num museu nacional, talvez no Norte, para a expor e ser vista pelos portugueses. Nem sempre as histórias acabam mal...

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Baixelas



Há duas baixelas de prata e de mesa importantes, que eu conheço, e que estão relacionadas com Portugal. A primeira foi encomendada por D. José I, pouco após o Terramoto, em 1756, para compensar as enormes perdas da corte, a nível doméstico. Sumptuosa, é constituída por mais de mil peças e o pedido foi dirigido ao conhecido e reputado ourives francês François-Thomas Germain (1726-1791). A baixela em prata dourada veio a ser estreada em 13/5/1777, na aclamação da rainha D. Maria I. E guarda-se, habitualmente, no MNAA.



Em Agosto de 1973, ao visitar o Museu Wellington, em Londres, tive uma agradável surpresa. Na Apsley House, estava exposta a chamada Baixela da Vitória, que fora oferecida, pelos portugueses a Arthur Wellesley (1761-1852) pela grande ajuda do general na derrota das tropas napoleónicas. Constituída por cerca de 100 peças, tinha no entanto uma grande elegância e, enquanto foi vivo Wellington - que gostava muito dela -, sempre a usou nos grandes banquetes que deu no seu palacete.
Só vim a saber mais tarde que o desenho da Baixela da Victória fora feito e projectado pelo pintor português Domingos Sequeira (1768-1937) e a obra final fora executada apenas por ourives nacionais.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Glosa (16)


Um nevoeiro branco, mas opaco, toma conta do rio na manhã dominical. O Sol é um halo pressentido que transfigura a paisagem como nalgumas telas de Sequeira. É aí que me vem à colação um poema de Fernando Echevarría (1929):

Inverno de nevoeiro.
O pulso nele faz frio
e purga-lhe o pensamento,
de repente tão antigo.
A espuma sobe por dentro
desse relógio marítimo
cuja cota conta o tempo
da língua a colher o ofício
e a música. O silêncio
sossega à beira do ritmo.
Irá nevar? Nos pinheiros
a densidão do moliço
pensa pássaros de inverno,
imóveis, pois luz e ninhos

apenumbram a penugem
da língua que toma conta
de se enrodilharem nuvens
no vulto denso da copa.

A poesia de Echevarría quase nos conta uma história. Se a quisermos ouvir (ler) com minuciosa atenção. Sinestesias discretas irradiam dos seus versos. Acompanham e mimetizam a paisagem. Pensam-na por dentro.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Uma louvável iniciativa (43)


Uma das obras mais emblemáticas de António Domingos Sequeira (1768-1837), A Adoração dos Magos (1828), proveniente da Casa Palmela, encontra-se à venda, por 600.000 euros. A sua integração no acervo do MNAA, engrandeceria significativamente o património nacional.
Em boa hora, o director do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, decidiu promover uma campanha mecenática nacional, durante 6 meses, para conseguir reunir o montante necessário para aquisição da obra. Todos os portugueses, com alguns meios, estão convocados!
Nós já contribuimos.

em geminação com MR, no seu Prosimetron.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Pinacoteca Pessoal 90


O motivo, fantasioso, foi a lenda que terá tido origem nos monges de Santa Cruz (Coimbra), para glorificarem D. Afonso Henriques. Que, se a batalha de Ourique existiu, é altamente duvidoso que Cristo, na ocasião, tenha aparecido ao nosso primeiro rei. Mas foram precisos muitos anos, até a palavra forte e honrada de Alexandre Herculano vir desmontar a fantasia hagiográfica do chamado milagre de Ourique.
O quadro homónimo, de Domingos Sequeira (1768-1837), foi pintado antes, entre 1791 e 1794, segundo Maria de Lourdes Riobom, e foi para o Brasil, com a família real portuguesa que fugia à invasão dos exércitos napoleónicos, no início de oitocentos. A pintura andou perdida, como se perdeu (para sempre?) "A morte de Camões", de Domingos Sequeira.
Já no século XXI - creio - este "Milagre de Ourique" (em imagem) foi redescoberto, identificado e localizado no Museu Louis-Philippe, de Eu (Normandia). Teria pertencido (dote?) a  Isabel de Orleans e Bragança (1911-2003), neta do imperador Pedro II do Brasil, que casou, em 1931, com Henrique, conde de Paris, pretendente ao trono de França.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Favoritos LXXXVIII : Sequeira


Passa hoje mais um aniversário sobre o nascimento de Domingos Sequeira (1768-1837). Dos antigos pintores portugueses, é um dos que mais admiro. E aprecio, especialmente, os dois tipos de tratamento que ele usa, quase sempre: nos temas religiosos, a fantasmática e imprecisa luminosidade, de contornos esbatidos; nos retratos humanos, a nitidez realista e o traço bem definido.
Lembro-o através do Auto-retrato (1820-27), que pertence ao acervo do MNAA.

domingo, 10 de março de 2013

Lembrar Sequeira


Domingos António Sequeira nasceu, precisamente, há 245 anos, em Belém (Lisboa), a 10 de Março.
O quadro, em imagem, que se guarda no MNAA, sendo dos menos conhecidos do Pintor, foi pintado em 1809 e tem uma história curiosa. Retrata o grande amigo João Baptista Verde e sua irmã, Mariana Benedita Vitória, que viria a casar com Sequeira. Ao fundo, do lado esquerdo, há um auto-retrato do artista.
Domingos Sequeira, após a derrota dos franceses, foi preso, acusado de colaboracionista. E o amigo Verde nunca o abandonou, e até o defendeu das acusações. A pintura é, por isso, também, o testemunho da gratidão e amizade que sempre os uniu.

Obsv.: não sei se João Baptista Verde pertenceria, ainda, à família ascendente do poeta Cesário Verde.

sábado, 23 de junho de 2012

Luz


Quando começo a ouvir sussurros de novas (?) austeridades (Quosque tandem, Catilina, abutere patientia nostra?), a única coisa que ainda me consola é esta luz portuguesa, tão singular e tão bela, que nos é dada. E que me permite poder ler, em Junho, depois das 9 da noite, na varanda - já o sol vai quebrado.
E, no entanto, tão pouco falamos dela!... Teixeira Gomes tem páginas, por ela, iluminadas, mais a sul; Sequeira teve fulgurações dela, nos seus quadros e Vieira da Silva, longe, tentou recuperá-la, por saudade, decerto. Pouco mais... Sejamos justos: o azul de Maluda tem, também, essa luz lisboeta. E Eugénio fala dela como, só ele, podia falar: "...e a luz / impura, até doer."

domingo, 11 de março de 2012

Mera coincidência


A pintura, em imagem, centraliza a coincidência de uma data, no mês de Março, mas em anos diferentes.
O quadro, existente no Palácio de Queluz, foi executado por Domingos António Sequeira (1768-1837), pintor português que nasceu a 10 de Março.
A figura representada é D. João VI, e a tela intitula-se " O Príncipe Regente passando revista às tropas na Azambuja". O rei morreu, também, a 10 de Março. Mas no ano de 1826.
[2ª Via de 10/3/12]

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Portuguesas no século XVIII


Mais uma vez usando o pitoresco das observações contidas na "Relação do Reino de Portugal - 1701", de Thomas Cox/Cox Macro, editado pela BNP, em 2007, se transcrevem as notas sobre as mulheres portuguesas da época:
"...As Mulheres são geralmente pequenas e muito bonitas, excedendo a maior parte das mulheres da Europa. Mas assim que atingem a perfeição, decaem rapidamente e não restam vestígios dos seus anteriores encantos; atribuo duas razões a isto: em primeiro lugar, o seu uso excessivo de Pinturas e Loções compostas de preparados de Mercúrio que lhes endurecem e enrugam a Pele; e andam sempre com Leites e Feltros nos bolsos, e, quando a ocasião assim o exige, usam-nos mesmo em público, na rua e nas Igrejas. Outra razão é a sua prática excessiva de Lascívia; pois não existe outro sítio na Europa onde as mulheres sejam tão libidinosas, nem mais livres nos favores que dispensam. Começam a ter Filhos entre os doze e os treze anos, e aos vinte seis, vinte sete não têm mais." 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Os vencidos de deus

Houve uma parte de uma geração de intelectuais portugueses em cuja obra a fractura, ruptura ou, na prática, uma auto-marginalização do mundo religioso (catolicismo) é visível, mais ou menos, como ambiente de fundo, nos seus trabalhos e nos seus dias. Umas vezes, numa perspectiva trágica (Nuno   Bragança, Ruy Cinatti), outras vezes, por uma ironia irreverente (Alexandre O'Neill) ou apenas tímida (Alçada Baptista). E, depois, os que convalesceram bem dessa "mancha de pulmão" indelével (Bénard da Costa e Pedro Tamen) e que, da margem, se reintegraram, razoavelmente ( e digo-o sem ironia, nem pejorativamente), no sistema laico. Haveria mais nomes mas, dos que referi, apenas o último é ainda vivo e sobrevivente dessa fé perdida que não encontrou guarida em nenhuma outra hospedaria, como, por exemplo, Nuno Bragança que se transferiu para a luta armada activa (contra o antigo Regime).
O percurso de Ruy Cinatti é, talvez, um dos mais dramáticos, dolorosos e trágicos. Que passa pelos rituais animistas timorenses, em que chega a ser iniciado, até vir desembocar nas trevas e desagregação gradual, em finais dos anos 70 do século passado. É dele, o poema que se segue, integrado no "Livro do Nómada meu Amigo", de 1958.
Meditação
Tudo imaterial na praia rasa
Cheia de sol, ao fim da tarde.
Proa ao vento quebrada,
A vaga, entre rochedos, se ilumina.
É tudo imaterial, tudo neblina
Ténue que aos poucos arde,
Ao fim da tarde se desfaz, flutua,
E voo de ave desliza
Ao longe linha pura.
Tudo imaterial na praia rasa.
Aqui ninguém me vê: amo a ternura.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Favoritos XII : Domingos Sequeira



Domingos António de Sequeira, pintor português, nasceu em 10 de Março de 1768. Reproduz-se o quadro que fez de sua filha, Mariana.