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sábado, 2 de novembro de 2024

Mercearias Finas 204

 

Já as temperaturas convidam a pratos mais substanciais e, por isso, pedimos, ao almoço, uma Dobrada, que estava muito boa. E também os tintos vão ganhando aos brancos, na corrida...
Mas são as doçarias pré-natal que mais se manifestam, como pode ver-se pela imagem. E as broas castelar, já provadas, pelo recente fabrico e frescura, convidam e já se recomendam.



Quanto a sobremesas, só faltam por aqui os diospiros...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Borborigmos, ou a Dobrada em Poesia


Ninguém, conhecedor de Poesia, esquecerá a queixa de Pessoa, num poema, por lhe terem servido, e mal, Dobrada fria. Mas também Alexandre O'Neill (1924-1986) se queixou, no poema As Voltas da Poesia, dos borborigmos resultantes da sua difícil digestão. Aqui vai o poema, para que conste:

Borborigmo a expensas da dobrada.
Para uns, é alma alanceada;
para outros, quilo tão ronceiro
que lhes dá resmoneio o dia inteiro,
a conversa visceral fiada
que os versos são, primeiro.

Em qualquer dos casos, venham mas é versos,
bem tirados, acabados, tersos,
que a dobrada, essa, se por lá traquina,
é para coisa que se veja, chula ou fina.

Alexandre O'Neill, in Feira Cabisbaixa (1965).


quinta-feira, 1 de março de 2012

Pessoana e lisboeta


Procurei-os, em vão, aos patos selvagens sobre o rio. Mas as nuvens carregadas, que depois deram em chuva, devem tê-los afastado para longe. Mesmo as gaivotas eram escassas e fugidias sobre as águas escuras.
O travo da dessaborida dobrada vinha-me ainda no gosto desencantado, ao começo da tarde. Reforçada que fora, por nós, com sal e pimenta, nada adiantou à confecção desajeitada da cozinha. Ainda perguntei se a cozinheira estava de folga ou férias, mas não me souberam responder. Vinha, ao menos, quente, como recomendava o Eng. Álvaro de Campos: "...Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria."
O Cais do Sodré estava mais conforme ao "ano da morte de Ricardo Reis", com a chuva desalmada caindo. E, no Chiado global, começaram a surgir, não se sabe donde mas como sempre, os oportunos indianos e paquistaneses a vender os pequenos guarda-chuvas extensíveis a cinco euros cada. Devem ter herdado, por trespasse, o negócio dos chineses que, entretanto, se sumiram para as bandas da EDP...