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domingo, 6 de novembro de 2011

Retratos (5) : M. Castrim


Não era alto, mas entroncado e de aspecto sólido. Óculos grossos, botas normalmente, e um sorriso ligeiro e amigável sempre a despontar nos lábios. Sabia ouvir. Nascera em Ílhavo a 31 de Julho de 1920, e eu sempre me dei bem com os nativos de Leão. O Mário (pseudónimo de Manuel Nunes da Fonseca) claudicava de uma das pernas - sequela de uma tuberculose óssea durante a adolescência -, e apoiava-se  numa pequena bengala, ao andar. Conheci-o em 1964 ou 1965. A minha memória obstina-se em situar, alguns dos nossos encontros, no Calhariz, ou porque ele viesse do elevador da Bica, ou porque se tivesse apeado do 28. Mas seriam coincidências a mais... No entanto ele dava aulas na Escola Ferreira Borges, e o local faz algum sentido.
De qualquer forma, percorremos ambos, algumas vezes, a Rua Luz Soriano, até chegarmos ao DL. Depois, com vagar, subíamos as escadas, até à sala do DL-Juvenil. Frequentemente nos cruzamos com o F. Assis Pacheco, a descer. As reuniões eram à segunda-feira, de tarde, e foram muitas vezes encontros angustiosos, porque a Censura tinha cortado quase tudo das provas do "Juvenil", que lhe eram mandadas previamente para o "nihil obstat". E, nestes casos, havia que seleccionar segundas escolhas (textos, poemas...) para que as páginas não ficassem vazias, no dia seguinte. De uma vez, foi um texto meu, inócuo, que foi riscado integralmente pela Censura, só porque tinha, em epígrafe, uma frase (ou verso?) de Sophia Andresen.
O Mário era de uma afabilidade extrema e ninguém o poderia imaginar, se o conhecesse apenas dos textos contundentes e aguerridos, que escrevia no "Diário de Lisboa", de crítica à televisão. No "Juvenil" houve, muitas vezes, reuniões tumultuosas lideradas pelo Nuno Rebocho, que se opunha à sábia moderação do Mário. O Nuno, em tenra juventude, literariamente queria atacar e destruir o regime (Estado Novo) através da poesia. Grande parte dos seus poemas, berrantemente, se intitulavam "Manifesto (I, II, III...)" e, aí, o Mário, paciente, prudente e moderado, procurava conter, racionalmente, a ira adolescente do Rebocho.
Eramos tratados por "amigos", na sua voz bem timbrada, suave e afável, que nunca se alterava. E, na sua justa medida, o Mário era um verdadeiro chefe, na tribo. E foi assim até 1968, quando fui para a tropa.
Ao Mário, foram chegando, primeiro a Alice. Depois, a Catarina e o André. Depois, a morte, em 2002.

domingo, 5 de junho de 2011

Juvenília (11, Addenda) : A Guerra dos 6 dias

O Conflito Israelo-Árabe continua activo. De outra forma, mas com os contornos bélicos que, há 44 anos, se iniciou a chamada Guerra dos 6 dias, entre Israel, o Egipto e a Síria. Eu tinha lido a notícia no jornal da manhã e, à tarde, no autocarro que me levava das Avenidas Novas para os Restauradores, uma lenga-lenga começou a nascer-me na cabeça. Estava viva também a Guerra do Vietname. E, muito mais próxima, a Guerra Portuguesa de África que me dizia respeito, e à minha geração. São coisas que se não esquecem...
Três semanas depois, Mário Castrim achou que o poema Cântico de Paz merecia a honra de figurar na primeira página do DL-Juvenil. Foi assim publicado no jornal, a 27 de Junho de 1967. Mas a Guerra continua... 


sábado, 20 de março de 2010

Duplo Aniversário





Beniamino Gigli (1890-1957), grande cantor italiano, nasceu a 20 de Março.

Alice Vieira (1942), amiga de juventude e do "DL-Juvenil", também nasceu nesta data. Como ela dizia, no seu livro de estreia literária "De Estarmos Vivos" (1962): "(recordar só é bom / quando para lá do silêncio há um pássaro deslumbrado)". Parabéns, Alice!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Eugénio de Andrade : Carta inédita








Apenas uma breve nota. Quando Eugénio de Andrade (1923-2005) escreveu esta carta, revia as provas do volume "Poemas" da Portugália (Colecção Poetas de Hoje, nº23) que veio a sair em Novembro de 1966. Tinha 43 anos. O poema de que ele fala veio a ser publicado por mim no "DL-Juvenil", com o título "Limão". Juan Ramón que ele refere é, obviamente, Juan Ramón Jimenez (1881-1958), prémio Nobel de 1956.


P.S.: Este é o centésimo "post" de Arpose. Quis preenchê-lo com algo de precioso para mim - esta carta inédita manuscrita de Eugénio de Andrade. E, também, para a partilhar e dedicar a Todos os que...