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quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Retratos (31)



O livro Reinado e Ultimos Momentos de D. Pedro V, de José Maria de Andrade Ferreira (1823-1875), teve logo duas (3?) edições no próprio ano da morte (1861) do jovem rei português, talvez pela grande simpatia que o monarca despertava nos seus súbditos. Nele se traçam também alguns aspectos da sua personalidade. Assim:



"El-rei era até affavel. Possuia, como poucos, o dom de se ensinuar de modo que não havia resistir-lhe, tratando sempre com summa cortezia e affabilidade a todos que o procuravam, excogitando os assumptos da conversação que sabia agradarem mais às pessoas com quem fallava, deixando sempre o tom de superioridade, que mais ou menos transpira na urbanidade quasi sempre estudada de quem se acha colocado em posição eminente. (...) Era extremamente delicado no tracto intimo e não poucas vezes lhe acudiam aos labios ditos galantes e chistosos. Não desgostava da satyra engraçada e commedida, e occasiões havia em que, estimulado pela facecia de qualquer dialogo agradavel, o retrucava com alguns epigrammas. Então ria-se mas còrava de subito, e reprimia-se logo, como se quizesse censurar á sua gravidade habitual este natural desafogo do génio motejador. (...) D. Pedro V era muito lido. Conhecia a música a fundo, tocava piano, era notavel na esgrima e desenhava com excessiva facilidade. Do seu lapis facil ficaram muitas caricaturas notáveis pela graça e rapidez do traço. (...) Comia pouco de ordinário e não gostava e até motejava dos desvarios da phantasiada culinaria francesa. (...) Uma coisa singular: D. Pedro V, que era um principe tão methodico em todas as suas coisas, tinha sempre em grande desordem os papeis e livros do seu gabinete d'estudo." (pgas. 23/8)

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Filatelia LXXXV : trabalhos de casa finais


Iniciadas, há cerca de um ano, as lavagens para descolar, a classificação e escolha de uma colecção de selos adquirida em Janeiro de 2013 (poste de 5/2/13), iniciei, hoje, as tarefas finais abrangendo as estampilhas portuguesas do período clássico, insertas no álbum filatélico do século XIX. Porque era a parte que mais me interessava, foi o último trabalho de que me estou a ocupar.
Não haverá, decerto, surpresas nos 63 selos de que estou a tratar. Repintes ou duplas impressões, não as notei. Nem erros ou variantes, mas pode ser que os selos de D. Luís, fita direita (1870-84), quanto ao papel ou denteados tragam alguma novidade inesperada. Ou algum carimbo menos frequente, e que não exista na minha colecção.
Mas chamo a atenção, sobretudo dos filatelistas, para os magníficos 3 exemplares (emissão D. Pedro V, cabelos anelados, de 1856-58) com amplas margens, estado impecável e carimbos bem batidos ( o 109, de Ponte de Lima, por exemplo), que se podem ver na terceira fila da 2ª imagem que encima este poste.

domingo, 8 de maio de 2011

Miguel Lupi


Só depois dos 30 anos, Miguel Ângelo Lupi, nascido a 8 de Maio de 1826, conseguiu ter oportunidade para estudar Pintura, que era a sua vocação natural. Filho de pai italiano e mãe portuguesa, foi em Itália também, através de uma Bolsa, que se pôde aperfeiçoar na sua Arte preferida. Não será muito conhecido, hoje, mas tem obra vasta, é um pintor estimável embora, predominantemente, retratista de figuras importantes do séc. XIX português. E está bem representado no Museu do Chiado, existindo também, no Tribunal de Contas, um retrato de D. Pedro V, de sua autoria. Lupi faleceu em Fevereiro de 1883. Retratou, entre outros, Alfredo Keil, D. Fernando II e o poeta Bulhão Pato. Uma sua neta, Maria Valupi (pseudónimo de Maria Dulce Lupi Cohen Osório de Castro, 1905-1977), poetisa que se correspondeu com Cecília Meireles, era tia, por afinidade, de António Osório (1933). Possivelmente, por isso, o poeta dedicou a Miguel Lupi o poema (do livro "Ignorância da Morte", 1963) que se transcreve a seguir:
Salmo à pasta de desenhos de Miguel Ângelo Lupi
A cor das lágrimas
procuro na tua pasta de desenhos.
Retiro os papéis de seda, pardos já de rola,
por ti dobrados, e toco nas tuas mãos,
escaldam, comovem.
Apenas eu pronuncio esse nome
como teu pai, com nostalgia de Itália, te chamava.
A pintura não tem a cor das lágrimas
nem do exílio ou desaparição,
e à poesia falta a palavra que sobreleve o abismo.

terça-feira, 15 de março de 2011

Camilo : um episódio bibliográfico



É sempre uma diagonal que nos divide. Pode ser Norte/Sul, Benfica/Sporting ou Camilo/Eça. Somos dicotómicos de essência, ou não fosse Portugal do signo dos Peixes (como Camilo, aliás) - mas isto são metafísicas baratas e irracionais, e é melhor começar (e repetir) pelo que o geógrafo Estrabão dizia: "Os Lusitanos são um povo que não se governa, nem se deixa governar".
Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de Março de 1825, e veio a suicidar-se em Junho de 1890. Dos seus livros, a peça bibliográfica talvez mais rara é "A Infanta Capelista", mas também aquela que tem a história mais enigmática. Em 1872, Camilo mandou destruir as folhas, já impressas, desta sua novela. Não se sabe ao certo se a decisão do romancista se deve a um pedido de D. Pedro II, imperador do Brasil, ou se a alguma interferência de D. Pedro V, que terá visitado Camilo Castelo Branco, quando o escritor esteve preso, no Porto. O enredo da novela, ao que parece, ampliava um escândalo que chamuscava a sereníssima Casa de Bragança, na época.
Acidentalmente, as folhas impressas e desconjuntadas foram parar a um merceeiro da Rua de Santo António, na cidade Invicta, que começou a utilizá-las para embrulhar vitualhas para os seus fregueses. Alguns deles, talvez leitores de Camilo ou bibliófilos, repararam e começaram a agrupá-las. O que permitiu completar alguns, raríssimos, exemplares da obra camiliana.
Pragmaticamente, e alguns meses depois, e ainda no ano de 1872, Camilo Castelo Branco fez publicar, via o editor Ernesto Chardron, uma versão soft de "A Infanta Capelista", sob um novo título: "O Carrasco de Vítor Hugo José Alves". E que seria muito mais benevolente para com a sereníssima Casa...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Filatelia XVI : Precursores


Chamam-se "Precursores" aos selos clássicos portugueses do Continente que tiveram curso nas Ilhas Adjacentes (Açores e Madeira), antes das ilhas terem selos próprios. O que só aconteceu a 1 de Janeiro de 1868, com a emissão de D. Luís, fita direita, não denteada, e a aposição, sobre selos do Continente, das sobrecargas: Açores ou Madeira. De 1853 a 1867, os precursores podem identificar-se, do ponto de vista da sua origem, apenas através dos carimbos numéricos que foram batidos sobre os selos. Respectivamente, assim:
48 - Angra do Heroísmo (Açores);
49 - Horta (Açores);
50 - Ponta Delgada (Açores);
51 - Funchal (Ilha da Madeira).
Em imagem, alguns percursores das emissões de D. Maria II, D. Pedro V e D. Luís.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Filatelia XIII : selos clássicos falsificados


Desde cedo que os selos clássicos portugueses mereceram a atenção dos falsificadores. Os internacionais mais conhecidos foram Sperati e Fournier, mas este último apenas reproduziu selos tipo Coroa para as colónias portuguesas. Que se distinguem, entre outros pormenores, pelas muito mais largas margens entre a moldura do desenho no selo e o denteado.
Por vezes, os carimbos eram também falsificados. É o caso dos dois selos, na 1ª linha da imagem, falsificados de D. Maria II ( de 5 e 50 reis), de impressão e reprodução grosseiras. Destes e do selo de D. Pedro V (2ª linha) não se conhecem os autores falsários.
Na 3ª linha da imagem podem ver-se três falsificações Fournier, do tipo Coroa, e da ex-colónia de S. Tomé e Príncipe, cuja reprodução, sendo boa, se denuncia pelas margens muito maiores do que as dos selos originais.
P. S.: para ms.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Filatelia III : D. Pedro V


D. Pedro V nasceu a 16 de Setembro de 1837. Reinou de Setembro de 1855 até Novembro de 1861. Achei, por isso, ajustado reproduzir alguns dos selos que circularam no seu curto reinado.
Na primeira fila, ao alto, mostram-se duas reimpressões de 1885. Na fila central, um selo falso de 50 réis, com as explicações em alemão.