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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Pinacoteca Pessoal 90


O motivo, fantasioso, foi a lenda que terá tido origem nos monges de Santa Cruz (Coimbra), para glorificarem D. Afonso Henriques. Que, se a batalha de Ourique existiu, é altamente duvidoso que Cristo, na ocasião, tenha aparecido ao nosso primeiro rei. Mas foram precisos muitos anos, até a palavra forte e honrada de Alexandre Herculano vir desmontar a fantasia hagiográfica do chamado milagre de Ourique.
O quadro homónimo, de Domingos Sequeira (1768-1837), foi pintado antes, entre 1791 e 1794, segundo Maria de Lourdes Riobom, e foi para o Brasil, com a família real portuguesa que fugia à invasão dos exércitos napoleónicos, no início de oitocentos. A pintura andou perdida, como se perdeu (para sempre?) "A morte de Camões", de Domingos Sequeira.
Já no século XXI - creio - este "Milagre de Ourique" (em imagem) foi redescoberto, identificado e localizado no Museu Louis-Philippe, de Eu (Normandia). Teria pertencido (dote?) a  Isabel de Orleans e Bragança (1911-2003), neta do imperador Pedro II do Brasil, que casou, em 1931, com Henrique, conde de Paris, pretendente ao trono de França.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Camilo, para manter o pé e lembrar a língua...

Fui lendo e lá acabei "O Carrasco de Vítor Hugo José Alves", refundido de "A Infanta Capelista", que Camilo Castelo Branco mandou destruir, talvez a pedido de D. Pedro II, do Brasil. Porque o romance inicial beliscava, e muito, a casa de Braganca. Nem será das melhores obras de Camilo, mas consegue ler-se bem. E aqui vai uma interessante tirada camiliana:
"...Amor espasmódico, amor macabro, amor epiléptico. Há destas tres castas de amor na zona luminosa da mulher peregrina. O espasmódico é o contemplativo; o macabro é o que salta e se estorce nas vascas voluptuosas do deleite; o epiléptico é o que escabuja debaixo da garra da perfídia. Há uma quarta espécie de amor, do qual ninguém faz livros porque é a mais analfabeta: é o amor de mercearia, o amor sebáceo e rúbido como o buril antigo o imortalizou nas cascatas, e no coracao de nossas avós. Encontra-se esta relíquia dos tempos honestos no terceiro andar das famílias cujos chefes labutaram nas suas tendas. Está sentado na travesseirinha do leito nupcial, brincando com os folhos e borlas azúis da almofada. Resfolega, por bochechas de cravelina, frouxos de riso à esposa, quando ela, depois da ceia, desaperta os nastros da ceroula conjugal, enquanto ele encarapuca o marido no barrete de dormir. Nao temos que entender com algum desses amores nesta crónica, exceptuando o primeiro, o espasmódico. Nem Stendhal criou adjectivo tanto ao ponto. Deixemo-nos de cristalizacoes. Espasmos, macabrismos e epilepsias - é o que há. Mais nada.

Nota: que os meus bons Amigos e Seguidores se vao habituando a por o til, a cedilha e o acento circunflexo, onde eu, infelizmente daqui, os nao consigo por...

terça-feira, 15 de março de 2011

Camilo : um episódio bibliográfico



É sempre uma diagonal que nos divide. Pode ser Norte/Sul, Benfica/Sporting ou Camilo/Eça. Somos dicotómicos de essência, ou não fosse Portugal do signo dos Peixes (como Camilo, aliás) - mas isto são metafísicas baratas e irracionais, e é melhor começar (e repetir) pelo que o geógrafo Estrabão dizia: "Os Lusitanos são um povo que não se governa, nem se deixa governar".
Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de Março de 1825, e veio a suicidar-se em Junho de 1890. Dos seus livros, a peça bibliográfica talvez mais rara é "A Infanta Capelista", mas também aquela que tem a história mais enigmática. Em 1872, Camilo mandou destruir as folhas, já impressas, desta sua novela. Não se sabe ao certo se a decisão do romancista se deve a um pedido de D. Pedro II, imperador do Brasil, ou se a alguma interferência de D. Pedro V, que terá visitado Camilo Castelo Branco, quando o escritor esteve preso, no Porto. O enredo da novela, ao que parece, ampliava um escândalo que chamuscava a sereníssima Casa de Bragança, na época.
Acidentalmente, as folhas impressas e desconjuntadas foram parar a um merceeiro da Rua de Santo António, na cidade Invicta, que começou a utilizá-las para embrulhar vitualhas para os seus fregueses. Alguns deles, talvez leitores de Camilo ou bibliófilos, repararam e começaram a agrupá-las. O que permitiu completar alguns, raríssimos, exemplares da obra camiliana.
Pragmaticamente, e alguns meses depois, e ainda no ano de 1872, Camilo Castelo Branco fez publicar, via o editor Ernesto Chardron, uma versão soft de "A Infanta Capelista", sob um novo título: "O Carrasco de Vítor Hugo José Alves". E que seria muito mais benevolente para com a sereníssima Casa...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Filatelia XI : Efemérides (2)


1. Os primeiros três selos, do séc. XIX e do Brasil, na imagem, representam o Imperador D. Pedro II que nasceu a 2 de Dezembro de 1825. Governou até 1889, quando foi destronado pela instauração da República brasileira. Veio a falecer, em Paris, em Dezembro de 1891.

2. Wilhelm Heinrich Otto Dix, pintor expressionista, representado pelos selos alemães da imagem, nasceu a 2 de Dezembro de 1891. Pelas suas intervenções artísticas e políticas, alguns dos seus quadros vieram a ser destruídos pelos nazis. Otto Dix morreu em Julho de 1969.

sábado, 10 de abril de 2010

Bibliofilia 13 : Correia Garção




Pedro António Correia Garção (1724-1772) foi um dos elementos mais dinâmicos da Arcádia Lusitana, mas a sua obra (incompleta) impressa só veio a sair, postumamente, graças ao cuidado do filho, em 1778. Pouco mais de um século depois, em 1888, J. A. de Azevedo Castro fez editar na Typographia dos Irmãos Centenari as "Obras Poéticas e Oratórias de P. A. Correia Garção", com um estudo importante, inéditos, e dedicatória a D. Pedro II, Imperador do Brasil. A edição, de grande apuro gráfico e estético, não é muito frequente aparecer à venda.
O meu exemplar, encadernado e em perfeito estado de conservação, foi comprado em Dezembro de 1989, por Esc. 8.332$50 (cca. euros 41,00), no leilão Silva's/ Pedro Azevedo (lote 311). Em Novembro de 1991, um exemplar brochado, foi vendido num leilão de José Manuel Rodrigues, por Esc. 14.800$00. Mas pouco depois, em Janeiro de 1992, num leilão de Luís Burnay (Livraria D. Pedro V), um exemplar semelhante foi arrematado por Esc. 6.500$00, ou seja, euros 32,50. Também há flutuações, como na Bolsa de Lisboa...