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terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Mais uma pérola de cultura jornalística



A brilhante notícia vem no jornal Público de hoje, sob os nomes (jornalistas?) de Gustavo Zeitel e Carolina Mendes, mas também aparece no online do Observador. A informação reporta-se aos desmandos dos manifestantes que invadiram o Palácio do Planato, em Brasília, danificando, de forma irremediável nalguns casos,  património nacional brasileiro, nomeadamente um relógio que pertencera a D. João VI (1767-1826).
Só que o texto refere que este relógio fora oferecido ao rei português pelo monarca francês Luís XIV (1638-1715).
É aquilo que se poderia chamar um regresso ao futuro, pela bacoquice destes plumitivos de meia tijela...

terça-feira, 30 de abril de 2019

Do que fui lendo por aí... 27


"... um passeio no Bois (Paris) para despertar os músculos das noitadas de requinte onde o Jacinto tem brilhado de cabelos brancos apesar de não compreender o Picasso de Versailles para num passeio histórico ver os frangos bezuntados de Luiz XIV e o cheiro..."

Ruben A., in Páginas III (Coimbra Editora, 1956).

Nota pessoal: a torrencial capacidade de associação da escrita de Ruben A. (1920-1975) não deixa de registar inúmeros pormenores. Alguns saborosos, como este dos pequenos frangos, muito apreciados por Luis XIV, que os comia à mão, dispensando o garfo. Predecessor do nosso D. João VI que raramente saía sem levar as algibeiras atafulhadas de frangaínhos assados para seu sustento, durante as excursões...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

3 reis e 1 consorte, vistos por um monárquico


Como se sabe, Ramalho Ortigão (1836-1915) foi um monárquico convicto, até ao fim dos seus dias. Mas esse facto nunca o impediu de usar de humor e sentido crítico em relação aos reis portugueses. Em "Perfis e Costumes", Ramalho faz uma apreciação bem disposta sobre 4 representantes da Monarquia portuguesa, assim:
"...D. Pedro fôra um bravo militar, que - como ele próprio escrevia ao marquês de Resende - nos constitucionalizou à força: Sois mon frère ou je te tue.
D. Miguel foi um rei-esbirro, assim como o irmão foi um rei-soldado; acamaradava a dois caceteiros, o José da Polícia e o João Sedvém, êle tinha êste ideal fixo: organizar uma boa sociedade exclusivamente composta de frades e de toureiros, e rachar o resto à bordoada.
D. João VI era um príncipe feito de lombo de porco e marmelada, - um ventre sempre cheio, quási sempre constipado, constantemente polvilhado de rapé e enformado nuns calções sujos.
Enfim Malherbe veio. Chegou o Senhor D. Fernando (Augusto Francisco António).
Um pouco menos rei que os seus predecessores, rei apenas por afinidade, esta circunstância tornava-o simpático. ..."

para MR, em jeito de geminação, por ter falado da morte de D. Pedro IV, no Prosimetron.

domingo, 11 de março de 2012

Mera coincidência


A pintura, em imagem, centraliza a coincidência de uma data, no mês de Março, mas em anos diferentes.
O quadro, existente no Palácio de Queluz, foi executado por Domingos António Sequeira (1768-1837), pintor português que nasceu a 10 de Março.
A figura representada é D. João VI, e a tela intitula-se " O Príncipe Regente passando revista às tropas na Azambuja". O rei morreu, também, a 10 de Março. Mas no ano de 1826.
[2ª Via de 10/3/12]

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Saída Real para o Brasil


Os últimos tempos têm sido propícios e pródigos a reavaliações de algumas personagens históricas cujo papel, de uma forma geral, não era considerado positivo para o País. Refiro-me ao público português anónimo, e não à área científica que se ocupa da História.
Uma das figuras pouco apreciadas era D. João VI. Passava por um rei timorato, indolente, guloso, pouco disposto a tomar decisões ou iniciativas. E que se submetia, muitas vezes, à vontade da consorte espanhola, Carlota Joaquina.
A 27 de Novembro de 1807, a Família Real embarcou para o Brasil, fugindo ao avanço do general Junot, e para manter, teoricamente, a soberania portuguesa livre e intacta, juridicamente, da submissão napoleónica. Esta atitude era considerada ambígua, por parte de D. João VI.
Hoje, porém, esta iniciativa de conservar inteira a imagem do Poder é, pragmaticamente, considerada correcta. Mesmo depois, e ainda hoje, o recuo do poder representativo, para se manter a salvo de constrangimentos espúrios ou estrangeiros, é sempre considerado como hipótese previsível. Na época do Estado Novo, o recuo seria para os Açores. E, no tempo de Marcelo Caetano, a primeira étapa de refúgio era a base aérea de Monsanto.
Por isso, a partida da Família Real para o Brasil, em 27 de Novembro de 1807, é hoje , consensualmente, aceite como uma medida acertada. Muito embora se possa discutir a excessiva demora da Corte nas terras de Vera Cruz, uma vez que o regresso à Metrópole só se verificou em 1821. Seja como for, a estadia de D. João VI foi, pelo menos, bem útil para o futuro do Brasil.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Memória 44 : Biblioteca Nacional do Brasil



A Biblioteca Nacional do Brasil foi composta, no seu acervo inicial, pelos livros que D. João VI levara com ele, da biblioteca real portuguesa, para as terras de Vera Cruz. Alguns desses livros regressaram, depois, para Portugal, outros lá ficariam para sempre. A 29 de Outubro de 1810, por decreto de D. João VI, foi criada a Biblioteca do Brasil. Celebra-se, hoje, o seu bicentenário, portanto.