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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Bibliofilia 227

 


Não será rara nem cara esta obrinha de 48 páginas, em imagem acima, pois se trata de uma impressão  facsimilada de uma edição de 1918 (tiragem de 100 exemplares), que Edgar Prestage promoveu, tendo por base o original Craesbeekiano de 1658, dedicado à rainha D. Luisa de Gusmão (1613-1666).
Este meu exemplar é de 1940, integrado na colecção dos centenários da Restauração, que hoje se comemora, e foi organizado pelo prof. M. Lopes d'Almeida (Coimbra), mais tarde ministro da Educação.
Do texto se diz que terá sido ditado por João Rodrigues de Sá e Menezes (1619-1658), 3º conde de Penaguião, ao Padre Vicente de Guzman Soarez (1606-1675), que, por sua vez, o escreveu. E bem.



domingo, 14 de dezembro de 2014

D. João IV : "Crux Fidelis"


Mais um retrato em palavras


Acolhendo a perspectiva do historiador Rebelo da Silva (1822-1871), e fazendo fé no retrato, aqui se transcrevem os traços de D. João IV (1604-1656), o restaurador:

"De estatura mediana, bem proporcionado de corpo e até gentil de rosto antes da enfermidade das bexigas, mas grosso, vigoroso, e pouco esbelto, ninguém procurando ler-lhe o futuro na expressão dos olhos azues tão alegres, e no semblante desanuviado e risonho, se atreveria a vaticinar, mesmo um anno antes, que aquelle principe de cabello quasi loiro e barba ainda mais clara, assim modesto nos trajos, e avesso na apparencia a todos os negocios publicos, quasi sempre irresoluto, havia de arrancar subitamente a mascara, e apparecer diverso em tudo do que fôra, e do que se cuidava que era. Pouco estudioso, e de lettras muito superficiaes, repartia os dias entre os exercicios venatorios, a administração de suas vastas propriedades e a musica religiosa, de que sempre se mostrou apaixonado, e a que applicava duas horas, desde as cinco até ás sete da manhã. Depois de jantar, em vez da sésta, divertia-se provando as peças que haviam de ser cantadas na capella ducal, ou compondo algumas obras em defeza da arte. Na intimidade apparecia menos concentrado e menos frio, e na conversação denunciava juizo claro e pratico, grande penetração e muita agudeza natural. Prompto e por vezes sentencioso nos ditos e respostas, se não empregava palavras cultas e phrases esmeradas, escrevia e fallava com certa graça, e os despachos de sua mão mereceram varias vezes applauso por discretos. Á mesa demorava-se de mais. Parco na bebida, e frugal quanto á delicadeza das iguarias, absorvia enormes quantidades de alimento, arruinando a saude e apressando a morte. Nos vestidos usava extrema singeleza, repetindo com frequencia aos que lhe estranhavam o desprezo das pompas: «Que todo o alimento sustentava, que todo o fato cobria.»"


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Idiotismos 17


A fazer fé em Alexandre de Carvalho Costa apud Joaquim António Nunes (Imagens de Lisboa, 1976), a expressão popular dar vivas à Cristina reporta-se mesmo à rainha Cristina da Suécia (1626-1689) e tem mais de 3 séculos e meio. Tendo tido origem em Lisboa, no ano de 1651, reinava D. João IV.
Acontece que Portugal, na altura, estava isolado politicamente na Europa e a braços com a Guerra da Restauração contra Espanha, sem aliados notórios. No meio deste abandono, o diplomata Francisco de Sousa Coutinho, na corte sueca, e através do chanceler Axel Oxenstierna, consegue assinar um tratado de amizade e colaboração comercial entre a Suécia e Portugal. O tratado reconhecia, tacitamente, também, os direitos de Portugal à Independência.
A notícia terá sido recebida com júbilo, em Lisboa, e D. João IV, em sinal de reconhecimento, mandou que se dessem salvas de artilharia e que, junto da casa do embaixador sueco Lourenço Skytte, se fizessem  manifestações de gratidão e alegria. O povo, em grande multidão, correspondeu e houve foguetório, dança e folguedos junto da Embaixada da Suécia. E, pela primeira vez, se deram vivas à Cristina...
Hoje, a expressão terá um significado mais comedido e laico, valendo por dar largas à sua alegria e regozijo.

sábado, 9 de abril de 2011

Pequenas histórias da História


1. Filipe III, ao receber o duque de Bragança, D. Teodósio, pai de D. João IV, disse-lhe que pedisse alguma coisa. Ao que o duque respondeu: " - Os avós de V. Magestade e os meus deram tanto à minha casa que a desobrigaram de pedir."

2. Um castelhano, que foi negociar para Goa, perguntou que tipo de homem era Afonso de Albuquerque. Logo um soldado português o informou: " - Quem é?! É um homem que vos saberá comprar, mas que não vos sabe vender."

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Bibliofilia 1: "Ramalhete..."





Este Opúsculo, impresso em 1642, na "Officina de Domingos Lopes Rosa. A custa d'Autora.", é da autoria de Mariana de Luna de que se sabe ter sido filha de um lente da Universidade de Coimbra, cidade onde terá nascido, e "ser inclinada à poesia".
O opúsculo é considerado "raríssimo" por Inocêncio (vol. VI, pág. 146). No leilão Nepomuceno havia 1 exemplar; outro pertencia à biblioteca do Conde de Sabugosa. A Livraria Coelho (Lisboa), em Outubro de 1932, vendia  um (lote 164) por Esc. 300$00. No catálogo da biblioteca de F. Palha é descrito um exemplar que está hoje em Harvard. A Biblioteca de Vila Viçosa tem também este opúsculo. Em 1992, a Livraria D. Pedro V, vendeu um exemplar completo (lote 545) por Esc. 16.000$00 (ca. 80 euros) e referia, na descrição, que Mariana de Luna (...) foi segunda mulher de Diogo Soares, ministro do governo espanhol, tendo vivido em Madrid...".
Ao nosso exemplar, incompleto, falta a última página (em branco).