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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Bibliofilia 169


A ideia inicial do fabrico industrial da seda, em Portugal, partiu de uma proposta do tecelão francês, Robert Godin, em 1727, que a corte de D. João V acolheu favoravelmente. O alvará da criação da Real Fábrica das Sedas foi publicado em 13 de Fevereiro de 1734. O edifício, albergando a unidade industrial, foi concluído em 1741, na zona do Rato. Onze anos depois (1752), também em Fevereiro (20), saía uma lei régia a regular a comercialização da seda e a incentivar os portugueses à plantação de amoreiras, para alimentação do bicho-da-seda. Como se pode ver no título do folheto (4 páginas) da imagem seguinte.

Com o terramoto de 1755, a Fábrica das Sedas sofreu danos materiais e o Marquês de Pombal aproveitou o facto para reordenar a actividade, criando estatutos e encarregando Carlos Mardel de projectar e orientar a urbanização da zona envolvente. Esses estatutos (18 páginas) foram registados, em Belém, a 6 de Agosto de 1757. Conforme imagem.


Os dois folhetos in-fólio foram adquiridos, recentemente, por mim, ao preço total de 18 euros.

terça-feira, 31 de março de 2015

Curiosidades 41 (Inauguração da Estátua Equestre - final)


Dando continuidade, e para concluir, estas curiosidades sobre os festejos que acompanharam a inauguração, a 6 de Junho de 1775, da estátua equestre de D. José, no Terreiro do Paço, aqui deixamos nota de mais algumas despesas, mais singulares, usadas na cerimónia. Como nos 2 anteriores postes, sobre o mesmo assunto, as informações são transcritas do livro de Ângelo Pereira, anteriormente já referido. Assim:
"Da despeza feita pelo dito Copeiro e Armador Fernando Antonio pª. o ornato das Cazas...:
- Canivetes e tizouras........................................ 16$735 mil réis.
- Colheres pª. Copos de Neve............................ 17$350.
- Grateficações...............................................2:287$600.
- Loiça da India q. se quebrou..........................266$330.
- Pregos e Alfenetes..........................................132$905.
- Rolhas................................................................2$400.
- Vassoiras...........................................................2$450.
(...)
Das qualidades de Vinhos nacionaes q. havia no banquete
- Dª. Marota....................................................Lavradio branco.
- Carcavellos...................................................Tinto.
- Chave doirada...........................................Setubal moscatel.
- Golgãa.............................................................Alto Douro."

Seguramente que o Vinho de Carcavelos terá sido fornecido da Quinta de Oeiras, do sr. Marquês de Pombal. Por outro lado, atente-se no peso e valor considerável da despesa com "Grateficações".

quinta-feira, 12 de março de 2015

Curiosidades 39


Na sequência do tema da inauguração (6/6/1775) da estátua equestre de el-rei D. José (Curiosidades 38, de 25/3/15), dê-se notícia que a peça escultórica pesava 643 quintais (ou 2.572 arrobas) e que, dado o seu volume, o transporte até ao Terreiro do Paço, obrigou ao alargamento de ruas e à desmontagem de alguns arcos, para que passasse, ao longo do percurso.
Em relação à Ceia festiva, acrescentem-se mais algumas, das muitas vitualhas que nela foram servidas, bem como os respectivos preços. Assim:
- Café, 5 arráteis..................................................... 54$620 mil réis.
- Chocolate, 29 arráteis e meio............................... 21$880.
- Coelhos 15 e 17 lebres..........................................  4$200.
- Frangos 194.......................................................... 21$985.
- Ovos, 4.145 dúzias.............................................. 337$025.
- Patos, 62............................................................... 21$000.
- Vitela, 118 arráteis.............................................. 234$312.
- Vinhos nacionais e estrangeiros........................ 2.068$130 mil réis.  

                                                                                                                   (continua)

quinta-feira, 5 de março de 2015

Curiosidades 38


Na noite de 6 de Junho de 1775, dia em que se inaugurou a estátua equestre de D. José I, no Terreiro do Paço, o Senado da Câmara de Lisboa ofereceu, à Casa Real e Corte, uma abundante Ceia. O copeiro Brás Troiano encarregou-se das compras de vitualhas. De que o livrinho, em imagem, nos dá conta pormenorizada da página 46 à 53. Assim, alfabeticamente, segundo as quantidades e os custos respectivos (em mil réis):
- Aguardente, 46 canadas e meia... 44$890.
- Amêndoas, 19 arráteis................. 41$010.
- Arroz, 50 arráteis......................... 49$520.
- Açúcar, 350 arráteis................ 1.018$510.
- Azeite, 72 litros.......................... 173$560.
- Bacalhau, 55 arráteis................... 66$600.
- Batatas, 13 arráteis...................... 15$970.
- Baunilha, 16 arráteis..................... 2$000.
                                                                                                     (há-de continuar...)

Nota: um arrátel correspondia a 459 gramas.

com os melhores agradecimentos a H. N..

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Pequena história (32)


Quem tenha muitos, mesmo muitos livros em casa, ter-se-á habituado, com certeza, à pergunta sacramental de algum novo visitante que, pasmado pela visão de tanto volume, dispara: "Já leu estes livros todos?"
João Cosme da Cunha (1715-1783), mais conhecido na História como Cardeal da Cunha, foi figura de vulto durante todo o consulado do Marquês de Pombal. Era beato até ao excesso (ou falsamente), muito bajulador, oportunista e camaleónico. Oriundo de um ramo dos Távoras, logo se demarcou dos parentes, quando estes entraram em desgraça e foram supliciados, depois do atentado ao rei D. José. Foi "mais papista que o Papa" no ataque aos Jesuitas, quando o Marquês decidiu aniquilá-los. Indefectível de Pombal, logo que este perdeu as graças, no início do reinado de D. Maria I, foi dos primeiros a atacar o seu antigo protector. Mas era tarde, a rainha despromoveu-o das muitas benesses que detinha, nomeadamente, de conselheiro de Estado. Tinha chegado entretanto a Arcebispo de Évora e era detentor de grossos cabedais...
Para impressionar e alardear cultura, tinha a sua casa coalhada de livros, que ultrapassavam a dezena de milhar - por abrir... O conde da Ponte, que o conhecia bem, costumava dizer: "Lá anda o Cardeal a passear a sua ignorância, por entre as onze mil virgens..."

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Manhã cedo


As nuvens estão mal acamadas junto à água e, por isso, a luz rala da manhã ilumina o rio. Mas, à medida que se afastam, subindo sobre o Tejo, vão formando um azul cinzento compacto, quase plúmbeo.
Dois melros namoram-se na antena de televisão, em frente, junto à chaminé decrépita que já viu tempo e tempos melhores, na sua vida. Os melros, um mais alto, outro, mais abaixo, juntam-se por vezes, e debicam-se. Mas eis que se multiplicam: chegam mais 3, e já são 5. Não cantam. Um estará a mais, obviamente. O ar está lavado e muito fresco. De Almada (?) chega o ruído compassado de fogo de artifício. Restos de halloween ou começo de Todos os Santos?
Aqui há 256 anos, um pouco mais tarde, cerca das 9,40hrs., a Terra e a Água uniram as forças e iras naturais para destruir Lisboa. O rei D. José e a sua corte, prudentemente, instalaram o seu aduar e abarracamentos na Ajuda, e de lá não saíram, durante meses. O Marquês, corajosamente, arregaçou as mangas, e pôs-se ao trabalho; no próprio dia 1 de Novembro de 1755, assinou decretos e despachou directivas para reordenar o caos. Alguém cunhou, por ele, a célebre frase: "Enterrar os mortos e cuidar dos vivos!".