Mostrar mensagens com a etiqueta D. Dinis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta D. Dinis. Mostrar todas as mensagens

domingo, 8 de novembro de 2020

Caracterização da personagem



Li algures, aqui há algum tempo, que o rei D. Dinis (1261-1325) não era alto e que teria cerca de 1m64 de altura. Não sei por onde o retratista teria chegado a essa tão minudente conclusão... Mas, entretanto, se formos ao Google e quisermos imaginar Hercule Poirot, talvez 90% dos traços físicos dos detectives aparecidos, identificam a figura afectada do canastrão David Suchet como tal personagem de Agatha Christie (1890-1976). Peter Ustinov, Albert Finney ou o recente John Malkovich, que também representaram o detective no cinema ou televisão, estão figurados de forma residual e envergonhada.



Mas não há nada como dar voz à sua criadora oficial, Agatha Christie, que em Crime na Mesopotâmia nos fornece alguns traços gerais de Poirot. Socorro-me do volume 35 da colecção XIS (Editorial Minerva), para citar: ... Poirot era um tipo estranho... Este homenzinho rechonchudo, com pouco mais de um metro e sessenta de altura, parecia muito velho, devido ao seu farfalhudo bigode e à sua cabeça redonda e lisa como um ovo. (pg. 78); mais curiosa, porém, achei eu esta afirmação do detective belga, na página 198: Tive uma longa conversa com o padre Lavigny. Sou católico praticante e conheço uma quantidade razoável de padres e... 



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Afonso X, de Castela e Leão


Passa hoje mais um aniversário sobre o nascimento de Afonso X (1221-1284), rei de Castela e Leão, que viria a ser avô do nosso rei D. Dinis. Pelo neto, abandonou as pretensões que tinha sobre o Algarve que fora conquistado na sua totalidade territorial por D. Afonso III.
A corte de Afonso X foi um viveiro de sábios de várias nações (judeus, mouros, portugueses) que produziram obra, e também um foco importante de cultura. O próprio Rei também trovava (Cantigas de Santa María e outras poesias profanas), em galego. Na sua época, em que o castelhano foi adoptado como língua oficial da Corte, foram traduzidos o Corão, o Talmud e a Bíblia. Bem como tratados do jogo de Xadrez e livros sobre Astrologia.
Atribuem a Afonso X o sábio conselho: "Fazei arder madeira velha, lede livros antigos, bebei vinhos velhos e tende amigos antigos." 

domingo, 9 de outubro de 2011

Filatelia XXVIII : D. Dinis (em geminação com o Prosimetron)


Poeta e rei, D. Dinis terá nascido a 9 de Outubro de 1261. Este ano, os CTT de Portugal, meio-americanizados, cujas estações são uma espécie de albergue espanhol, esqueceram-se deste rei que tão importante foi para o nosso país. Mas em 1955, a propósito da 1ª dinastia, os Correios Portugueses celebraram D. Dinis. É esse selo que aparece em imagem, com desenho de António Lino, gravura de Robert G. Godbehear, e impresso a talhe doce.
Este poste surge em geminação com um primeiro do Prosimetron, em que JAD recorda a série base de 1953 que tem como motivo o selo de autoridade do rei D. Dinis.

Ao JAD, em companhia. E com grato reconhecimento, posterior.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Afonso X e o número 7


O rei de Castela, Afonso X (1221-1284), o Sábio, que foi avô do nosso rei D. Dinis, tinha um fascínio muito particular pelo número 7. Autor de "Sete Partidas", ou "Setenario", por estar dividido em sete partes, o Rei explica no prólogo a razão do título, e exemplifica a importância deste número com a coincidência repetitiva dele, na Antiguidade. Assim refere os 7 dias da criação do Mundo, os sete dias da semana, os 7 anos que Jacob serviu Labão; e ainda os 7 anos de vacas gordas (fartura) e os outros sete de vacas magras (carência) no Egipto. As 7 cores do arco-íris, os sete sábios da Grécia, os 7 punhais cravados no peito de N. Sra. das Dores e os sete braços dos candeeiros judaicos nas sinagogas. Os tempos trouxeram-nos ainda: o homem dos 7 ofícios e o gato dos 7 foles (ou vidas). E creio que se poderia continuar...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Memória 38 : Camilo Pessanha


O desejo de aniquilamento ou, com mais rigor, de apagamento, é uma das matrizes mais constantes da poesia de Camilo Pessanha (1867-1926). Já o gravara, em epígrafe, no início de "Clepsidra": "...No chão sumir-se como faz um verme..." Não sei se essa vontade parte da desesperança de um amor desencontrado por uma ascendente do poeta António Osório, ou se, com o próprio ópio - de que usava e abusava -, era apenas uma expressão exterior que correspondia a um desejo mais profundo, a uma acédia (vide: Cioran e Fernando Pinto de Amaral), que já crescera com ele. Que sabemos nós dos poetas e dos homens? Que lemos, quando lemos os poetas, senão a nós mesmos, também? Procurando, talvez (e tantas vezes), uma sobreposição imprecisa, o ajuste com o nosso negativo fotográfico (revelado), um reequilíbrio, uma certeza - sobre a Vida.
Ainda descendente desse Almirante Pessanha que veio de Itália, no tempo de el-rei D. Dinis, para reorganizar a nossa Marinha, as idas e vindas que Camilo Pessanha fez (não muitas, aliás) de e para Macau, terão talvez suscitado, no seu olhar visionário, uma sobreposição genética e ancestral com o seu antepassado medieval. No dia de aniversário do seu nascimento, foi assim a razão de ter optado por este belo soneto.

Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
- Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!

Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor-de-rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a água plana.

E a vista sonda, reconstrói, compara.
Tantos naufrágios, perdições, destroços!
- Ó fúlgida visão, linda mentira!

Róseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivém desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mercearias Finas 7





Vai-se compor o poste por causa do Arroz de pato, ao jantar. Mas o vinho escolhi-o mal, valha a verdade. Tenho sempre alguma dificuldade nos casamentos líquidos das ementas onde entra pato. Hoje, optei por um monocasta branco Antão Vaz, do Alentejo e, francamente, foi um desastre. Acho que teria ido melhor com vinho tinto, ainda que leve. Talvez Beiras ou Dão. Mas falei, a princípio, de Arroz de pato. Tenho de confessar que sou um "arrozeiro" indefectível. E, na família, tenho um continuador radical - os genes sempre contam para alguma coisa... E tenho, para mim, de forma definitiva que se cozinha melhor o arroz a Norte, do que a Sul. E não é só do estrugido ou refogado, são outras sabedorias ancestrais.
Sempre pensei que, em Portugal, a sequência teria sido: castanhas, batatas, arroz. Estava enganado (obrigado, António!). Já se plantava arroz no tempo do rei D. Dinis, muito embora o seu uso intensivo comece a crescer a partir do séc. XIX. Camilo tem um romance tripartido intitulado: "Coração, cabeça e estômago". Como se dissesse: mocidade, maturidade e velhice. Não sei se Ana Plácido era boa cozinheira. Mas que eu tenho comido bom arroz de carqueja, em Vila Nova de Famalicão, é verdade. Acabemos com palavras do escritor de S. Miguel de Seide, para acabar em beleza: "...E assim se prova que o orgão mais sensível à eloquência é ela (a barriga), e que a humanidade sofredora é um estômago desconcertado..."

P. S.: a A. A. M. e H. N., com agradecimentos bibliográficos, e não só.