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domingo, 4 de agosto de 2019

A casa que foi de Malhoa, a Picoas


Uma filigrana, quase perdida entre algumas torres feias de betão, a casa, hoje, cuja planta foi encomendada pelo pintor José Malhoa (1855-1933) ao arquitecto Norte Júnior (1878-1962), teve o prémio Valmor em 1905. Foi adquirida em 1932, pelo oftalmologista Anastácio Gonçalves (1855-1965) que haveria de ter como seus pacientes da vista Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro, bem como Calouste Gulbenkian que também gostava de ver as preciosidades que o médico tinha em casa. Como o quadrinho de Delacroix que Anastácio Gonçalves tinha pousado sobre a sua secretária, representando um cavalo.


Por testamento a casa, já na posse do Estado português, veio a abrir ao público em 1980. Em anos recentes, foi objecto de remodelação que finalizou este ano de 2019, pelo mês de Abril. E eu, que de há muito a queria ver, fui a meio da semana visitar a Casa-Museu Anastácio Gonçalves, finalmente. Interessava-me sobretudo ver pintura, que o pequeno museu possui ainda significativos acervos de porcelana chinesa, mobiliário e ourivesaria.
Como seria natural vi telas de Malhoa, mas a obra de Silva Porto pareceu-me mais representada. Lá está também o célebre "Convite à Valsa" de Columbano e uma delicada aguarela de D. Carlos,  "Praia de Cascais", que me deixou encantado.


Discreto e mal iluminado, no patamar intermédio das escadas que dão para o primeiro andar, há um grande quadro, "Narciso" que, atribuído timidamente a Courbet, não dão por garantido...
Nota dissonante e incompreensível, uma grande parte das telas, que talvez estejam um pouco mal arrumadas pelas paredes, não tinham qualquer identificação dos pintores, nem dos títulos.
Não sei como se terá havido um família chinesa que, paralelamente, me acompanhou na visita à Casa-Museu Anastácio Gonçalves. Nem se percebe que o IMC e o Ministério da Cultura não corrijam esta incongruência ou desleixo continuado.
Por isso, não lhe posso dar nota máxima...

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Pequena história (41)


É um factor dissonante, talvez de um ponto de vista um pouco preconceituoso, mas a desproporção de alturas em casais, que vemos, causa sempre alguma perplexidade, sobretudo quando a mulher é mais alta. O caso recente de Sarkozy e Carla Bruni, por exemplo. Mas, por cá e em tempos mais antigos, era também visível a diferença de alturas entre o rei D. Carlos e a rainha D. Amélia, mulher excepcionalmente alta, para a época.
Um equilíbrio notável, em proporção, era o que existia entre  Pedro de Freitas Branco (1896-1963) e a sua esposa, a pianista de origem francesa Marie-Antoinette Lévêsque (1903-1986): eram ambos muito altos. O maestro português media 2 metros, e a mulher atingia 1m99. Por graça, quem os via, na rua, costumava dizer: "Lá vão as duas antenas da Emissora Nacional!..."


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Retro (81)



Os desenvolvimentos, em Portugal, do 25 de Abril de 1974, concitaram alguma atenção por parte dos meios de comunicação franceses, bem como de alguns cartoonistas gauleses. Talvez só comparável com o interesse dispensado aos 2 últimos Bragança (D. Carlos e D. Manuel II), da nossa quarta dinastia. Mas, aí, encontro uma explicação mais simples: D. Carlos tinha casado com a filha (Maria Amélia) dos condes de Paris, que acabou por ser a última rainha de Portugal. E mãe do nosso último rei. A contiguidade era, por isso, flagrante, tendo despertado alguma curiosidade e interesse nos meios franceses.
Desta temática iconográfica, por aqui deixo quatro exemplos mais sugestivos. Dois sobre D. Carlos e outros tantos que têm como motivo D. Manuel II. Todos eles são postais provectos e centenários...



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Pinacoteca Pessoal 109



O sobreiro, a que os alentejanos chamam chaparro, é uma das mais emblemáticas árvores nacionais e, também, das mais longevas. Predomina no Alentejo e Algarve e, embora com menor mancha florestal, no Ribatejo. É por ela que somos o primeiro e maior produtor mundial de cortiça, que dele se extrai. E da bolota muito porco preto se alimenta, na planície alentejana.
A árvore inspirou, pelo seu aspecto singular e sugestivo na paisagem, inúmeros pintores portugueses, desde o rei D. Carlos (1863-1908), até, mais recentemente, o alentejano Dordio Gomes (1890-1976), que se radicou no Porto, e aí veio a falecer. São deles as imagens de sobreiros que acompanham este poste. Quer na sua forma naturalista ou clássica, quer numa visão mais modernista.


sábado, 6 de julho de 2013

Mais 2 aguarelas de D. Carlos


Para um dia que promete ser de Verão excessivo, a sugestão de frescura destas aguarelas de D. Carlos.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Marinhas régias


É uma das temáticas de que mais gosto: as marinhas. Sobretudo, quando bem executadas. As duas, em imagem, foram pintadas pelo rei D. Carlos (1863-1908), que nem sempre é bem apreciado, normalmente, por motivos que nada têm a ver com a boa qualidade da sua obra.

agradecimentos a HMJ. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Singularidades deste nosso mundo


Albert Camus dizia, com alguma ironia evidentemente, que bastava matar a porteira do nosso prédio para, no dia seguinte, o nosso nome aparecer na primeira página dos jornais. Quem se lembraria do nome de Buíça, se ele, a 1 de Fevereiro de 1908, não tivesse disparado, matando o rei D. Carlos, no Terreiro do Paço? Ou, saído da obscuridade e de um anonimato previsível, Lee Oswald não tivesse assassinado John F. Kennedy?
Jaime Ramón Mercador del Rio, nascido em Barcelona a 7 de Fevereiro de 1913, filho de uma beata do comunismo, seria um nome sepultado nos arquivos do KGB, não fora ter assassinado, a 21 de Agosto de 1940, talvez com requintes de malvadez e com um machadinho de picar gelo, no México, o célebre dissidente do estalinismo, Leon Trotsky (1879-1940). Que aí estava exilado, depois de ter sido expulso da União Soviética. Foi assim que o obscuro Ramón Mercader, agente secreto do NKVD, passou à História. E, após 20 anos de prisão, morreu em Cuba, tranquilamente, a 18 de Outubro de 1978.

domingo, 3 de outubro de 2010

Filatelia V : Monarquia


A imagem apresenta alguns selos das três últimas emissões da Monarquia. As duas primeiras séries (D. Carlos e 4º Centenário da viagem de Vasco da Gama para a Índia) foram emitidas no reinado de D. Carlos.
Os últimos 4 selos ( dos 14 tipografados) pertencem à única emissão do breve reinado de D. Manuel II (1908-1910) que durou dois anos e oito meses. Estes selos foram ainda sobrecarregados com a palavra "República" em diagonal, no período de transição, depois de 5 de Outubro de 1910. E tiveram uso e curso até 30 de Março de 1913.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Curiosidades 1






Segundo Eduardo de Noronha (1859-1948), no seu livro "Reinado Florescente", 1928?, para o casamento do futuro rei D. Carlos (1863-1908), com a princesa ( mais tarde rainha) Maria Amélia de Orleães (1865-1951), a mãe do noivo, raínha D. Maria Pia (1847-1911) usou: " um vestido, cópia admirável, feita por Worth, do quadro do Louvre «O triunfo de Maria de Medicis» de Rubens. A raínha, que conta apenas 42 anos, sem ser formosa, desprende de si uma distinção e um garbo que a todos domina..."




Nota: (Charles Frederick) Worth (1825-1895), costureiro inglês que se fixou em França, é considerado o pai da "Alta-Costura" moderna.