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quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Citações CDXCIII

 

A forma é a própria carne do pensamento, tal como o pensamento é a alma da vida.

Gustave Flaubert (1820-1880), in Correspondance.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Citações CDLXXXIV

 

Nunca houve grandes homens vivos. É a posteridade que os faz.

Gustave Flaubert (1821-1880), in Correspondance.

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Memória 147



Esquecemos muitas vezes os criadores, os artífices de obras quase perfeitas. Outros deles, por opção própria ou norma do tempo, abrigaram-se discretos sob o anonimato sem nome, como os operários das catedrais. Na memória abstracta serão porventura eternos e admirados. Mas sem rosto.
Percebe-se que o esforço de imaginar, saber e pensar não é apanágio da corrente dominante, nem das almas simples. Quanto a autorias, não poucas vezes a obra ultrapassa o criador. Flaubert o disse, iracundo e veemente: Eu estou a morrer, mas aquela vadia da Madame Bovary viverá para sempre.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Recomendado : noventa e dois



Com a qualidade literária a que nos habituou e o bom gosto estético da iconografia seleccionada, saiu mais um número Hors-Série de Le Point, muito recentemente. Sobre Gustave Flaubert (1821-1880), cujo bicentenário de nascimento ocorre em Dezembro próximo. Fica a recomendação de compra desta revista literária, desde já.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Chinesices, orientalismos, modas


A moda tem, por vezes, origens misteriosas e inexplicáveis que desafiam a imaginação. E concita seguidores gregários que lhe dão vida, normalmente, por ausência de gosto próprio e pessoal.
A casa-museu do escritor francês Pierre Loti (1850-1923), em Rochefort, de interiores barrocos e orientalistas, integrou recentemente o Loto du Patrimoine, uma espécie de lotaria cujos lucros se destinam à recuperação de edifícios e monumentos significativos do passado gaulês. Encerrada em 2012, está ser recuperada da acentuada degradação em que se encontrava.
Julgo que foi na segunda metade do século XIX e inícios do XX que o exotismo das coisas do Oriente começou a ocupar a agenda e a curiosidade dos europeus. As chinoiseries ganharam, então, uma visibilidade inesperada.
De Salammbô (1862), de Flaubert, à ópera Madame Butterfly (1904), de Puccini, passando por Madame Chrysanthème (1887), de Loti, bem como pela decoração de várias casas da alta burguesia e pelos Cafés da moda que também integraram esse gosto marcado e insólito.



Por cá, foram bons exemplos o Café Chinês, inaugurado em 1861 (encerrou em 1936 e foi demolido dois anos depois), na Póvoa de Varzim, e os interiores do Café Oriental, em Guimarães, que, como todas as modas, tiveram apenas o seu tempo breve de glória e fama. Como o próximo casamento régio britânico, pelo menos na Caras, Nova Gente e CMTV, há-de ter capas efémeras de mau gosto kitsch e os prime time, neste caso por poucas semanas, satisfazendo, assim, a ligeira e leviana coscuvilhice dos leves e róseos de espírito.


Sic transit gloria mundi...

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Irrealidades


O velho almirante já um pouco escalavrado, depois de pesquisar as edições da A. G. U.  na segunda estante, à direita de quem entra, foi sentar-se pesadamente no maple verde de napa, ao fundo da loja, muito próximo do maçon insular, de memória prodigiosa, que folheava um livro, na estante dos truncados.
O gordalhufo, que escreve no Público às terças e quintas-feiras, sopesava " A Educação Sentimental", de Flaubert, mas já se tinha apossado de um folheto sobre as campanhas de África, quem sabe se no intuito de se documentar sobre os Comandos e vir a escrever uma crónica para denegrir um partido de esquerda.
O jovem historiador e ramalhudo universitário, que tentou branquear o salazarismo por palavras mansas e cristãs, arrebanhou um von Clausewitz, com gula, e perfilou-se a olhar, indeciso, para uns Ensaios, ainda literários, de Franco Nogueira. Creio que não os levou, que a literatura nunca foi o seu forte.
Eu trouxe umas recensões de V. S. Pritchett, que mais parecia um tijolo. Mas que falavam e tinham capítulos sobre Eça e Graham Greene, e isso me bastou para esportular alguns euros. Poucos. Com o livro, veio também um postal retro com uma aguarela de Alberto de Souza, que ainda há-de aparecer no Arpose.
No entretanto, chegou o meu Amigo.

para H. N., que sabe do que eu falo...

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A eternidade da ficção


Entre o ulo enraivecido da agonia de Flaubert, injuriando a eternidade de Madame Bovary, e a placidez metálica e durável da Sereiazinha, de Andersen, em Copenhaga, na sua perenidade, vai o espírito do Homem, que usa a imaginação para tentar vencer a morte e a finitude dos corpos.
Não é nada frequente que uma personagem de ficção venha a ganhar os contornos e o direito estatuário de ficar, em detrimento de quem os criou e idealizou - mesmo que de forma exemplar - em palavras escritas.
Mas é o que realmente se passa, na verdade, com a simpática figura do comissário Jules Maigret, criada por Georges Simenon (1903-1989). A estátua, executada pelo escultor Pieter d'Hont (1917-1997), existe. E foi inaugurada, com pompa e circunstância, na presença de Simenon, a 3 de Setembro de 1966, em Delfzijl (Holanda).
Porque terá sido lá, nessa margem esquerda do rio Ems, que, por volta de 1930, terá sido escrito o primeiro policial da saga Maigret: "Pietr, o letão" - que viria a ser publicado em 1931.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Flaubertiana (última) : letras U, V, W e X


Seguem-se as últimas palavras, por mim seleccionadas, do livro "Dicionário das Ideias Feitas", de Gustave Flaubert. Aqui vão:

Urso - chama-se, em geral, Martim. Citar o caso do inválido que, vendo um relógio caido no fosso do urso, desceu e acabou por ser devorado.
Usum (ad) - Locução latina que fica bem na frase: "Ad usum Delphini". Deve empregar-se ao falar-se de uma mulher chamada Delfina.
Vaidoso - sempre precedido de extremamente.
Vinhos - assunto de conversa entre homens. O melhor é o "bordeaux", dado que os médicos o receitam. Quanto pior ele for, mais natural ele é.
Wagner - troçar ao ouvir o nome dele, e dizer umas gracinhas sobre a música do futuro.
Xadrez (jogo de) - imagem da táctica militar. Todos os grandes capitães eram bons a jogar xadrez. Demasiado sério para ser jogo, demasiado fútil para ciência.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Flaubertiana : letra T


Na sequência alfabética do "Dicionário de Ideias Feitas" de Flaubert, chegou a vez das palavras começadas pela letra T:

Tabelião - mais lisongeiro do que notário.
Tamancos - um ricaço que teve princípios difíceis veio sempre de tamancos para Paris.
Tempo - eterno assunto de conversa. Causa universal das doenças. Queixar-se constantemente dele.
Testa - alta e calva, sinal de génio ou sobranceria.
Touro - pai do vitelo. O boi não é mais do que tio.
Transpiração (dos pés) - sinal de saúde.
Travesseiro - nunca usar, porque faz as pessoas marrecas.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Flaubertiana : letra S (2)


Segue-se, hoje, a minha selecção das últimas palavras iniciadas por S, da obra de Flaubert, que tenho vindo a seguir, e partilhar aqui no Blogue. Aí vão:

Sino de Aldeia - faz bater o coração.
Soltar - soltam-se os cães e as ruins paixões.
Solteirões - todos egoistas e debochados. Deveriam pagar um imposto. Preparam para si uma triste velhice.
Soluço - para fazer parar os soluços não há como uma chave nas costas ou um susto.
Subúrbios - terríveis durante as revoluções.
Sul (cozinha do) - sempre condimentada com alho. Bradar contra.
Suspiro - deve exalar-se perto de uma mulher.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Flaubertiana : letra S (1)


Em sequência alfabética, segue-se hoje a primeira parte das ideias feitas, seleccionadas, de palavras começadas por S, que constam da obra de Gustave Flaubert, já aqui referida. Como se segue:

Sábios - troçar deles. Para ser sábio basta memória e trabalho.
Sacerdócio - a Arte, a Medicina, etc. são sacerdócios.
Saint-Beuve - na Sexta-Feira Santa só comia enchidos.
Sátrapa - homem rico e debochado.
Serões - os do campo são morais.
Serviço - é prestar um serviço às crianças o dar-lhes uns sopapos; aos animais, o bater-lhes; aos criados, o despedi-los; aos malfeitores, o castigá-los.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Flaubertiana : letra R


Seguem-se, hoje, ideias feitas referentes a palavras começadas por R, seleccionadas e transcritas do livrinho de Gustave Flaubert, que temos vindo a seguir:

Rã - fêmea do sapo.
Racine - devasso!
Raio - só se emprega para praguejar, e mesmo assim!
Rima - nunca se harmoniza com a razão.
Riqueza - dá direito a tudo, até a consideração.
Rosto - espelho da alma. Existe, portanto, gente com a alma muito feia.
Ruínas - fazem sonhar e emprestam poesia a uma paisagem.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Flaubertiana : letra Q


A escassez de palavras começadas por Q desobriga-me, desta vez, de proceder a uma selecção do "Dicionário de Ideias Feitas", de Flaubert. Por isso, hoje, a transcrição é integral:

Quadratura do círculo - não se sabe o que é, mas deve-se encolher os ombros ao falar no assunto.
Quaresma - no fundo, não passa de uma medida higiénica.
Quarto de dormir - diz-se, a propósito de todos os velhos castelos, que Henrique IV dormiu lá uma noite.
Quinta - ao visitar uma quinta, só se deve comer pão escuro e beber leite. Se se juntam ovos, acrescentar: "Meu Deus, como são frescos! Os da cidade não se lhe podem comparar!"
Quiosque - lugar de delícias num jardim.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Flaubertiana : letra P (2)


Completa-se hoje a selecção das palavras começadas por P, na perspectiva de ideias feitas que Gustave Flaubert lhes deu, na sua imaginosa ironia. Seguem:

Penteador - indispensável em casa de uma mulher bonita.
Piedade - evitá-la sempre.
Poesia - completamente inútil: passou de moda.
Prática - superior à teoria.
Primo - aconselhar os maridos a desconfiarem do "priminho".
Pudor - o mais belo ornamento da mulher.
Púrpura - palavra mais nobre do que o encarnado.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Flaubertiana : letra P (1)


Em sequência, a primeira parte, em selecção pessoal das palavras iniciadas por P, recolhidas do Dicionário das Ideias Feitas de Gustave Flaubert:

Paganini - nunca afinava o violino. Célebre pelo comprimento dos dedos.
Parentes - são sempre desagradáveis. Esconder os que não são ricos.
Parra - emblema de virilidade em escultura.
Partes - são vergonhosas para uns, naturais para outros.
Pasta - trazer uma debaixo do braço dá um ar de ministro.
Peles - sinal de riqueza.
Pensar - penoso; as coisas que a isso obrigam são, em geral, postas de lado.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Flaubertiana : letra O


Do "Dicionário das Ideias Feitas", de Gustave Flaubert, segue-se, hoje, uma selecção das palavras começadas por O. Assim:

Oásis - albergue no deserto.
Obscenidade - todas as palavras científicas derivadas do grego ou latim escondem obscenidades.
Offenbach - ao ouvir o seu nome fazer figas para evitar o mau olhado. Muito parisiense, muito elegante.
Optimista - equivalente de imbecil.
Orquestra - imagem da sociedade: cada um executa a sua parte e há um chefe.
Ostras - já ninguém lhes chega! Custam os olhos da cara!
Ovo - ponto de partida para uma dissertação sobre a génese dos seres vivos.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Flaubertiana : letra N


Ideias feitas, segundo Flaubert, de palavras iniciadas por N, a saber:

Narinas - dilatadas, sinal de sensualidade.
Natureza - como é bela, a Natureza! Frase a proferir sempre que uma pessoa passeia pelos campos.
Navegador - sempre intrépido.
Negras - mais quentes do que as brancas (v. morenas e loiras).
Negros - espantar-se com o facto de terem saliva branca e falarem francês.
Neologismo - a perdição da língua francesa.
Nobreza - senti-la, desprezá-la e invejá-la.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Flaubertiana : letra M


Desta vez,uma pequena selecção de Ideias Feitas, glosadas por Flaubert, e iniciadas por M:

Mão - ter boa mão é escrever bem.
Maquiavelismo - palavra que só se deve pronunciar com um arrepio.
Medicina - rir-se dela quando se está de saúde.
Melancolia - sinal de distinção do coração e de elevação de espírito.
Meninas - nunca por nunca dizer: "As meninas estão na sala."
Missiva - mais nobre do que carta.
Monarquia - a monarquia constitucional é a melhor das repúblicas.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Flaubertiana : letra I


Eis uma selecção das Ideias Feitas, de Flaubert, referentes a palavras começadas por I, retiradas da obra que temos vindo a seguir:

Ideal - completamente inútil.
Ideias (Inatas) - zombar delas.
Ilegível - as receitas médicas devem sempre sê-lo. As assinaturas também. Sinal de que se tem muita correspondência.
Ilusões - afectar ter muitas, lamentar-se de as ter perdido.
Imoralidade - palavra que, bem pronunciada, eleva quem a emprega.
Imprensa - descoberta maravilhosa. Fez mais mal do que bem.
Introducção - palavra obscena.
Itália - deve visitar-se em lua-de-mel. Provoca muitas decepções, não é tão bela como dizem.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Flaubertiana : letra H

Cronologicamente pelo alfabeto, aqui seguem as ideias feitas de Gustave Flaubert, numa escolha pessoal de palavras iniciadas por H. Seguem:
Hálito - te-lo forte dá um ar distinto. Evitar alusoes às moscas e afirmar que o mau hálito é causado pelo estomago.
Haxixe - nao confundir com um fruto chamado maxixe, que nao provoca qualquer espécie de extase.
Hermafrodita - excita curiosidades mórbidas. Procurar ver.
Hipótese - frequentemente arriscada, sempre corajosa.
Histeria - confundi-la com ninfomania.
Hotéis - bons, só na Suica.
Hugo (Victor) - cometeu, na verdade, um grande erro ao dedicar-se à política.
Humidade - causa de todas as doencas.