Mostrar mensagens com a etiqueta Guimarães. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guimarães. Mostrar todas as mensagens

sábado, 4 de abril de 2026

Memória 159

 


Estas coisas acabam por vir à tona, pela Páscoa: a Queima do Judas, na rua da Rainha, no Mercado as Cavacas, o Pão de Ló de Margaride, os Bolos de Gemas; o arcipreste da Oliveira, António de Araújo Costa, e o Compasso, as pétalas de flores na entrada das casas. E o toque dos sinos a quebrar a monotonia pascal.

Uma boa Páscoa!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Filatelia CLIII


A carta, em imagem, pertencia a um arquivo de um estabelecimento comercial importante de Guimarães (Francisco Martins Fernandes), situado na rua de Camões, e que vendia tecidos e atoalhados.
Nessa altura (1871), os Correios portugueses gozavam de excelente fama de eficácia, profissionalismo e rapidez nas entregas de correspondência e encomendas, que veio a perder-se apenas em finais do século XX.
No que diz respeito à celeridade, podemos ver os carimbos: esta carta foi posta nos correios de Lisboa a 24 de Fevereiro de 1871, chegou ao Porto no dia seguinte (25/2) e foi entregue, nesse mesmo dia, em Guimarães, no armazém de FMF. Ou seja, apenas um dia para cobrir os cerca de 480 quilómetros do percurso.
Isto é que era trabalhar como deve ser!
E não como hoje...      

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Paisagens

 


Aqui ficam os Paços dos Duques de Bragança, de soslaio e ao cimo, a sobrante cerca da muralha do velho castelo e os automóveis em toda a sua plenitude...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Estado da natura 8

 

Arquitectura dos anos 30/40, o prédio já merecia uma pintura, pelo menos, exterior. Mas agora é com a Segurança Social, que o comprou, em devida altura, evitando-lhe a ruína.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Leituras paralelas 2

 

Saído recentemente, este belo livro com textos do poeta Carlos Poças Falcão (1951), com a chancela da Modo de Ler (Porto) e um acervo fotográfico de Ana Paula Meneses, de grande qualidade estética, inspirado na Penha (Serra de Santa Catarina), montanha situada nas proximidades de Guimarães, bem merece ser conhecido.

sábado, 19 de abril de 2025

Retro (121)

 



As festividades religiosas têm o condão e virtude de se repetirem anual e ininterruptamente.
Este jornal vimaranense anuncia as cerimónias da Semana Santa na Colegiada, há 65 anos atrás.
Por isso o escolhi, inserido na temática Retro, para desejar uma boa Páscoa a quem por aqui passar. 

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Da Páscoa

 

Por estas alturas também vem à tona da memória as doçarias pascais. Lembraria os bolos de gemas, as cavacas e sobretudo, pela antiguidade (cerca de 300 anos) tradicional, o Pão de Ló de Margaride que se fabrica na terra homónimo, próximo de Guimarães. E que, como dizia Cesário, se não fora " pão de ló molhado em malvasia", era ao menos embebido no café com leite matinal, nos meus tempos de infância.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Mercearias Finas 207

 


As nozes chegaram cá a casa, ainda neste passado Janeiro: estão caras, mas são boas.
Das nogueiras lembro-me das duas de Merkenich, plantadas por um antepassado de HMJ, e que eram para, crescendo, vir a ser fabricada a nova mobília doméstica, com madeira fina e nobre. Perdeu-se no entanto a intenção pelo caminho, mas os frutos secos foram sendo produzidos todos os anos para prazer da família. Também me recordo das nogueiras vimaranenses da Inha e do seu quintal campesino. Bem como dos boníssimos bolos de nozes que ela fazia, para nos deliciar, ao lanche.
As recentes e sobrantes estão agora na cozinha à guarda do metálico cão quebra-nozes que, há mais de 60 anos, cumpre bem o seu serviço mandibular.

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Divagações 199

 

Ao fim da manhã, por essa altura e muitos anos atrás, a descida, a pé, da pequena colina do cemitério de Atouguia até ao centro da cidade, era pontuada pelas castanhas assadas e pela boa disposição infantil, a que os adultos davam permissão e guarida, apesar da época. Ao mesmo tempo, iam aparecendo pelas bancas do mercado, os diospiros e os marmelos.
Tradicionalmente, nos antigos depósitos de pão iam surgindo tijelas de marmelada, que as panificadoras também vendiam para fora, como hoje a Confeitaria Cister, na rua da Escola Politécnica, ainda vai expondo, com garbo, na montra. HMJ deu, cá por casa, início, com as gamboas, à abertura da época, com os ladrilhos em calda, que estavam muito bons.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Do que fui lendo por aí... 61

 

" Vespera de S. Nicolau e toda a populaça na rua: (...) Vem a cerração da noite e a chuva pegada e tão miuda que se colla e amollece o proprio granito. Das ruas que abrem na praça rompem successivos magotes, tambores à frente, n'um clamor d'inferno. (...)  - S. Nicolau! S. Nicolau!...
É, na vespera da festa, o dia das posses, em que desde tempos immemoriaes certas familias estão na obrigação, que a populaça não perdôa nem perde, de dar, uns castanhas, outros lenha, vinho, pão, uma arvore inteira. Forma-se o cortejo. Já estrondeiam os primeiros compassos da charanga, que desce uma rua a passos marciaes, archotes á frente." (pgs. 49/50, A Farça, 1903, Raul Brandão)

Comentário pessoal: não só esta obra, mas uma boa parte dos livros de Raul Brandão (1867-1930) têm por cenário e retratam, muitas vezes, a paisagem e costumes vimaranenses. Neste excerto são invocadas as Festas Nicolinas, dos estudantes, que se iniciam com o Pinheiro, a 29 de Novembro e encerram, a 6 de Dezembro, com o cortejo das Maçãzinhas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

A inocência das criancinhas



Há dias, um daqueles vários desmiolados e fala-baratos animadores (malatos & companhia) dos programas pimbas dos 3 canais generalistas, que acompanham as manhãs e tardes dos solitários domésticos, dizia:
Todas as criancinhas são boas!
Sempre tive uma enorme dificuldade em aceitar esta generalização da virtude, ainda que pueril, sobretudo quando é proclamada por adultos tolos.
Amigo meu de infância lembrava-me, numa sua crónica recente publicada num semanário regional, as alcunhas, muitas vezes desapiedadas, que inventávamos para crismar os nossos colegas de escola e liceu. Era o José Emílio que ficou o Rata, pelo seu nariz que mais parecia um focinho de fuínha, o Cicatrícula pela ruga vincada da bochecha direita, o Barrumas, o Xiramaneco...
Mais cruel porém eram as partidas que pregávamos ao nosso colega Adélio, boníssimo e inocente jovem, filho da Saleira, senhora de meia idade, educada, que se dedicava à venda de sal, na rua Escura. em Guimarães.
O Adélio via muito mal, daí usar uns óculos de lentes garrafais, por detrás dos quais, os olhos dele pareciam choramingar constantemente, e lhe ser distribuída, logo no princípio do ano lectivo, uma carteira na primeira fila da sala de aula, ao canto, apesar da sua altura gigantesca, para ele poder ler as letras no quadro preto.
O Torcato, que era o mau da fita, muitas vezes lhe soprava: Adélio! e o filho da Saleira, lá se voltava, na sua ingenuidade, para trás, para o ouvir sempre pronunciar, invariavelmente, o verbo: Chora!
Por isso, não me voltem a dizer que todas as criancinhas são aureoladas de virtude.

domingo, 20 de novembro de 2022

Números e categorias



Das antigas cidades portuguesas, que eram 36, na minha adolescência, a mais pequena era Pinhel aonde nunca fui e que contava 2.100 habitantes. Nessa altura, Guimarães tinha 19.000 habitantes e Lisboa quase um milhão (as rendas altas, de algum modo, provocaram o êxodo gradual da capital para a periferia e subúrbios...).
Hoje, há muitíssimo mais cidades no território nacional e desconheço quais são as razões ou obrigações que justificam nomear uma vila ou aldeia para a categoria superior. Estranhei, por isso, que ao ver um vídeo curioso sobre Manteigas (próxima da serra da Estrela), com 2.909 habitantes, no censo de 2021, a localidade não tenha sido promovida ainda de vila a cidade...
Porque certamente Pinhel não foi despromovida e duvido que tenha aumentado muito a sua população...

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Recuperado de um moleskine (41)


O passado é um tempo em que tudo parece estar no seu lugar. Arrumado na sua razão e pela sua utilidade. Penso isso, ao contrário do que escreveu o romancista inglês L. P. Hartley (1895-1972) no início da sua obra "The Go-Between" (1953): The past is a foreign country; they do things differently there.
Apercebi-me que o Fanca perdera a compostura e a segurança habituais, quando teve a informação. Perguntou-me, quando soube que eu me aboletara 3 dias por lá, titubeante, em voz baixa: e trataram-te bem? Para o sossegar, eu disse-lhe que sim, mas omiti o muito visível alzheimer do visconde, seu tio avô, que nos apareceu em pijama e robe, ao cimo das escadas de pedra exteriores do palacete, quando chegámos, e o descuido visível da senhora viscondessa com o lixo e pó interior das dependências. O turismo local da casa apalaçada deixava muito a desejar. A começar pelas torneiras, gotejantes ou perras...
A natureza, naturalmente, cuidara dos jardins, com alguma visível assimetria selvagem, mas acabei por me esquecer de referir, ao Francisco José, o aviário pequeno do jardim da frente, bem como as rolinhas diamante que me tinham enternecido, para sempre. O que, em parte, tudo desculpou das atribulações passadas...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Do que fui lendo por aí... 47



Para ser verdadeiramente rigoroso, eu deveria ter escrito no título do poste: Do que fui relendo por aí...
Estas monografias que têm, por trás, um trabalho insano de investigação, lêem-se com imenso agrado, por amor à terra e, provavelmente, terá sido pelo mesmo sentimento acendrado que foram feitas. Inicialmente publicadas no Boletim dos Trabalhos Históricos e, depois, em separatas individuais, vieram a ser editadas em 2 grandes e belos volumes, por Maria Adelaide Pereira de Moraes (1930), com o patrocínio da Câmara de Guimarães, em 2001. Por lá se vão desfiando as gestas dos Margarides, dos Costeados, das gentes da Casa de Sezim (que Fonseca e Costa usou para cenário de um dos seus filmes), dos Amarais da Casa da Aveleira...
São estes dois volumes que eu estou a reler, para matar saudades da terra, como diria Gaspar Frutuoso.



segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Uso Pessoal 17

 

Militar próximo dizia-me, uma vez, que tinha habitado, pelo menos, 32 casas. É certo que, na altura, tinhamos a guerra colonial à porta, mas nunca mais me esqueci deste número desmedido, que abarcava três continentes. Eu nem metade de moradias contabilizava e apenas na Europa, nesse tempo. 
Creio que uma forma de avaliarmos as nossas errâncias ou sedentarizações é fazermos o balanço das habitações que ocupámos ao longo da vida por períodos de mais de um ano consecutivo ou em fases intercaladas que atingissem esse tempo total. Se bem me lembro, não ultrapassarei os 14 locais.
A cada um as suas deambulações e residências...

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Um vinho nobre




Dos Arrochela, que teriam vindo, de França (La Rochelle), com o Conde D. Henrique (1066-1112), e habitado a Praça de S. Tiago, em Guimarães, creio não existirem senão os vestígios, materializados pelo Palácio de Vila Flor, muito mais tarde (séc. XVIII) comprado ao fidalgo Luís A. C. Fonseca e Camões, que o mandara construir, e a estreita viela d'Arrochela (de traça medieval) ou viela dos Caquinhos, como é popularmente chamada. Foi D. Maria II que nobilitou Nicolau de Arrochela Vieira de Almeida Sodré, em 10/11/1852, como 1º Conde de Arrochela, título que hoje vai em quarta geração. Os Arrochela é que, agora, creio que já não moram em Guimarães. Mas serão os produtores do Vinho Grandes Quintas, do Douro. Que, como o rótulo indica, é engarrafado pela Sociedade Agrícola Casa d'Arrochela, em Vila Nova de Foz Côa.



Pois foi da colheita de 2014, vinho branco (Malvasia Fina, Síria e Gouveio, quanto às castas do lote) com 13º equilibrados, que provámos, para acompanhar umas gambas grandes (ou camarões tigres?) saborosas que HMJ arranjou, para celebrar uma efeméride doméstica. O vinho dos Arrochela convém destacar que estava excelente. E portou-se muito bem, com a devida nobreza.




quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Idiotismos 48

 

Não estou seguro de que o termo idiotismo se aplique com inteira propriedade a este poste.
Acontece que provámos, há dias, as primeiras rainhas-cláudias deste ano. Dulcíssimas e muito boas, este pequeno fruto é chamado, no Norte, também e de forma menos aristocrática - ameixa-carangueja. Não é caso único esta variação geográfica que tem nomes diferenciados. Se os pastéis de nata (ou de Belém) assim são chamados em Lisboa, no Porto são conhecidos por tigelinhas.




E há ainda outro caso ainda mais insólito. Creio que toda a gente conhece, no Sul, e quase todos apreciam as nêsperas que, na zona vimaranense e até no Porto, por vezes, são chamadas magnórios, enquanto que nêsperas, fruto autóctone (?) minhoto, é um fruto escuro ligeiramente ácido, um pouco farinhento, que costuma amadurecer por Novembro, e com este aspecto:


E posso acrescentar que não é muito apetitoso, nem tem grande sabor...

terça-feira, 20 de julho de 2021

Recuperado de um moleskine (38)

 

A grande e cómoda tranquilidade de um centro histórico citadino é que, uma vez percorrido e conhecido o seu labirinto eventual, não mais nos perderemos de futuro. Pois a sua arquitectura, arruamentos e paisagem é suposto não mais se alterarem. Até o velho castanheiro majestoso lá vai sobrevivendo através dos anos a passar, as muralhas mantêm-se e as casas vão sendo restauradas, minuciosamente, para não perderem as feições primitivas e originais. Por este terreno calcorreado é que nos vamos reconhecendo e reencontrando, num conforto grato que apenas se não conforma já com as nossas rugas e os passos mais frágeis, que o tempo não nos pode restaurar.

terça-feira, 30 de março de 2021

Filatelia CXLII

 


O estudo de marcas postais e cartofilia, do ponto de vista filatélico, é uma das temáticas mais fascinantes do coleccionismo. Permitindo, através de uma investigação apurada, concluir alguns factos muito diversos. Esta carta, em imagens, circulada há pouco mais de 150 anos (21 de Março de 1871), entre o Porto e Guimarães, atesta-nos a eficiência e rapidez dos serviços de Correio portugueses, na altura. Expedida da cidade Invicta, a 21/3/1871, por Jozé Martins Fernandes, foi recebida, no mesmo dia, na Cidade Berço, pelo irmão, Francisco Martins Fernandes, comerciante de solas e cabedais, na Rua Nova do Muro (hoje, Rua Egas Moniz ou Rua Nova apenas, creio).



Franqueada, a carta, com a taxa de 25 réis, selo da série de D. Luís, fita direita (1870-76), carmim rosa (nº 40, de catálogo), com o denteado de 12 e 1/2, foi batida com o carimbo numerado 46 (Porto) de barras interrompidas. O teor da carta, entre os dois irmãos, é de natureza comercial. E relata o ajuste de negócios na compra de sola, com um representante da família Cálem (hoje, mais dedicada ao Vinho do Porto), produto esse que oscilava de preço, em 1871, por entre 210 e 230 réis, com prazo de pagamento de 4 meses.



segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A Leiteira da Costa


Vinha cedinho da Costa, com o seu cântaro de leite à cabeça, muito a tempo do nosso pequeno almoço vimaranense. Que o leite tinha que ser fervido, antes de se beber. Deveria ter uma ou duas vacas, a nossa leiteira, e bom pasto, donde vinha também o musgo, no princípio de Dezembro para se montar o Presépio. Acabada a volta pelos fregueses, o leite remanescente era vendido, ao fim da manhã, na Feira do Pão, praça ampla aonde acorriam os clientes retardatários e alguns donos das leitarias da cidade. Foi isto nos finais de 40 e iniciais anos 50, porque em Coimbra e Lisboa, nos anos 60, já o leite só aparecia embalado, industrialmente. 

Não sei, por isso, como fizeram a reconversão, estas profissionais da venda ambulante, sindicalizadas, de que encontrei os respectivos cartões de associadas (nº 48 e 381), passados pelo respectivo sindicato, no já longínquo ano de 1955. Talvez tivessem ficado desempregadas... O que posso garantir é que a nossa leiteira da Costa não estava inscrita no sindicato.