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sábado, 4 de maio de 2013

Guillevic (1907-1997)


Nesta Manhã de Maio

Vivi já muito
E o céu ainda me surpreende
Quando, de tão azul,
Entre ele e as flores das acácias
Assim como as telhas, muito velhas,
Se passa uma coisa, esta coisa
Que me faz pensar e saber
Que felicidade é o mais certo dos nomes.

Guillevic, in Envie de Vivre.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Guillevic, traduzido por David Mourão-Ferreira


Subúrbio

A custo de pé se mantêm os muros
Ao longo desta rua
Íngreme, cheia de curvas.

Dir-se-ia que vieram todos, os do bairro,
Enxugar as mãos gordurosas no rebordo das janelas,
Antes de em conjunto penetrarem na festa
Onde parecia cumprir-se o seu destino.

Vê-se um comboio a arrastar-se por cima da rua,
Vêem-se luzes a acender-se,
Vêem-se quartos sem espaço.

Por vezes uma criança chora
Na direcção do futuro.

Guillevic (1907-1997), in Vozes da Poesia Europeia  III / Traduções de D. Mourão-Ferreira.