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terça-feira, 27 de maio de 2025

Antologia 24



 " Em Gaza, os pais decidiram escrever o nome dos seus filhos nas pernas deles, com tinta preta e assim, se a família for separada durante um bombardeamento israelita, eles terão alguma esperança de vir a encontrá-los de novo; ou pelo menos terem a possibilidade de identificar os seus corpos."

TLS (nº 6358), in We are the news (pg. 8).

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Adagiário CCCLXXVI




 Quando se declara a guerra o diabo alarga o inferno.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

A imagem do dia

 


Ao que isto chegou...

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Citações CDLXIX

 

Os generais que morrem na guerra cometem uma falta capital e profissional.

Henri Jeanson (1900-1970), in diálogos do filme Fanfan la Tulipe (1952).

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Um poema de F. G.



Das Guerras - III

Falemos acerca das cerejeiras de Kudan, no Japão. 
É uma colina onde estão os corpos dos que morreram.
Nela há muito que crescem as cerejeiras. Todos os anos,
com a passagem das estações, vêmo-las em flor. Talvez
na sua seiva passe o espírito dos que apenas receberam
o silêncio que se segue aos combates. Eram soldados;
tinham por isso de matar. Obedeciam a ordens. A morte
era para eles uma cerimónia e se depois partiram
para Kudan é porque a vida já não lhes pertencia. Outrora
ao amadurecerem as cerejas, principiavam a colhê-las,
mas compreenderam que as iam depois perder. O tempo
passou por ali mais depressa. Agora que idade têm?


Fernando Guimarães (1928), in Das Mesmas Fontes (pg.24).

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Guerra e paz


Esta época de fim de ano e começo do novo tem o condão de amolecer a agressividade de cada um, ou, pelo menos, de quem a tem. E só por oportunismo maquiavélico, algumas guerras tiveram início, ao longo dos séculos, por alturas da quadra natalícia e início do ano novo.
Descontando o bíblico massacre dos inocentes, conflito regional, apesar de tudo, mas com danos colaterais significativos, a História não regista, por esta altura, muitos actos bélicos e é um mar de serenidade e paz, entre os homens. Felizmente.
Razão pela qual, hoje e desde 1968, no primeiro de Janeiro e por iniciativa do papa Paulo VI, se celebra o Dia Mundial da Paz. Cinquenta anos pelo meio dos quais várias guerras se iniciaram e muitas outras se foram mantendo em estado latente, tal como o conflito israelo-palestiniano.
Mesmo os desejos e propósitos das boas intenções nem sempre vencem ou chegam para anular os interesses materiais do poder, da cobiça dos homens e da mesquinha vontade de supremacia da força.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

John Lennon - Happy Xmas (War Is Over)


John Lennon, infelizmente, não tinha razão: é Natal, mas a guerra ainda não acabou...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Pinacoteca Pessoal 100


Nascida a 8 de Julho de 1867, em Königsberg (Prússia Oriental), a pintora alemã Käthe Kollwitz não viveu para ver amanhecer a paz, pois faleceu a 22 de Abril de 1945. A sua obra reflecte, obsessivamente, os horrores da guerra e a tragédia dos mais desfavorecidos, numa transição evolutiva com sequência coerente entre o naturalismo e o expressionismo. Mas, mais do que a pintura, é a sua obra gráfica que melhor identifica a exemplar qualidade do seu testemunho artístico e humano.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

À consideração


Confortavelmente afastados dos centros de conflito mais agudos, nós, portugueses, vamo-nos entretendo com minudências e o róseo sexo dos anjos. Como também não nos perturbou muito a pulverização sangrenta da ex-Jugoslávia. Não se diga que a periferia não tem vantagens...
Mas não há dúvida que o que se passa na Ucrânia é coisa séria e grave. E traz consigo ameaças.
O fotógrafo Patrick Chauvel (1949) produziu, e Le Monde publicou (15/2/15), numa série intitulada "Guerre ici", fotomontagens visionárias de algumas capitais europeias, devastadas por uma eventual e futura guerra. Aqui deixo a imagem de Paris.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O novo Cruzado


Um pouco a contra-gosto, aqui vai.
Em recentes declarações à televisão, o católico Blair defendeu uma nova escalada de tropas ocidentais no terreno do Médio Oriente, para aniquilar o recém-criado Estado Islâmico (EI). Esqueceu, ou desvalorizou o facto de ter sido ele, com o evangélico Bush, filho, e a cumplicidade de Aznar e Barroso, anfitrião, que, indirectamente, foram a origem do caos político na região, iniciada com a invasão do Iraque, em 2003.
Falarmos, ainda que mal, de figuras sinistras, é também uma forma de lhes darmos publicidade e lhes fazermos propaganda, trazendo-as ao primeiro plano. Sempre que posso, evito fazê-lo.
Correm por aí, na net e nas redes sociais, fotos e imagens de encenações macabras de mortes violentas e despojos humanos provocados pela sanha irracional do novo califado medieval, que já ocupa partes consideráveis da Síria e do Iraque, numa superfície maior do que a França. O gosto pelo sensacionalismo explica esta difusão tonta e de mau gosto.
É por estas e outras imagens, falsamente heróicas, que algum lumpen juvenil de emigrantes de 2ª geração, dos bairros sociais degradados europeus, se empolga e vai juntar, no Médio Oriente, a essas hordas de fanáticos selvagens e animalescos. Até porque a juventude é, também, excesso, sobretudo quando deseducada e desestruturada. E pode ser, também por isso, de uma crueldade irresponsável.
Mas se os nazis, à noite, se reuniam para ouvir e tocar Schubert - como refere Steiner - e, de manhã, voltavam ao seu sinistro labor  nos campos de concentração, essas imagens que correm na net, e de que eu falei acima, não deixam de ser uma "remake" semelhante também a outras que surgiram durante a nossa guerra colonial. De um e de outro lado...
O homem continua a ser, muitas vezes, um sanguinário animal disfarçado. Um monstro desconhecido.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Curiosidades 18


A fazer fé na informação baseada em estudos credíveis e sérios, fundamentados sobretudo em experiências da I Grande Guerra, e referidos por Leo Murray (Brains and Bullets, Biteback), nas batalhas, de uma forma geral, 4 em cada 5 soldados são "não-lutadores". E apenas 1 é verdadeiramente belicoso. O aperto e o perigo iminente, no entanto, despertam, muitas vezes, o instinto de sobrevivência e a adrenalina que obrigam, também, os mais pacíficos a lutarem. Daí as deserções e execuções sumárias, nos próprios campos de batalha, por esse motivo.
É sabido que a nomenclatura portuguesa, no aspecto militar, tem grande parte da sua origem nos escalões franceses do Exército. Assim, por exemplo, o posto de sargento vem do francês: sergent.
Quem vê filmes ou mesmo cenas reais filmadas, ao vivo, da guerra, ou paradas militares, dificilmente imaginará que, nos tempos mais recuados, os exércitos eram bandos desordenados, ou hordas de gente indisciplinada que fora arrebanhada, normalmente à força, para combater. E que, por isso mesmo, procuravam a primeira oportunidade para fugir. Daí a existência dos sergent (serre-gent ou serre gens) que, na retaguarda, seguravam e empurravam os recalcitrantes, obrigando-os a combater.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A terra em tempo de guerra

É notória, e já aqui o referi, a proliferação de pequenas hortas domésticas, nos baldios e declives da região outrabandista. Normalmente trabalhadas e cultivadas por africanos (maioritariamente, amanhadas por mulheres) que semeiam batatas, milho, tomate, couves... A necessidade pode muito, a crise aperta, a fome espreita, muitas vezes.
Mas já, noutras ocasiões e em períodos de racionamento, sobretudo no decurso da II Guerra mundial, os governos aconselhavam o cultivo de vegetais, mesmo em pequenas parcelas de terra, em jardins e, até mesmo, em vasos, nas varandas das casas, para diminuir a pressão da escassez alimentar.
A Itália, a Alemanha e Portugal, no início dos anos 40 do século passado faziam um aproveitamento pragmático da terra ao seu dispor. E também, na Inglaterra, se fez campanha de propaganda para o cultivo alargado de vegetais e outros bens alimentares como, neste sugestivo cartaz da imagem, de gráfico desconhecido, se pode ver.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

As guerras assépticas e metafísicas de Obama, ou "Arbeit macht frei"


Os duelos tinham regras cavalheirescas e eram um jogo bélico feito de equilíbrios. Nas guerras antigas há variadíssimos exemplos, hoje talvez incompreensíveis e irónicos, das normas e rituais de quem havia de disparar primeiro. A I Grande Guerra, tirando o gás, formatiza-se ainda sob regras humanas de respeito e princípios. Tudo começou a descambar com a II Grande Guerra, com a bomba atómica, as V-2 e o napalm. O desequilíbrio instalou-se, em definitivo, como lei selvagem permitida e aceite. Por força dos mais fortes.
Os drones são a última arma posta em prática. Se, dantes, na guerra, quem matava sabia que podia morrer, gerando-se assim um comportamento de equilíbrios, o uso desta última arma permite branquear as consciências, de uma forma perversa. Como se tudo não passasse de um agressivo, mas inócuo jogo de computador. O manuseador de um drone pode, às 17h00, matar 100 pessoas e, às 19h00, chegar a casa e brincar, tranquilamente, com os filhos. Depois, janta, vê a TV, deita-se, lê um pouco e adormece na paz dos anjos. Os carrascos de Auschwitz ouviam Schubert, na maior das tranquilidades de espírito...

Nota: para quem não saiba, o letreiro Arbeit macht frei (O trabalho liberta) encimava o portal de entrada dos campos de concentração nazis.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Guerra santa (geminando) aos bibliófagos

Em geminação com o Prosimetron (MR) e com os melhores votos aos Cruzados na guerra contra os parasitas, pese embora não terem assistido a nenhuma "Missa do homem armado"... Mas vão com benção laica, para apoiar este nobre propósito. Que a batalha no Campo do Gato Preto seja um sucesso!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Otto Dix


Voluntário na 1ªGrande Guerra, veterano condecorado, Otto Dix (1891-1969) foi obrigado a lutar na II G. G., já no final do conflito. Pintor, dos mais importantes do expressionismo alemão, ele sabia, na pele, o que era, realmente, a Guerra. Daí que ela esteja tão presente nas suas obras. Grande parte da sua pintura no post-guerra é de índole religiosa, porque começou a viver em Paz. Mas são dele as palavras que se seguem, para caracterizar esse pesadelo monstruoso:
"A guerra é qualquer coisa de animal. Fome, piolhos, lama, esses ruídos enlouquecedores - enfim tudo é diferente. Veja, os quadros antigos davam-me a sensação, que um lado da realidade ainda não tinha sido retratado: tudo aquilo é verdadeiramente feio. A guerra tinha qualquer coisa de repugnante, mas não deixava de ter a sua grandiosidade. Eu não podia de modo algum perder tal oportunidade! É preciso vermos o homem nessas condições para sabermos algo sobre ela. (...) Durante anos, pelo menos dez anos sempre tive os mesmos sonhos, durante os quais rastejava por entre casas arruinadas, por corredores que mal me davam passagem, as ruinas estavam permanentemente nos meus sonhos."