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segunda-feira, 6 de abril de 2020

Pinacoteca Pessoal 163


Sempre tive a tentação de considerar da mesma família artística os pintores Graham Sutherland (1903-1980), Lucian Freud (1922-2011) e Paula Rego (1935), muito embora entre o nascimento do primeiro e o da última medeiem mais de 30 anos. Ter-se-iam mutuamente influenciado? Não sei responder, com rigor.
Pelo menos, as suas obras têm alguma afinidade estilística, sobretudo a nível de retratos e representação de figuras humanas. Com uma forte e impressiva pincelada que sugere alguma agressividade subjacente.


Dos três, é Sutherland quem se dispersa por mais aspectos artísticos: gravura, vidro, tecido e pintura naturalmente, e em que o retrato tem um papel preponderante. São conhecidos os magníficos retratos do escritor Somerset Maugham (aqui representado por um desenho preparatório) e do crítico de arte Kenneth Clark. De grande qualidade era também o seu trabalho sobre W. Churchill, encomenda de um grupo de personalidades, e que o político - de gosto artístico excessivamente conservador - por não ter gostado, terá consentido que viesse a ser destruído pela Esposa (este facto foi registado em poste do Arpose, a 28/1/2018: Curiosidades 68).


domingo, 28 de janeiro de 2018

Curiosidades 68


Nem sempre nos sentimos bem representados. Seja por delegação burocrática, numa assembleia de condóminos a que não podemos assistir, quer no Parlamento,  pelo partido em que votámos nas últimas eleições. O mesmo acontece, por vezes, quando nos identificam em qualidades ou defeitos,  por palavras, ou simplesmente nos desenham o retrato, de forma pictórica.



Não faço a mínima ideia, se Isabel II gostou do retrato que Lucian Freud (1922-2011) dela fez. Duvido. Mas admito que sua majestade britânica, sempre politicamente correcta na sua banalidade aristocrática, se tenha calado, anglicanamente compungida por se tratar de um pintor de nomeada internacional. Winston Churchill (1874-1965), porém, tinha outra fibra. Em 1954, por iniciativa da House of Commons e da House of Lords foi decidido encomendar um retrato do político a um pintor inglês de mérito.



Ao ser-lhe apresentado o retrato pintado por Graham Sutherland (1903-1980), Churchill teve uma saida airosa, mas irónica: The portrait is a remarkable example of modern art!
A assistência, pela entoação de voz do grande estadista, percebeu o remoque, e riu copiosamente.
A pintura - veio a saber-se depois da morte do célebre casal inglês - foi destruída poucos dias depois de ter sido entregue, na sua residência oficial.



É o que nos conta, de forma sucinta, o vídeo acima, com o testemunho do neto do Estadista inglês.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Glosa 7


Pergunto-me, muitas vezes, quando é que se irá dar o redescobrimento de Somerset Maugham (1874-1965). A exemplo de Stefan Zweig (1881-1942), seu coevo parcial, austríaco, que já foi repescado do limbo por que passou, e voltou a ser lido, foram ambos escritores muito populares, em meados do século passado. Muito apreciados e publicados, tinham, ambos, uma escrita de qualidade, realista e gulosa. Mas, também é verdade, não seriam muito prezados pelas academias dessa época. Coisas e caprichos, que costumam ocorrer, com alguma frequência...
Numa altura em que eu devorava tudo o que me aparecesse do escritor britânico, lembro-me que apreciei muito The Summing Up (publicado em 1938), uma espécie de memórias anti-memórias, muito vivas e cheias de pormenores pitorescos e ligeiramente reflexivas, que li na versão inglesa, original, em meados dos anos 60. Ontem, cruzei-me, na biblioteca de um amigo, com a versão portuguesa do livro ( Exame de Consciência), da Livros do Brasil, revista por Freitas Leça (Óscar Lopes?) da tradução brasileira de Mário Quintana. E recomecei a lê-la, com gosto.
A actualidade do seu pensamento, no meu entender, mantém-se. Ora, ouçámo-lo:

"... Os ingleses são um povo político, e muitas vezes fui convidado para reuniões em que a política era o interesse dominante. Não consegui descobrir, entre os eminentes estadistas que lá encontrei, nenhuma capacidade notável. Concluí, talvez apressadamente, que não era necessário um elevado grau de inteligência para governar uma nação. Desde então, tenho conhecido em vários países muitos políticos que atingiram elevados postos. E continuei a sentir-me intrigado com o que se me afigurava a mediocridade do seu espírito. Achei-os mal informados sobre as coisas ordinárias da vida, e quase nunca descobri neles subtileza de espírito ou vivacidade de imaginação. Durante algum tempo senti-me inclinado a pensar que deviam a sua ilustre posição ùnicamente aos dotes oratórios, pois numa comunidade democrática deve ser quase impossível subir ao poder sem captar os ouvidos do público; e o dom da palavra, como sabemos, nem sempre vem acompanhado do poder do pensamento. Mas, logo que vi estadistas que não me pareciam muito inteligentes conduzirem os negócios públicos com razoável êxito, tive de reconhecer que estava enganado: devia ser que, para governar uma nação, é preciso um dom específico, e que esse pode muito bem existir sem aptidões gerais. Da mesma forma, conheci homens de negócios que fizeram grandes fortunas e conduziram vastas empresas à prosperidade, mas que se mostravam desprovidos até de bom-senso em tudo quanto não se referisse ao seu ramo. ..." (pgs. 6/7, da obra citada).

Ora, e aqui, para além da subjacente ironia de Maugham, é que bate o ponto. Neste desencanto e surpresa pela qualidade dos políticos. Pela sua menoridade quase geral, e que, praticamente, todos nós sentimos. Sobretudo, quanto mais avançamos nos anos das nossas vidas. E chego a pensar que tudo isto se repete, de geração em geração, talvez pela exigência maior do nosso sentido crítico, quando envelhecemos. Dos "Vencidos da Vida", da geração de 70, aos Vencidos do Catolicismo (progressista) dos anos 60 do século passado. De degrau em degrau, parece que tudo piora e nos encaminha, sempre, para um pessimismo ontológico, que só a juventude e a superficialidade pueril de muitos não vê ou sente. Desencanto e desistência fatal que Zweig levou à prática, no Brasil, e Maugham foi arrastando pela Rivieira, penosamente e sem grandes ilusões...

terça-feira, 22 de abril de 2014

Citações CLXXI


Nada há de mais degradante do que a preocupação constante com os meios de subsistência. O dinheiro é semelhante a um sexto sentido sem o qual não se poderá fazer um uso completo dos cinco outros.

Somerset Maugham (1874-1965), in Of Human Bondage (1915).

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Citações CLVII


O que há de cómodo nos princípios, é que podemos sempre sacrificá-los quando é necessário.

Somerset Maugham (1874-1965).

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Herbert Read, sobre Arte


No seu livro Contemporary British Art (Penguin Books, 1951), Herbert Read refere: "Toda a história de arte demonstra com notável clareza, que as emoções particulares e a expressão própria de um período procuram sempre encontrar as suas formas específicas. Parecenças existem entre as formas de fases semelhantes da história, mas a história nunca se repete exactamente, assim como as formas de expressão artística embora retenham afinidades, nunca são idênticas. ..."
No mesmo sentido, o pintor espanhol Manolo Millares (1926-1972) comentava assim, um seu quadro, feito durante o franquismo: "O quadro foi parido assim, porque foi feito num tempo feio."

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Citações XLIII : Somerset Maugham (4 em 1)


1. A habilidade para citar é um útil substituto da sabedoria.
2. Naquela época, era uma honra ter 40 anos, mas agora ter mais de 25 é um absurdo.
3. É possível fazer, diariamente, três óptimas refeições na Inglaterra. Basta pedir "breakfast" três vezes por dia.
4. O amor que mais dura é aquele que não é correspondido.

Somerset Maugham (1874-1965).