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quarta-feira, 20 de março de 2024

Citações CDLXXXV



O ódio não é senão um defeito da imaginação.

Graham Greene (1904-1991).


sábado, 24 de junho de 2023

Do que fui lendo por aí... 58



Vai sendo uma releitura, até porque em ficção, actualmente, não arrisco uma maçada. E Graham Greene (1904-1991) é um lugar seguro, para mim. Ora atente-se ao pitoresco deste pormenor, na página 120: Enquanto Yusef ainda falava, Scobie adormeceu numa daquelas sonolências que duram alguns segundos, precisamente o tempo para reflectir sobre qualquer coisa que nos preocupa,... ( e não é que eu tenho um amigo a quem acontece isto, de vez em quando?!).
Curioso, no interior do livro, que comprei usado, vinha um marcador original da Editora Ulisseia, antigo e simples. Sendo a obra de 1956, diria que é um pioneiro raro...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Citações CDLVII



Há sempre um momento na infância em que a porta se abre e deixa o futuro entrar.

Graham Greene (1904-1991), in The Power and the Glory (1940).

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Da leitura (45)

 

Recentemente terminada a leitura de Caminhos de Evasão (1982), de Graham Greene (1904-1991), livro já aqui referido (30/6/2021), e cuja discutível tradução, no tocante a qualidade, não posso deixar de referir, além de uma certa desarrumação talvez autoral (?) que se ressente nesta versão portuguesa, a segunda parte da autobiografia (a primeira intitulava-se A Sort of Life) do escritor inglês não deixa de ter interesse, pelas muitas informações que nos traz. Sobretudo a nível da criação literária e da génese dos seus livros. Alguns dos quais tiveram o seu ponto de partida em sonhos de Graham Greene, mais tarde desenvolvidos e um pouco alterados.

Da leitura, e da página 204, aqui ficam algumas linhas que achei curiosas: "Para escrever um romance é necessário fazer um grande esforço, que obriga o autor a passar muitos anos fechado dentro do seu «eu» deprimido; foi sempre nos «entretenimentos» que procurei encontrar alívio - tanto o melodrama como a farsa são expressão  de um estado de semi-loucura. Assim, procurei encontrar a minha evasão habitual na minha terceira peça The Complaisant Lover; porém, quando cheguei à última cena descobri que o estado depressivo tinha entrado numa proporção quase igual à da mania. Talvez seja por isso que eu sentia tanto prazer em escrever."

domingo, 29 de dezembro de 2019

Em aditamento à leitura de Graham Greene


É sabido como muitos dos romances de Graham Greene (1904-1991) tiveram adaptações ao cinema, algumas vezes com a colaboração prestimosa do escritor. E com grande sucesso de audiência.
Já depois de alguns re-comentários que fiz ao anterior poste sobre a leitura do livro Pago para Matar, dei-me conta, no meu banco de imagens do arquivo do Arpose, do belo cartaz que apoiou o lançamento do filme homónimo, em 1942. Interpretado por Veronika Lake e Alan Ladd, a película foi realizada por Frank Tuttle.
Em 1991, houve uma nova versão (remake) do romance, com interpretação de Robert Wagner e realização de Lou Antonio.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Da leitura 34


Estou tentado a dizer que um grande escritor se impõe, de forma categórica, quando nós até dispensámos e esquecemos o enredo de uma sua obra de ficção, para nos concentrarmos no prazer de  o ler  pela sua forma e estilo de contar.
É, de algum modo, aquilo que me está a acontecer com a leitura de Pago para matar (ENP, 1959), de Graham Greene, numa belíssima tradução de Isabel da Nóbrega (convém referi-lo). O enredo quase não vem aqui para o caso...

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Bibliofilia 179 (em jeito policial...)


É uma primeira edição talvez de um livro menor de Graham Greene (1904-1991), volume a que falta o que os ingleses chamam a dust jacket (sobrecapa) original. A obra Nineteen Stories, com 232 páginas, foi publicada, em 1947, pela William Heineman Ltd. (London - Toronto). Custou-me usada, há cerca de 2/3 anos, apenas 5 euros e vi na net ofertas do mesmo livro que iam de 8,5 a 35 euros. Mas o meu exemplar está muito manuseado e a lombada encontra-se parcialmente descolada do lombo da pasta. Daí, o preço.


Alguns sinais e o estado, porém, parecem sugerir um percurso acidentado e, pelo menos, algo curioso deste volume. Sei que pertenceu, antes de mim, a uma pessoa ainda viva e conhecida que se desfez de parte da sua biblioteca, provavelmente, por questões de espaço. Essa personagem terá recebido o livro de uma familiar, de nome Diana (mãe?), que lhe apôs, manuscrito, o nome e a data, bem como o local: Lisbon, 1991. Que eventualmente o recebeu de presente de uma tal Aunt Ba, no Natal de 47, conforme dedicatória.
Ou terá havido alguém pelo meio? Talvez.


Finalmente, no verso interior da contracapa há um misterioso carimbo ostentando os dizeres: The Bookin Book Club, Kensington W. B. Terá o livro sido desviado, subrepticiamente?
Nesse caso, e como diria um detective: cherchez la femme...

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Mauriac


O título desta obra de François Mauriac (1885-1970) serviu-me muitas vezes para classificar, sucinto, figuras excessivamente dogmáticas, com alguma ironia; e, outras, para apelidar comportamentos demasiado puritanos. Quarta-feira passada, porém, na nossa habitual tertúlia cordial da semana, o livro veio à mesa na voz de H. N., que o recomeçara a reler, por mero acaso, no meio de uma entediante função de vigilância, rural, de que a família o tinha investido, por rigoroso e sabedor.
O romance de Mauriac logo se lhe impusera pela qualidade narrativa, sobretudo em cotejo com o que vai aparecendo por aí... Vieram-me à memória, por associação, os densos ambientes das minhas leituras passadas dos livros do romancista católico e francês, mas também a obra de Graham Greene (1904-1991) que tinha a mesma confissão religiosa, mas cenários geográficos mais alargados de configuração romanesca. Creio que não é apenas, por cronologia, mas Mauriac está mais esquecido.
Injustamente, creio. Se o inglês Graham Greene, pelos vários continentes, instala no Homem um inato pecado original ou sentimento de culpa que ele carrega inexoravelmente, talvez sem lhe saber a causa, Mauriac é sobre a Mulher que se debruça, quase sempre. Provinciana e prepotente, dominadora e malsã. Manipuladora de famílias e sentimentos num perímetro que se situa, com frequência, em redor de Bordéus. Como se essa geografia trouxesse consigo a raiz do Mal, como marca de um destino fatal.

para H. N., com as melhores lembranças.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Expectativas


Nem sempre, e à primeira vista, o TLS me permite alimentar grandes expectativas de leituras. Mas o último (nº 6066), que ontem adquiri, abriu-me logo o apetite. A imediata empatia com a capa de Darren Smith e o nome de John Updike (1932-2009) despertaram-me a atenção. Talvez venha a ser o ponto de partida para eu ir reler o grande romancista norte-americano. Embora Claire Lowdon se precate, ao duvidar que os seus temas possam ainda agradar à juventude. A  abordagem, simultânea e comparada, com Bellow, Mailer e Roth não deixa de ter interesse, mas revelar alguns riscos.
Mas este TLS traz ainda artigos desenvolvidos focando as obras de Graham Greene (The Comedians), Virginia Woolf e Scott Fitzgerald, o que me permite supor vir a ter uma semana de boas leituras. Tudo autores que conheço razoavelmente e de que gosto, desde há muito.

domingo, 2 de setembro de 2018

Atalhos e traições da memória


Graham Greene (1904-1991) gostava muito de Brighton e muitas vezes lá ia, ficando por uns dias, a saborear a estadia. Uma das suas primeiras ficções intitulava-se até Brighton Rock (1938). Desta cidade, à beira-mar, disse em Ways of Escape: "No city before the war, not London, Paris or Oxford, had such a hold on my affections". Isso não impediu que, nas suas memórias, não cometesse vários erros de pormenor, nomeadamente, em relação a números de autocarros da cidade, ou datas. Refere, por exemplo, que com 6 ou 7 anos, em 1911, teria visto, num cinema local, o filme Sophy of Kravonia, baseado numa história de Anthony Hope. Ora, o filme foi realizado apenas em 1920, o que invalida essa visão antecipada do escritor britânico...
A memória parece ter uma imaginação autónoma, por vezes, criando assim ficções improváveis. Não me atrevo, eu, a dizer, por exemplo, que filmes terei visto na Alemanha ou na Inglaterra. E vi, tenho a certeza. Posso, no entanto afirmar, garantidamente, que o primeiro filme que vi em Lisboa, da primeira vez que vim à Capital, foi "A Colina da Saudade", em 1956, no Cinema Tivoli, realizado por Henry King, com Jennifer Jones e William Holden. A música, Love is a Many-Splendored Thing, ficou-me para sempre na memória. Quase outro tanto, poderia dizer do único filme que vi em Paris, num salão de cinema, ronceiro e sujo. Em relação à data, ou foi 1963 ou 1964, mas em Setembro, de certeza. De seu título Les Diaboliques (1955), numa realização de H. G. Clouzot (1907-1977), com boas interpretações de Simone Signoret e Paul Meurisse.
Era um filme policial de qualidade, e impressivo, baseado num polar da dupla Pierre Boileau e Thomas Narcejac. Cujas imagens, de grande realismo visual, me ficaram na memória. Apesar de já se terem passado cerca de 55 anos...

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Uma vez espião, espião sempre


Não sei já quem disse que alguém que tenha sido espião, será sempre um espião. Ainda que em part-time. O meu amigo H. N. concorda com esta asserção, assim como eu, e muitas vezes, em amena cavaqueira bem disposta, pômo-nos a especular sobre alguns nomes portugueses, de várias profissões, entre comentaristas, jornalistas e até diplomatas, que o poderiam ter sido, sobretudo pela quantidade e qualidade de informação privilegiada que mostram possuir.
O jornal Le Monde, neste período ligeiro da silly season, tem vindo a publicar artigos de página inteira sobre escritores-espiões. Um dos primeiros, foi sobre John Le Carré. E são referidos, entre outros, Somerset Maugham e Frederick Forsyth. Graham Greene (1904-1991) é um dos últimos retratados, no jornal francês, que informa que o romancista católico inglês, trabalhou no MI6, directamente, com o célebre duplo espião Kim Philby.
Oficialmente, Greene terá abandonado o serviço de espionagem em 1944, mas um seu biógrafo (Michael Shelden) arrisca dizer que o romancista terá continuado a colaborar até finais dos anos 70, com os serviços de informação ingleses. Irónico ou não, numa entrevista ao Guardian, em 1971, Graham Green terá afirmado que: A Igreja católica é o melhor serviço de informações que eu conheço. Quem sabe, sabe...

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Irrealidades


O velho almirante já um pouco escalavrado, depois de pesquisar as edições da A. G. U.  na segunda estante, à direita de quem entra, foi sentar-se pesadamente no maple verde de napa, ao fundo da loja, muito próximo do maçon insular, de memória prodigiosa, que folheava um livro, na estante dos truncados.
O gordalhufo, que escreve no Público às terças e quintas-feiras, sopesava " A Educação Sentimental", de Flaubert, mas já se tinha apossado de um folheto sobre as campanhas de África, quem sabe se no intuito de se documentar sobre os Comandos e vir a escrever uma crónica para denegrir um partido de esquerda.
O jovem historiador e ramalhudo universitário, que tentou branquear o salazarismo por palavras mansas e cristãs, arrebanhou um von Clausewitz, com gula, e perfilou-se a olhar, indeciso, para uns Ensaios, ainda literários, de Franco Nogueira. Creio que não os levou, que a literatura nunca foi o seu forte.
Eu trouxe umas recensões de V. S. Pritchett, que mais parecia um tijolo. Mas que falavam e tinham capítulos sobre Eça e Graham Greene, e isso me bastou para esportular alguns euros. Poucos. Com o livro, veio também um postal retro com uma aguarela de Alberto de Souza, que ainda há-de aparecer no Arpose.
No entretanto, chegou o meu Amigo.

para H. N., que sabe do que eu falo...

terça-feira, 26 de julho de 2016

Citações CCXCII


Católicos e Comunistas cometeram grandes crimes, mas, pelo menos, não se puseram de lado, como instituições estabelecidas, e não ficaram indiferentes. Eu preferiria ter sangue nas minhas mãos, em vez de água como Pilatos.

Graham Greene (1904-1991), in The Comedians (1966).

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Última safra


Ontem, foi um fartar vilanagem!...
Depois do almoço, uma caverna de Ali-Babá, desarrumadíssima, onde milhares de livros se desordenavam em prateleiras e no chão, ali para a Estrada de Benfica. Optei pelos policiais, acima, mais La neige était sale, de Simenon. Destaque para a capa de Jorge Colombo, no volume da Colecção Xis que, habitualmente, era ilustrada por Edmundo Muge. Esportulei 5 euros.

Já mais tarde, o meu Alfarrabista de referência. Que levara a efeito recentemente uma venda temática, no sábado passado e que eu preanunciara (poste "Última hora", de 30/5/2016). Foi muito falada esta quermesse. E concorrida. Até ocasionou artigos em jornais, com fotografias e tudo.

Deparei-me com os despojos da batalha, mas ainda havia alguns troféus. Porque ainda comprei uma primeira edição de  contos de Graham Greene, e algumas outras obras que me interessavam. Foram 15 euros bem empregues. E devo ter leitura para todo o Verão.
Hoje, não saio de casa, para evitar mais tentações...


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Revivalismo Ligeiro CXXIX


Acontece que, por escassez televisiva de qualidade fílmica, tenho vindo a ver, no Youtube, a interessante série Smiley's People (1982), da BBC, baseada na obra homónima de John Le Carré. A temática e o ambiente, por associação, além da magnífica interpretação de Alec Guinness, levaram-me a folhear a tradução portuguesa de O Terceiro Homem (nº 6 da celebrada colecção Miniatura, da Livros do Brasil), de Graham Greene. Daí foi um passo até me lembrar do sucesso que o tema musical (criado e interpretado pelo austríaco Anton Karas) da película teve, em anos já  recuados do século XX. A utilização da cítara, pelo seu tom exótico, terá também contribuído decerto para a sua divulgação muito popular. Aqui deixo essa música original, em evocação saudosa.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Pequena história (29)


Profissão pouco conhecida na Europa, embora existente na Inglaterra, o Editor tem, nos Estados Unidos, um papel fulcral e determinante, no aconselhamento aos escritores, de rectificações e alterações de romances e outras obras, no sentido de um melhor êxito das publicações. Quando não é ele próprio que, tiranicamente, modifica a trama romanesca de um livro, para que se venda mais e melhor.
Conta-se, no entanto, que um editor terá feito algumas observações, por escrito, a Graham Green (1904-1991) nomeadamente sugerindo que ele alterasse o título do livro Travels with my Aunt, que viria a ser publicado em 1969.
Abespinhado, o Escritor respondeu com um sucinto telegrama, dizendo: "Talvez seja melhor eu mudar de editor". O livro viria a ser publicado, pouco depois, mantendo o título original...

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O católico Graham Greene e o Santo Ofício


"...Nos anos 50, fui convocado pelo cardeal Griffin, para a catedral de Westminster, para o ouvir declarar que o meu romance «O Poder e a Glória», publicado dez anos antes, tinha sido condenado pelo Santo Ofício, e que o cardeal Pizzardo exigia alterações que, naturalmente - mas julgo que educadamente -, eu recusei fazer. O cardeal Griffin fez-me ver que teria preferido a condenação de «O Fim da Aventura». «Evidentemente, disse-me ele, nem o senhor nem eu podemos ser afectados por passagens eróticas; mas os jovens!...» Respondi-lhe - e era bem verdade, mesmo que eu tivesse esquecido a influência perniciosa de Sir Lewis Morris - que uma das experiências eróticas mais precoces tinha sido, em mim, provocada pela leitura de David Copperfield. Após o que a entrevista se encerrou abruptamente, e o cardeal, com rapidez fulgurante, me pôs nas mãos um exemplar duma carta pastoral que viria a ser lida nas igrejas da sua diocese e que condenava implicitamente a minha obra. (Infelizmente, só mais tarde pensei em pedir-lhe que a autografasse.) Em sequência, quando o papa Paulo VI me declarou, por sua vez, ter lido "O Poder e a Glória", entre outros dos meus romances, respondi-lhe que neste caso tinha lido um livro condenado pelo Santo Ofício. A sua atitude foi mais liberal que a do cardeal Pizzardo.
«Há em todos os seus livros, disse ele, passagens que ofenderão sempre certos católicos. Mas não há razão para se inquietar.» É um conselho que eu segui sempre à risca. ..."

Graham Greene (1904-1991), in A Sort of Life.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Graham Greene : influências...


"...A influência das primeiras leituras é profunda. Grande é a parte do porvir que repousa nas estantes de uma biblioteca. Elas pesam infinitamente mais sobre o comportamento, estas primeiras leituras, do que qualquer educação religiosa. Estou convencido que eu não teria dado uma falsa partida, aos vinte e um anos, na British-American Tobacco Company, que me tinha prometido um lugar na China se não tivesse lido "A coluna perdida", do capitão Gilson; e sem conhecer Rider Haggard, teria eu ido, mais tarde, para a Libéria? (Isto acabou por desembocar sobre um trabalho na Serra Leoa durante a guerra. Em Oxford, informei-me vagamente sobre a marinha nigeriana, como capaz de me oferecer uma carreira possível.) E isto deve-se certamente a "A filha de Montezuma", com a história da desastrosa retirada nocturna de Cortez, que acabou por me levar, vinte anos depois, até ao México. Em contrapartida "Os Antropófagos" de Tsavo fixaram em mim um vago estereótipo da Africa Oriental, que nem mesmo Hemingway me conseguiu fazer desaparecer. Apenas uma encomenda de uma reportagem sobre os Mau-Mau, em 1951, e o sentimento do perigo nas estradas do país Kikouyou o conseguiram, com sucesso.
A poesia, nesse estado da minha existência, não teve grande significado para mim. A antologia que nos distribuíam, nas classes preparatórias, estava cheia de poemas imbecis, ..."

Graham Greene (1904-1991), in A Sort of Life.

sábado, 20 de abril de 2013

Duplicações


Com o tempo, os arquivos demasiado cheios e a memória, cada vez menos infalível, acabamos por ver filmes que já tinhamos visto, e comprar livros que já tinhamos nas estantes. Se, no meu caso particular, há algumas (poucas) duplicações intencionais, é porque gosto de ter sempre à mão, nos dois locais onde me possa encontrar, alguns autores de eleição. É o caso das obras de Sá de Miranda, da lírica de Camões ou de alguns livros de Eugénio de Andrade. Porque, se a poesia, muitas vezes, urge, a prosa pode, quase sempre, esperar...
A última das duplicações involuntárias, só dei por ela ontem e o livro já o devo ter comprado, há meses. Sente-se sempre algum desconforto nestas constatações do esquecimento. Mas tem remédio, há um amigo meu que também gosta de ler o Graham Greene... Nem tudo se perdeu.

domingo, 29 de julho de 2012

John Le Carré


Creio que um livro bem escrito resiste, quase sempre, a uma tradução, desde que honesta, mesmo que não seja mimética, nem muito genial.
Acho que nunca tinha lido este livro (O espião que saiu do frio, Minerva, 1973) de John Le Carré (1931). Mas vi o filme, de 1965, com Richard Burton e Claire Bloom, e gostei muito.
A obra, The spy who came in from the cold, que Graham Greene elogiou, entusiasticamente, teve o prémio Somerset Maugham e é um belíssimo livro da temática de espionagem, no tempo da Guerra Fria. John Le Carré que, por breve espaço, foi também espião, sabia do que falava. A atmosfera que consegue criar e transmitir, a descrição que faz destes homens sem alma, secos e estruturados na sua própria solidão, faz desta obra, de grande qualidade literária, um belo romance.