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sexta-feira, 12 de junho de 2015

O regresso dos bifes


Estilo e escrita, descuidados, libérrimos. Movimento: muito. Descrições bem vivas. Retrato impiedoso de um Reino Unido, com as suas abjecções e praias enlameadas, suas classes e gastronomia inclassificável. A boçalidade dos nativos e as asperezas do clima.
O livro lê-se de um rasgo, que as aventuras são muitas, insuspeitáveis e surpreendentes. Pícaro do século XXI, este livro de um cientista português (João Magueijo), a viver na Inglaterra, há vários anos, fez-me lembrar as obras de um José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832), mas que já não temesse o uso do palavrão, nem a Censura.
Um bom divertimento, que se pode ler na praia, sem preocupações de ordem literária. Ligeiro e fresco, excessivo nas tintas carregadas, na caricatura grotesca dos súbditos de sua Majestade britânica. Com muito pouco chá...

os melhores agradecimentos a H. N., pelo empréstimo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Recomendado : dezasseis - sobre os livros


Antes de mais, uma declaração de interesses: não sou isento em relação a George Steiner (1929). Porque é um dos meus autores de referência e cabeceira.
Este voluminho, de 72 páginas, das quais 42 ocupadas pelo texto de Steiner, muito bem traduzido por Margarida Sérvulo Correia, para a Gradiva, e publicado em 2007, é absolutamente estimulante. Daí a recomendação que faço. E aqui vai um cheirinho:
"...Sopra um arzinho frio de desumanidade na torre de Montaigne, nas regras estabelecidas por Yeats, segundo as quais o homem deve escolher entre a perfeição da vida e a da obra, ou na certeza de Wagner de que os que o tinham auxiliado durante a vida não tinham de ser ressarcidos porque bastava figurarem numa nota da sua biografia para se tornarem imortais. ..."

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Recomendado : Três - George Steiner


"É bem possível que a erudição mais elevada seja tão rara como a grande arte ou a grande poesia. Alguns dos dotes e qualidades que exige são óbvios: uma capacidade de concentração excepcional, uma memória poderosa mas minuciosamente precisa, finura e uma espécie de cepticismo piedoso a manejar a demonstração e as fontes, clareza na apresentação. ..."
(George Steiner, in "George Steiner em The New Yorker", pg. 271)

Eu gosto do vento. Acho que sempre gostei do vento, mesmo quando ele é agreste, como numa noite de Agosto, em Blankenberge que, de tão frio, me chegou aos ossos. Perdôo-lhe essa algidez tão intensa, que quase me pareceu mortal: precisa, certeira, no limite. Sem agasalho nenhum, nessa praia do Mar do Norte.
O pensamento de George Steiner (1929) é, também, preciso e certeiro no seu objectivo, mas não será final. Se E. M. Cioran, depois de Camus, foi meu guia (até por oposição) desde meados dos anos 60, Steiner continua a ser, felizmente ainda vivo, o meu mestre de ideias, de itinerário, de aviso, nesta viagem que se acaba com a morte. Porque transmite a sua lucidez de espírito que se vai reflectir no leitor, mas também essa alegria, juvenil ou madura (pouco importa) de viver. Aconselho, por isso, vivamente o livro "George Steiner em The New Yorker", da Gradiva, com excelente tradução de Miguel Serras Pereira e Joana Pedroso Correia, saído em Junho deste ano da graça de 2010.