Recuando
algumas décadas, e recorrendo à experiência pessoal, acontece que houve livros
de infância e escolares – já que abomino o jargão “Manuais” – que nos ficaram
na memória visual pelo grafismo. Outros recordo pela ambiência das histórias
que nos contavam e o insólito de promover a leitura em idade escolar.
Jamais
me esquecerei das “aulas de lavores” em que a professora, depois de explicar as
tarefas a executar - bordados, costura, malha ou “crochet” – se recolhia
sentada na sua secretária, pegando num livro, começava a ler uns livros. À
distância, pouco interessa um fundo ideológico das histórias, mulheres de um
lado e homens do outro, porque o crescimento mental procedeu à actualização em
conformidade com a evolução da sociedade. O que ficou, de facto, foi um
ambiente estimulante de encontrar na palavra escrita outros universos do que o
quotidiano conhecido. O que importa, para promover a leitura, são momentos únicos
em que a criatura descobre que o mundo se poderá abrir através dos livros e sem sair do lugar
de origem.
Quanto
ao grafismo, não tenho dúvida de que os livros infantis ganharam imenso em
qualidade de imagens. De tempos recuados apenas me lembro do aspecto do meu
livro de “Primeira Classe”, amarelinho com desenhos de bichinhos muito bonitos.
Tenho pena de não o ter conservado.
Gosto
de acompanhar a evolução do grafismo dos livros infantis. Não faço colecção por
falta de espaço, mas tenho pena, porque alguns livros são uma tentação.
Sucede
que, ontem, por mão amiga nos entraram vários livros infantis e escolares, em casa. Numa
junção perfeita, primam pela qualidade das imagens e do conteúdo. Alguns, na
sua fina ironia e observação do quotidiano, parecem um “animatógrafo” em que o
leitor, muito para além da boa disposição, aprende a olhar de forma diferente
para o presente e o passado.
Este último "Livro de Leitura" aconselha-se a quem queira desenvolver, precocemente, a capacidade de entender e explorar a riqueza da língua, sobretudo na sua capacidade de criar e jogar com "segundos sentidos". São jogos inofensivos e, talvez por isso, cada vez mais raros !
Post de HMJ, dedicado a A.J.Monteiro