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quinta-feira, 27 de junho de 2024

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

impromptu 71



Fica esta música coral de Evanthia Reboutsika (6/11/1958) para acompanhar o poste anterior e tendo como motivo a data festiva de Margarida Elias.

domingo, 24 de julho de 2022

Da leitura 52



Da releitura em vez de leitura, diria eu melhor, mas depois de iniciar o livrinho de Helder Godinho, apeteceu-me foi revisitar o romancista pensador. Peguei assim, de seu concreto, na Conta-Corrente 1 (1969-1976) e já vou, gostosamente, na página 98. Talvez porque a maneira de ser dos povos sempre me interessou, destaco, transcrevendo:

"Regressados da Grécia. Da Grécia actual, nada visto. Só entrevisto. Terra agreste, montanhosa, apenas verdura no Peloponeso. Não vi um curso de água. Fizemos três viagens «turísticas»: a Delfos, à Argólida e uma por mar, às ilhas Egina e Hidra. Grandes espaços desabitados, uma ou outra pessoa de longe em longe pelos campos. Aspecto miserável. O Grego lembra o Português: pequeno, aspecto sujo, aldrabão. Fui logo vigarizado, assim que cheguei, por um motorista." (pg. 94)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Duas picardias de um poeta grego



Nada de puro nem livre pode ver a luz do dia neste país (Grécia); o nosso Sol dá nascença às moscas.
...

Há duas semanas que não pára de chover. Se as teorias ambientais tiverem fundamento, os Ingleses deveriam ter-se transformado em rãs.


George Seferis (1900-1971), in Journées. 1925-1944.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Uma fotografia, de vez em quando... (144)

 


Há encontros fatais. Alguns, os mais raros, no melhor sentido. Foi o que aconteceu com o fotógrafo norte-americano Robert McCabe (Chicago, 1934), a primeira vez que foi à Grécia, no ano de 1954. Talvez por ser numa idade em que há lugar para deslumbramentos. Mikonos, Santorini, entre outros locais passaram da sua Rolleiflex para memórias pessoais de encantamento.



Os gregos retribuiram este seu afecto, nunca desmentido, nomeando-o recentemente cidadão honorário da Grécia. Foi o que se chama um amor retribuído e feliz...



domingo, 4 de novembro de 2018

Revivalismo Ligeiro CCXXXVII


Para lembrar o tempo em que os ventos sopravam da esquerda...

sábado, 3 de março de 2018

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

domingo, 12 de julho de 2015

Apontamento 72: Grandeza



Curioso apelo de um jornalista, no DER SPIEGEL de hoje, apelando à Srª Merkel para “mostrar grandeza” perante um projecto superior a qualquer “racionalidade contabilística”, i.e. incentivando-a a optar por defender uma Europa de Paz.

Defendi, numa conversa familiar sobre a conturbada História da Europa, que a maioria dos alemães nem têm noção da sua História, como demonstra o seu actual “contabilista-mor”. Duvido, por isso, que a Srª promovida, durante algum tempo como protagonista da História Alemã, a chanceler, alcance o sentido profundo do apelo do jornalista.

Duvido, pois, da suprema inteligência de chanceleres cientistas, mesmo de físicas ou químicas, quando se reduzem ao seu terrunho. Sucede que, com frequência, não percebem o mundo na sua essência geográfica, humana, cultural e social. Por isso, apelos “a grandeza de espírito” não têm o seu efeito, porque a pessoa em causa não alcança o imperativo: ético, cultural e humano.

Para tentar redimir este pecado supremo de humilhação de um povo – neste caso da Grécia – lembrei-me da Sinfonia Renana de Schumann que, nos meus tempos de adolescência, abria o noticiário local. Era uma altura em que a cultura se aliava à política. Ou seja, bons tempos de grandeza de espírito que, infelizmente, não existem actualmente.


Post de HMJ 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Uma imagem / um poema, ou: "Nós não somos a Grécia!"


Primeiro levaram os negros,
mas não me preocupei com isso:
porque eu não era negro.

De seguida, levaram alguns operários,
mas não me preocupei com isso:
eu nem era operário.

Depois prenderam os malandros,
mas eu não me preocupei com isso:
porque eu não sou malandro.

Depois levaram alguns desempregados,
mas como eu tenho emprego
não fiquei preocupado.

Agora vieram para me levar,
mas já é muito tarde.
Como não me preocupei com ninguém,
ninguém se importa comigo.


Nota: versão muito livre do poema de Bertolt Brecht.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Adivinha quem vem jantar


O filme (1967), de Stanley Kramer, cujo título plagiei para este poste, com interpretações de Katharine Hepburn, Spencer Tracy e Sidney Poitier, era uma espécie de fábula. No caso particular, sobre o racismo. Quando a filha (Katharine Houghton), do casal branco, traz o namorado preto ( Sidney Poitier) para jantar e apresentar aos pais, a única reacção negativa e discordante é a da velha criada (Isabel Sanford) - que é preta...
Ora, no caso do problema grego, curiosamente, os mais inflexíveis e intolerantes (Sigmar Gabriel, alemão, e o holandês encaracolado, com voz entre o falsete e a sopinha de letras) que, sendo socialistas (?) ou social-democratas (?), era suposto terem uma visão mais construtiva, não têm. Até mesmo Renzi, que entrou no governo italiano pela porta dos fundos, se mostra mais interessado num consenso e em ouvir os gregos.
E já nem falo dos criados (ou bons alunos), que completam esta nova fábula da Europa.

sábado, 4 de julho de 2015

Apontamento 71: Deformação (bis!)


[capa da Revista: Der Spiegel, usando o termo de "Trümmerfrau" numa alusão às mulheres que, no final da Segunda Guerra Mundial, se orientaram nos destroços]

Depois de termos falado da deformação que corresponde, actualmente, a um "jornalismo" que se auto-denomina de "independente", basta consultar a imprensa alemã, um dia antes do referendo grego, para clarificar conceitos básicos. A saber: a informação passou a ser propaganda. 

Tudo serve para humilhar um povo. Até se insiste a falar dos "bons exemplos" de Espanhóis e Portugueses que resistiram, e bem, aos tais "programas de bem-feitorias". Aos vendilhões do templo, ou seja, aos jornalistas do Frankfurter Allgemeine Zeitung ou até da estação pública de televisão ARD, falta-lhes, na ausência de qualquer ética profissional ou dignidade pessoal, a humildade de reconhecerem a sua ignorância. São trabalhos "jornalísticos" em cima do joelho, feitos, porventura, numa esplanada qualquer o observar o mar.

É por isso que o apelo de Jacques Delors, no "Le Monde", nem sequer teve a mais leve ressonância na imprensa alemã, porque destoava no "coro" que culpa a Grécia de todo o mal.

Lá está a página do DER SPIEGEL a antecipar-se, porque se "o Euro falhar, falha Merkel", i.e. a chanceler, claro ! E juntam-se as imagens dos destroços às tais metáforas de destruição e culpa !

Oxálá, que o Domingo sirva para virar uma página nesta encenação vergonhosa da pretensa supremacia alemã, carente de qualquer clarividência ou superioridade espiritual !

Post de HMJ

Para variar e aligeirar, Sokratis Malamas (1957)


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Apontamento 69: Deformação




Se, entre outros aspectos, a Grécia enriqueceu, ultimamente, o restante espaço europeu, terá sido, seguramente, pelo seu contributo na “re-definição” dos meios de comunicação social.

Aliás, a tendência oculta de transformar os “meios de informação” em “veículos de deformação” tem um início bem definido: o avanço de Bush sobre o Iraque e a sua “campanha de informação”, com uma fotografia em que não faltou o nosso “Zé Manel”. Para os que continuam com dúvidas sobre o efeito da estratégia, não vale a pena pôr “flores” numa qualquer praia tunisina, porque são “lágrimas de crocodilo” que não convencem os espíritos esclarecidos.

De momento interessa-me mais, pelo incómodo intelectual que provoca, falar do triste espectáculo a que a Alemanha se tem prestado sob a égide de uma qualquer “angélica” de duvidosa clarividência. Na suposição de se tratar da “pessoa feminina de política” mais poderosa – sabe-se lá o que tal significa para a capacidade intelectual inerente – pergunta-se, pois, o que significa a sua última afirmação pomposa: “falha o Euro, falha a Europa”. E a responsabilidade principal não será da “pessoa mais poderosa” no meio deste baralho de actores secundários e figurantes ?

Aconselho, vivamente, um artigo no DIE ZEIT de 28.6.2015 sobre a “SALADA METAFÓRICA DA CRISE”, grega, claro ! Belíssimo trabalho jornalístico, explicando a origem e o efeito de metáforas, analisadas no seu propósito de modificar o pensamento do cidadão “de mansinho”.

A deformação dos meios de comunicação demonstra, claramente, que o jornalismo – sério e de informação – se encontra em declínio. São poucos os jornais que fornecem INFORMAÇÃO, deformando, lenta mas decididamente, as cabeças dos cidadãos.

E o “anjo” mais poderoso da Europa não sabe o que há-de fazer perante tanta miséria ???

 Post de HMJ

domingo, 28 de junho de 2015

Adagiário CCXXIV


Se estivermos molhados, já não temos medo da chuva.

Provérbio grego

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Apontamento 65: Cidadania


Uma informação objectiva sobre os problemas que a Europa enfrenta, tomando como ponto de partida a Grécia e a política de austeridade como inevitabilidade, não tem sido tarefa fácil. A contra-informação, designadamente na imprensa alemã, é poderosíssima. No entanto, há algumas honrosas excepções, razão pela qual tenho andado a ler, frequentemente, o semanário DIE ZEIT.

Nestas leituras, a última descoberta foi o vídeo cuja audição aconselho, vivamente, sublinhando que dei os 90 minutos por bem empregues:



e termino com uma saudação fraterna a todos aqueles que se empenham numa reorientação da Europa para os seus valores fundamentais. 

Post de HMJ

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Da diáspora, e com açúcar


Para o reino do Sião (Tailândia) terão ido, emigrantes, 607 portugueses.
A fazer fé numa informação, que li há pouco tempo, serão menos de 200, os gregos em Portugal. Ou seja, feitas as contas, e como temos 292 portugueses emigrados na Grécia, ganhámos por cerca de 1/3.
Compreende-se. Como os portugueses são mais obedientes, seguiram o conselho avisado do nosso clarividente PM. Embora, como ele diz: nós não somos a Grécia. Ele é que cada vez se parece mais com o lulu da sra. Merkel. Não da Pomerânia, como os que têm pedigree, mas de Massamá, que são mais a dar para rafeiros.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Apontamento 62: A inversão da pirâmide


Ao que parece, e por testemunhos vivos, pouco se fala, actualmente, de Portugal na Alemanha, no meio da tempestade grega.

Pudera ! Nunca a chancelaria alemã sonhou ter, e de graça, uns Limas e Coelhos como porta-vozes tão solícitos, obedientes e explícitos na defesa do mundo financeiro.

De facto, nos contos de fadas jogam-se, para a instrução de almas cândidas, os conceitos do Bem e do Mal.

Senão, vejamos, [pedindo paciência para o gráfico legendado em Alemão]:

Wohin flossen die Griechenland-Milliarden?
Die Grafik zeigt, wofür die griechische Regierung die Gelder des rund 230 Milliarden Euro schweren Hilfspakets verwendet hat.
1 - 81,3 Mrd. Euro
Ablösung von Altschulden
2 - 48,2 Mrd. Euro
Bankenrestrukturierung
3 - 40,6 Mrd. Euro
Zinszahlungen
4 - 34,6 Mrd. Euro
Schuldenschnitt 2012
5 - 11,3 Mrd. Euro
Rückkauf von Schulden
6 - 9,1 Mrd. Euro
Rückzahlungen an den IWF
7 - 2,3 Mrd. Euro
Einzahlungen in den ESM
8 - 27,0 Mrd. Euro
Ausgaben Staatstätigkeit


O Jornalista do DIE ZEIT, no seu artigo publicado a 6.2.2015, responde à pergunta sobre os descaminhos dos biliões da Grécia, que encima o gráfico, com um subtítulo elucidativo: “apenas uma ínfima parte chegou aos cidadãos gregos”. Com efeito, e de forma sumária, as posições 1 – 7 do gráfico correspondem a dívidas e pagamentos das mesmas, reservando para as despesas correntes do estado a posição 8.


Cabe, pois, à Europa, com o sinal grego, mudar a tendência desta pirâmide invertida e, como nos “contos para crianças”, enfrentar o “lobo mau” que, vestindo a pele da avozinha, disfarça a sua real intenção. No final, ficamos a saber quem queria comer as criancinhas e, com a Humanidade das forças do Bem, elas salvaram-se e deixaram um sinal de esperança.

Post de HMJ