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sábado, 29 de abril de 2023

Pinacoteca Pessoal 193



Creio que foi Giorgio Vasari (1511-1574)  que atribuiu a morte prematura  de Rafael Sanzio (1483-1520) aos seus excessos amorosos, não havendo garantia, no entanto, de que as práticas tivessem por parceira unicamente a Bela Fornarina (Margherita Luti), sua musa e mais conhecida modelo que, inexplicavelmente, e apesar de instada a fazê-lo, nunca se quis casar com o pintor. Um dos retratos mais conhecidos da amante pertence ao acervo do Palácio Barberino. E terá sido pintado entre os anos de 1518 e 1519.



Rafael, apesar da sua curta vida, tem uma obra extensa, quer do ponto de vista religioso, quer com motivos laicos, sobretudo como retratista notável, sendo muito requestado para encomendas, que nem sempre aceitava de ânimo leve. O interessante retrato de Guidobaldo Montefeltro, abaixo, terá sido acabado por 1506.



O tema mitológico clássico da três Graças, representando a Castidade, a Voluptuosidade e a Beleza foi executado em 1504, enquanto a Dama com o Unicórnio(acima)  terá sido pintado por Rafael nos dois anos posteriores.

O pintor é considerado, com Da Vinci e Miguel Ângelo, como o trio de artistas renascentistas, por excelência.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Pinacoteca Pessoal 167


A obra de Domenico Ghirlandaio (1440?-1494) fala por si. Mas também dele falou Giorgio Vasari, que se ocupou de biografar os nomes grandes dos pintores da Renascença italiana. Dizem que Ghirlandaio terá sido um dos professores de Miguel Ângelo, o que só abona e reforça a qualidade do seu mestrado.


Com obra realizada em Florença e Roma, principalmente, são de destacar os frescos da igreja de Santa Maria Novella, de índole religiosa, ou a decoração da capela Tornabuoni. Retratos das figuras gradas florentinas pontuam também os seus quadros. Não esquecendo, porém, o magnífico retrato de Dante. Que, para cotejo, convirá emparceirar com o homónimo executado por Botticelli.


terça-feira, 15 de abril de 2014

O fascínio pelo perdido ou inacabado


Será talvez característico da natureza humana criar um grande fascínio por obras que, desaparecidas por razões acidentais, misteriosas ou outras, nunca mais foram descobertas. Bem como por algumas que, tendo sido projectadas, nunca foram feitas.
De incunábulos referidos no passado, mas nunca encontrados, até ao desaparecido Parnaso que Camões andaria a escrever, e jamais apareceu. Do fresco A Batalha de Anghiari, que Leonardo da Vinci teria pintado, por volta de 1505, e de que só se conhecem esboços, nos seus cadernos, e uma cópia feita por Rubens, posteriormente. Muito embora, em 2012, se tenha aventado a hipótese de ele se encontrar por trás de um fresco de Vasari, no Palazzo Vecchio, em Florença. Mas tudo são suposições.
Mais recentemente, poder-se-ia falar, também, de Il viaggio di G. Mastorna, que Fellini planificou ao pormenor e escreveu, com Dino Buzzati, mas que acabou por jamais realizar.
Não esquecendo a 8ª Sinfonia (Incompleta) de Schubert, que o compositor nunca chegou a terminar, e que nos deixa, ainda hoje, suspensos, do que poderia ter sido...

domingo, 13 de outubro de 2013

Pinacoteca Pessoal 60


Não sendo dos mais citados pintores da Renascença, o florentino Mariotto Albertinelli (1474-1515) é referido por Vasari.
Esta obra de laica religiosidade, poderia representar apenas o encontro de duas boas amigas, na sua linearidade simples e clássica. Sabemos, no entanto, que se trata da "Visitação" da Virgem Maria a sua prima, Santa Isabel. E há nele um rasgo de extrema originalidade pictórica no aperto de mão familiar, entre as duas mulheres, que julgo ser único na pintura europeia.
O quadro de Albertinelli, de 1503, pertence ao acervo dos Uffizi, em Florença.

sábado, 20 de abril de 2013

Ticiano


A propósito da recente saída de uma extensa biografia de Ticiano (1485?-1576), escrita por  Sheila Hale, o último TLS, pela pena de James Fenton, dedica um longo artigo ao grande pintor italiano, recenseando, com elogios o trabalho da biógrafa. É referido também que os únicos pintores europeus, cuja reputação de mestres nunca sofreu alterações, mantendo uma estabilidade constante, foram apenas 3: Rafael, Rubens e Ticiano. Esta última afirmação só me surpreendeu por incluir Rubens...
Por outro lado, uma melhor atenção à obra de Ticiano, e ao que dela diz Vasari, permitiu, recentemente, que a National Gallery (Londres) atribuisse, em definitivo, ao pintor italiano, o retrato de Girolamo Fracastoro (reproduzido em imagem), poeta que é conhecido, sobretudo, por ter dado nome, pela primeira vez, à sífilis. O quadro, que integra o acervo do Museu, desde 1924, era considerado como apenas pertencente à escola de Ticiano, e encontrava-se nas reservas da National Gallery.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Em louvor de Giorgio Vasari


Homens há que dedicam a sua vida à glória dos outros, e da sua obra, talvez porque tenham a modéstia e coragem de os acharem superiores a si mesmos. É um sentimento de generosidade que não é muito frequente nos seres humanos.
Se não fosse Giorgio Vasari (1511-1574) saberíamos, hoje, muito menos coisas sobre Filippo Lippi, Botticelli ou Ghirlandaio. E Vasari não era, propriamente, escritor, mas também pintor. Se não fosse Gomes de Amorim, não saberíamos tudo o que sabemos sobre Almeida Garrett.
Vou citar Vasari pelas últimas palavras do seu livro: "...não me peçam nada para além do que sei e do que posso, e tenham em conta o meu vivo e inalterável desejo de ser útil e agradável aos outros."

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Pinacoteca Pessoal 3 : Sandro Botticelli


Sandro Botticelli (1446?-1510) cujo apelido, segundo Vasari, terá vindo de uma alcunha do irmão do pintor, que era gordo, e que significa "pequeno pipo", foi aluno de Filippo Lippi, mas cedo adquiriu autonomia artística. Botticelli era um homem perdulário, mas pintor de sucesso na época. Também foi atraído pelo verbo ardente de Savonarola. A estética elegante das suas figuras acrescenta-se, nas suas obras, a uma aérea arquitectura renascentista, de grande beleza - que aprecio muito.
O quadro "Marte e Vénus", pintado por volta de 1485, foi uma encomenda da família Vespucci, e encontra-se, hoje, na National Gallery, de Londres. O alongamento das figuras reclinadas, levado ao extremo por Botticelli, nesta obra-prima, acresce ao contraste entre a tranquilidade e despreocupação do sono de Marte e a vigília atenta (e amorosa?) de Vénus.
Não resisto a citar-me, através dum dístico de Novembro de 1983, inspirado neste quadro do Pintor, incluído em Equilíbrio (pg. 59):

Não acordes a alma de quem dorme
sua contradição por um só rosto.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Há 500 anos, Sandro Botticelli




Alessandro di Marino Vanni Filipepi nasceu em Março de 1446 (?) e veio a falecer a 17 de Maio de 1510, exactamente há quinhentos anos. Mas a sua pintura ainda hoje parece moderna. Sendo Sandro um diminutivo de Alessandro, o apelido Botticelli - que significa pequeno pipo - veio-lhe da alcunha do irmão mais novo, Giovanni, que era gordo. Esta é a explicação que dá Giorgio Vasari, pintor também e arquitecto que o biografou, bem como a mais seis artistas da época. Botticelli cedo começou a trabalhar como aprendiz de ourives mas, insatisfeito, passou para aluno do pintor, já consagrado, Fra Filippo Lippi. Dadas as suas qualidades de artista e sucesso das suas obras, foi apoiado pela poderosa família dos Medicis. Ainda segundo Vasari a primeira "Adoração dos Magos", de 1475, retrata Cosimo Medici (que é o rei mago mais velho que, ajoelhado, beija o pé de Jesus menino), Giuliano e Giovanni Medici - todos como reis magos. E do lado direito do quadro, em primeiro plano, há um auto-retrato do próprio Sandro Botticelli. O pintor, embora ganhasse bom dinheiro com as contínuas encomendas que lhe faziam, era também muito perdulário. Foi, por algum tempo, um adepto fervoroso do apocalíptico orador Savonarola.
A pintura de Botticelli é reconhecida por uma aérea elegância de corpos e movimento onde parece haver o desejo impossível de cruzar o sacro com o profano, a mitologia greco-romana com a simbologia cristã, num neo-platonismo ideal.