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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Traços geracionais


A paleografia permite-nos descodificar documentos do passado, em que as inscrições assumiam sinais diferentes dos de hoje e, por isso, um cidadão normal não os conseguiria perceber.
Por outro lado, o tipo de caligrafia usado na escrita ajuda-nos a localizar, quase sempre uma época e o tempo em que viveu o autor do texto manuscrito. Sobretudo, se esse tempo for próximo de nós e nos tivermos habituado a esses sinais.


Já hoje não se usam, creio, os cadernos de caligrafia que disciplinavam, padronizando, os cânones prescritos para as letras do alfabeto dos núbeis alunos da Instrução Primária.
Essa escolar e forçada uniformização contribuía, assim, para caracterizar e revelar ainda mais os traços de cada geração humana.


Desses traços, porém, escapavam-se as caligrafias daqueles ou daquelas que, por circunstância estética  e singularidade de gosto, iam aperfeiçoando a sua escrita, ao longo da vida. E, em sentido inverso, as ditas "escritas de médico" que, por vezes, se tornavam autênticos hieróglifos para os outros...
As imagens, aqui usadas, seguindo uma ordem cronológica, exemplificam modelos de caligrafias de 3 gerações  abarcando um período de cerca de 75 anos. E ilustram vários matizes de: idade, género, mas também estéticos e culturais.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Reflexões controversas, em noite de chuva abundante


A eternidade são três gerações; às vezes, apenas duas - disse-o eu, aqui, não há muito tempo, a propósito de ter perguntado a um amigo se ele sabia o nome completo, pelo menos, de um dos bisavôs. Quantas das nossas fotografias de família - em caixas de cartão, ou álbuns amarelecidos pelo tempo - nos são anónimas? Quantos rostos destes se nos perderam na memória e já nem os lembramos de nome?
Há dias atrás, ao ler "Le Fils" (1957), de Simenon, verifiquei que a questão da "eternidade de três gerações" era também abordada, por outras palavras, no romance do escritor belga. Admitir o facto é, pelo menos, um passo em direcção à realidade. Os heróis de hoje são, frequentemente, os fantasmas esquecidos do futuro. Como os acontecimentos, as revoluções - quase tudo tem prazo de validade coeva e efémera.
Quantos tiranos o tempo não reabilita, infelizmente? Muitas vezes, até para justificar novas tiranias.
Por isso, não me parece prudente empolar os heróis, gritar a paixão do dia para marcar a agenda do futuro. Que esse futuro pode vir a ignorar pela estranheza e pelo distanciamento.
Aos simples, a simplicidade.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Gerações


Não posso inteiramente queixar-me. Havia pouca liberdade, é certo, quando eu era jovem; havia a perspectiva da guerra colonial e da morte, também. Mas havia algum bem-estar, mínimo. E, depois do 25 de Abril, abriu-se o futuro e a liberdade. Recentemente, no entanto, tudo começou a andar para trás, e grande parte dos jovens, entre os 20 e os 30 anos, já não terão grandes expectativas de felicidade, em Portugal.
Há dias, numa esplanada coberta, das Avenidas Novas, numa mesa contígua à minha, e muito próxima, vieram sentar-se dois jovens angolanos, ia eu a meio do meu Coelho à Caçador, acompanhado por um modesto tinto alentejano. Um dos angolanos que, pelo ovalado do corpo, poderia ser sobrinho do falecido Savimbi, pediu Bifinhos de Cebolada. O outro, que poderia ser primo da Isabelinha dos Santos, nóvel empreendedora de sucesso, optou por Moelas com batata frita e arroz. Ambos beberam sumos adocicados de lata.
Os jovens africanos falaram, maioritariamente, de miúdas e de pequenos negócios. Pareciam felizes e eu lembrei-me de Eduardo Mondlane e Amílcar Cabral, que morreram assassinados. Recordei-me de Samora Machel... Como as coisas mudaram! O clã dos Santos, de Angola, é dono de um império. Já não andam pela guerra, nem precisam de contar os Quanzas, para comprar posições maioritárias em empresas portuguesas de referência. Só vestem roupas de marca e os seus antigos camuflados só servirão para alacres mascaradas de Carnaval.
É a vingança do chinês..., o colonialismo (económico) ao contrário, a evolução das gerações. Hoje, é notícia que um grupo angolano terá comprado uma participação importante da empresa do "Diário de Notícias". Mira Amaral, flectido ligeiramente, deve com frequência encher de perdigotos, ao beijá-la, a mão delicada e elegante de Isabel dos Santos. Os nossos jovens desempregados devem andar à procura de camuflados, em segunda mão, para voltar a África. Mas não é pela reconquista... Agostinho Neto, na tumba, deve rir-se às gargalhadas.

domingo, 9 de setembro de 2012

Caprichos

Os gostos de cada geração são, na sua quase totalidade, intransmissíveis. O revivalismo ocorre, por norma, na terceira geração, afastado o crivo freudiano da morte dos pais. Mas, às vezes, aos 40, há um arrependimento da recusa e, se formos humildes e atentos, tentaremos perceber por que é que os nossos pais "gostaram daquilo".
Penso, muito sinceramente, que é inútil tentar vender, aos nossos filhos, os nossos gostos. Mas há, por aqui, também, uma certa justiça de equilíbrio (que parece divina), porque nem sempre gostamos daquilo que os nossos filhos preferem. Quando muito, fazemos um esforço para condescender. E aceitar. Até porque as suas escolhas, muitas vezes, têm critérios. Tão válidos, como foram os nossos.