Em Montpellier, no Museu Fabre, mas também em Toulouse, decorrem exposições com o título de "Corps et Ombres" (Corpos e Sombras), até 14 de Outubro de 2012. Iniciado por Leonardo da Vinci, o "chiaroscuro" atingiu o seu desenvolvimento pleno na obra de Michelangelo Morisi da Caravaggio (1571-1610), tendo Georges de La Tour e Rembrandt como continuadores mais importantes. São estes pintores, os mais representados nas exposições referidas.
Diz o povo que "mais vale cair em graça do que ser engraçado", e Caravaggio nunca me caíu muito em graça, não impedindo esse facto de eu o considerar um dos grandes da pintura europeia de sempre. A sua vida sempre "à margem", a morte misteriosa, identificarem-no como "pintor e assassino" e a sua genialidade, no conjunto, contribuíram para a lenda e atracção que provoca. De algum modo, como Villon, Verlaine, Rimbaud, noutro patamar da Arte - a Poesia. Ser "artista maldito" tem algumas compensações...
Dito isto, o "chiaroscuro" que preside às exposições faladas acima. E reforçando a exemplaridade dele, na obra de Caravaggio, vale a pena citar um biógrafo (que não consegui identificar) que refere: "Levou tão longe o seu método de trabalho que não punha nunca ao ar livre e ao sol nenhum dos seus modelos, mas encontrava maneira de os colocar na penumbra dum quarto fechado somente iluminado por uma luz que descia do tecto incidindo sobre a parte principal do corpo e que deixava o restante espaço na sombra, de maneira que a violência do chiaroscuro reforçasse o conjunto". Como se pode comprovar, aliás, no quadro em imagem, intitulado "Mulher lendo a sina".
para MR e JAD, aficionados da obra de Caravaggio. E também para Margarida Elias, por óbvias razões.