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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Da leitura 64



Auspiciosamente, o jornal Público de hoje, e por artigo bem informado de Luís Miguel Queirós (1962), levou a cabo a celebração de Agatha Christie (1890-1976), no dia preciso em que passam 50 anos sobre a morte (12/1/1976) da célebre escritora inglesa de livros policiais. A colecção Vampiro publicou 66 obras da autora, tendo sido suplantada em número apenas por dois outros autores: Erle Stanley Gardner (95) e Georges Simenon (73). LMQ destaca vinte dos mais importantes livros traduzidos para português, através de concisas sinopses dessas obras, em 3 páginas do jornal.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Recomendado : cento e dez



Acabei de comprar este Lire magazine (nº 547) que, antecipadamente, se destina ao mês de Janeiro de 2026. A temática sobre o regresso em força da literatura policial, bem como o artigo Simenon et l'école française levam-me a recomendá-lo a quem se interessa por estes assuntos específicos.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Recomendado : cento e nove

 

Não é todas as semanas que recomendo artigos da ípsilon, mas abro, hoje, uma excepção para apadrinhar um trabalho de Isabel Lucas (com 5 páginas) sobre Georges Simenon, a propósito da saída de 3 romans durs, em edição portuguesa recente. Não trazendo propriamente novidades, relembra o essencial sobre o grande escritor.
Nele se fala também de Liège e do Maas (Meuse/Mosa) que só me trazem boas recordações. Fica o aviso.



domingo, 24 de agosto de 2025

Handke sobre Simenon

 

Em entrevista a Le Monde (25/7/2025), o escritor austríaco Peter Handke (1942), referindo Georges Simenon (1903-1989), diz: "O que eu recrimino a Simenon, quando ele me faz chorar, é que ele me obriga a sentir-me muito só. Os seus livros são demasiado curtos. Depois de os lermos, estamos tramados. Emociono-me enquanto os leio, mas o que provoca ele com essa minha emoção? Normalmente, deve-se fazer frutificar uma emoção, mas ele não o faz nos seus livros. Entretanto, desde que ele começa a contar uma história, eu tenho sempre confiança nele."
Palavras que eu tenho alguma dificuldade em interpretar, até porque não experimento este tipo de sentimentos exagerados ou deslocados numa leitura normal de livros do grande escritor belga.

terça-feira, 17 de junho de 2025

Divagações 206

 

É minha convicção que o rigor e a exigência abrandaram no mundo, nos últimos tempos. A tolerância quando não o relaxe ganharam uma flexibilidade impensável ainda no século passado. Ponto assente, anteriormente, era de considerar a literatura policial como um género menor...
A precedência de Georges Simenon em La Pléiade, de algum modo, permitiu que a prestigiada colecção francesa, quase equivalente a uma academia de imortais, viesse a albergar  agora parte dos livros de Arthur Conan Doyle (1859-1930), em dois volumes. Incluindo a dita obra canónica do escritor composta por 4 romances policiais e 56 novelas, produzidos entre 1887 (Um estudo em vermelho) e 1927, que têm por figura central o detective Sherlock Holmes. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Do que fui lendo por aí...67



É um livro maciço (1.060 páginas, incluindo as notas finais) que terminei há pouco de ler, sem no entanto, ao longo do percurso, ter feito batota na leitura ou me ter desinteressado, porque Pierre Assouline (1953) fez um bom trabalho sobre a vida e obra de Georges Simenon (1903-1989).
Pelo caminho, fui tomando os meus apontamentoss com citações da obra, de que retenho duas mais interessantes, que traduzi:

- Simenon é desde há pouco o autor mais roubado nas bibliotecas municipais da cidade de Paris. (pg. 559)

- "É tempo de me passar para o clã dos velhotes", ou ainda: "Envelhecer é uma sucessão de últimas vezes." (pg. 912)

sábado, 7 de dezembro de 2024

Um Maigret

 

Alguns livros usados trazem-nos, por vezes, surpresas interessantes. O nº 1 da colecção Maigret da Bertrand, que comprei usado, há muito, trazia um carimbo de posse bem original, do seu anterior proprietário.

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Registo



É Pierre Assouline que o refere, a páginas 324 de Simenon, a propósito deste livro editado em 1937:

Do próprio testemunho do autor, Le Testament Donadieu deve ser considerado como o seu "premier roman". Dito de outro modo, o primeiro dos seus romances não policiais, a ser de facto literário, ainda que se inicie por uma morte enigmática.


Nota pessoal: este romance de Georges Simenon (1903-1989) é também um dos mais extensos dos ditos "romans durs" do escritor belga. Com 318 a 466 páginas consoante as editoras e o tipo e tamanho de letra, nas suas diversas impressões.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Antologia 21



Outros locais, outro meio. Mas deixando Fayard pela Gallimard, Simenon não muda de estilo. Ele segue o seu plano.
Seria sobrestimar realmente a influência  de um editor atribuir-lhe um tal poder sobre o mecanismo de criação de um dos seus autores. Principalmente quando este tem a força de carácter e a personalidade de um Simenon, mais inclinado a imaginar a sua obra do que a debruçar-se sobre as teorias da sua escrita. Contrariamente ao que inventaram esses ensaístas muito franceses que as classificações dão como seguras, não há uma época Gallimard, entre a época Fayard e a época Presses de la Cité, como se costuma dizer dos períodos azul ou rosa de Picasso.

Pierre Assouline (1953), in Simenon (pg. 296).

terça-feira, 2 de abril de 2024

Da construção de um policial

 
Em 1931, Georges Simenon (1903-1989), em artigo para J. K. Raymond-Millet, que veio a ser publicado em Le Courrier cinématographique de 31 de Junho, descreve de forma sucinta e exacta o uso do seu tempo, centralizado na elaboração dos seus romances policiais. O modo exemplar e pitoresco do texto justifica, para registo do Arpose, que o traduza, com base no livro de Pierre Assouline, Simenon (pgs. 228/9). Assim:




"A minha existência está segmentada em períodos de quinze dias. Em cada um destes períodos, um romance é inteiramente composto. No primeiro dia, eu passeio, sozinho e ao acaso. Corro, sento-me ou ando. Observo quem passa. Dou espaço às minhas personagens. Apresento-as umas às outras. Vejo. Quando chego a casa, já tenho o «ponto de partida» onde se desenrolará a acção e a sua «atmosfera». Não me é preciso mais nada. E nem penso mais nisso. Deito-me. Adormeço. Sonho. As personagens crescem por dentro de mim e sem o meu concurso. Em breve já nem sequer me pertencem: têm a sua vida própria. No dia seguinte e dias posteriores, eu não tenho mais nada senão contar-lhes a história. Já lhe tinha dito que dactilografo eu próprio as minhas páginas directamente sem passar pela escrita à mão? Poucos retoques ou modificações. Os meus livos saem ao primeiro jacto.
Escrevo sempre sem um plano; deixo a minha gente agir e a história evoluir seguindo a lógica das coisas. Os meus romances têm geralmente doze capítulos. Começo um capítulo cada manhã, não mais. Isto não me ocupa mais do que hora e meia; mas em seguida fico vazio para o resto do dia. Bom! doze capítulos, portanto doze dias, e isto faz com o dia de preparação, treze dias. No décimo quarto dia, eu releio o meu alfarrábio. Corrijo os erros de distracção, a pontuação, talvez uma dezena de palavras em todo o texto. E levo a obra ao meu editor. No décimo quinto dia, recebo os meus amigos, respondo às cartas que recebi entretanto durante essa quinzena, e dou entrevistas. E tudo isto recomeça exactamente da mesma forma, durante a quinzena que se segue."

sexta-feira, 8 de março de 2024

Divagações 192

 

Já uma vez por aqui referi que Maigret era bem frequentado, por alguns dos nossos escritores. Na colecção da Bertrand (49 volumes?) Georges Simenon foi traduzido, ao menos, por António Barahona da Fonseca (nº 9 e 39), Vasco Pulido Valente (nº 11), Maria A. Menéres (nº 26) e Ana Luísa Amaral (nº 27).
Pela colecção Vampiro, da Livros do Brasil, tinha já acontecido uma situação muito semelhante. Até Alexandre O'Neill traduziu Simenon. Sempre considerei este facto como uma hipótese de virem a existir versões portuguesas de melhor qualidade pelo trabalho destes escritores. Uma ou outra pequena dúvida no texto português, eu decidia-a a favor do tradutor e contra mim.
Embora as traduções de Simenon para alemão também não foram, na altura, bem apreciadas pela crítica, apesar do trabalho ter sido efectuado pelo poeta Paul Celan.
Mas a última discrepância deixou-me sem solução à vista. Tratava-se da palavra Strand (pgs. 115 e 147), traduzida no livro "O revólver de Maigret" (nº 39 da Bertrand) como masculino, por A. Barahona da Fonseca. Do meu ponto de vista, deveria ser feminina. Strand é, de significado base e linear: praia, margem, em português. Até justificável, em si, pela rua ser paralela ao Embankment do rio Tamisa, que corre nas proximidades. E, por sua vez, rua, em português, é também substantivo feminino. Daí a minha dúvida sobre esta versão portuguesa, masculina.
Mas lá afirma a sabedoria popular: No melhor pano cai a nódoa.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Para uma silhueta de Maigret



Tenho vindo a ler, paulatinamente, um grosso volume, com mais de mil páginas, em que o francês Pierre Assouline (1953) se debruça sobre a vida e obra do belga Georges Simenon (1903-1989). Sendo um trabalho importante e original de análise e investigação, achei por bem vir a fazer uma pequena selecção do que fui lendo, e traduzindo algumas passagens mais significativas, que por aqui deixo registadas:




"Nome (Maigret) engraçado. Como o teria ele (Simenon) encontrado? Quando o pequeno Sim era jornalista na Gazette, um elemento da polícia de Liége chamava-se Arnold Maigret, mas nada indica que os dois homens se tivessem conhecido. Em Paris, um tal Julien Maigret, que acabava de passar quinze anos no Congo, prepara-se para assumir o cargo de primeiro director do Poste Colonial, emissora de rádio do império francês, em maio de 1931, ou seja dois anos depois de ter surgido o patronímico pela pena do escritor. (...) E Simenon descobrirá ainda mais tarde com boa disposição, lendo no inglês Sainte-Beuve de Harold Nicholson, que na página 201 um certo «M. Maigret, director da Segurança geral» teve uma intervenção nos acontecimentos ocorridos em 1855, se não há mais tempo!
Bem como há que confessar: que se ignora como este nome lhe veio ao espírito, ainda que se possa especular infinitamente sobre a relação entre a sua raiz (maigre) e a silhueta volumosa desta personagem com 110 quilos e 1,80 m. de altura.
Jules Maigret nasce para a literatura aos 45 anos, que é praticamente a idade com que morreu o pai de Simenon. Está casado, sem filhos, tal como Simenon a princípio." (Pgs. 207/8)



"Maigret não é um intelectual nem um cerebral: não pensa nem reflecte. Bastante inteligente, mas não manhoso, é um intuitivo e instintivo puro. Como uma esponja, absorve, impregna-se, penetra numa atmosfera para melhor compreender os mecanismos desse meio. O seu faro, ainda mais do que a sua capacidade de reflexão leva-o às mais audaciosas deduções. (...) É um homem de rituais. Vai ao cinema uma vez por semana. À tarde quando regressa a casa, entre o segundo e o terceiro andar, desabotoa o casaco para tirar as chaves do bolso. Embora saiba que Louise, a sua mulher, lhe abrirá a porta mesmo antes de ele meter a chave na fechadura." (pg. 209)

com agradecimentos a H. N., pelo empréstimo.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Simenon reeditado



Surpreendente a longevidade do interesse constante dos leitores pela obra de Georges Simenon (1903-1989). Desta vez, e coincidindo com o 120º aniversário do nascimento do escritor francês, a editora Omnibus vai publicar a integral dos seus 117 romans durs, escritos entre 1931 e 1972, em 12 volumes.
Como referem, é um tipo de ficção "bem negra. Um modelo de literatura só osso, sem o mínimo de gordura... nem optimismo." Mas de grande qualidade - acrescento eu.



segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Bons conselhos de Simenon


A Bíblia, Montaigne, Gide, Stendhal são algumas indicações de Georges de Simenon, para boas leituras.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Bibliofilia 196



Recentemente e por questões de localização, nas estantes, andei à volta de livros de Ernst Jünger (1895-1998), 5 volumes apenas, e de obras de Georges Simenon (1903-1989), que são muitas, na biblioteca. Deste escritor belga, constatei, sem uma pesquisa muito exaustiva, que tinha pelo menos 4 primeiras edições originais. Assim e cronologicamente:



1. Le Voyageur de la Toussaint, 1941 - Gallimard.
2. Trois Chambres à Manhattan, 1946 - Les Presses de la Cité.
3. Le Fils, 1957 - Les Presses de la Cité.
4. Le Veuf, 1959 - Les Presses de la Cité.



Todos se encontram em bom estado, embora aos dois últimos faltem as sobrecapas. Apenas do número 3 sei que paguei por ele, usado, 5 euros na livraria De Slegte, em Antuérpia, mas os restantes também não foram caros e, provavelmente, foram adquiridos via ebay
Consultas breves na AbeBooks, Iberlivros e ebay permitiram-me constatar que os 4 títulos, em primeiras edições eram oferecidos num intervalo de preços que oscilava entre os 3 e os 25,80 euros.
O facto destes preços baixos talvez se possa explicar pelas grandes tiragens dos livros de Simenon, que era um escritor extremamente popular e que tinha muitos leitores dedicados.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Duplicações



Houve um tempo em que eu me gabava de nunca comprar livros repetidos; ou de bisar filmes sem que por vontade expressa de os rever. Esse tempo definitivamente já passou e, de vez em quando, acabo por comprar um livro que já tinha, sendo que, muitas vezes, nem dou pelo erro de imediato. Recentemente, ao rearrumar as obras de Georges Simenon (1903-1989) dei pela duplicação das duas obras em imagem, acima. Por curiosidade, posso lembrar que Claude Chabrol, em 1982, realizou um filme (Les Fantômes du Chapelier), baseado neste conto da colecção Mosaico, e que tinha por actor principal Charles Aznavour. Um bom filme, aliás, como os críticos cinematográficos reconheceram, na altura.

Em sequência e a propósito

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Uma louvável iniciativa 57


Com algum gosto, tenho vindo a acompanhar na RTP-Memória, nos dias úteis e às 21h00, a repetição da série norte-americana e policial Columbo. Apesar do cabotinismo de Peter Falk e da sua excessiva gesticulação, que  é cansativa, não me tenho dado mal... E até me lembrei de Maigret que tinha o princípio de tentar compreender e não julgar os criminosos. Princípio também respeitado por Columbo, quase sempre.
O penúltimo Le Monde (24/7/2020), para além de uma entrevista com John Simenon (1949), traz uma boa notícia para os amantes de leitura policial e, especialmente, para os admiradores de Maigret, o mesmo é dizer de Georges Simenon. Com o patrocínio do jornal francês, irão ser reeditados cerca de 50, dos 76 romances e 28 novelas Maigret. Com novas e competentes ilustrações de capa de Loustal.
Ao imbatível preço de 2,99 euros, cada livro.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Simenon, again


Um dos últimos TLS (nº 6115) noticia e dedica duas páginas à saída do último Maigret em versão inglesa. Trata-se da tradução de Maigret et M. Charles cuja edição primeira saiu em França, em 1972. Terá sido o último policial de Georges Simenon (1903-1989) escrito, tendo a figura do conhecido Comissário como protagonista. O primeiro, Pietr-le-Letton, datava de 1930. A Penguin completou assim a sua nova série de 75 novelas (número porventura total e rigoroso), com novas traduções feitas para o efeito. A nossa colecção Vampiro, da Livros do Brasil, abrange 73 volumes  de Maigret. A edição da Bertrand conta apenas 49. Creio que a totalidade, contos incluídos, em francês, chega aos 84 escritos. Mas há quem acrescente às 75 novelas  mais 28 contos. Assim perfaziam-se 103 títulos - é obra, seja como for!


Esta notícia oportuna do TLS vem comprovar, pelo que representa, a vitalidade da obra de Simenon.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Cotações no mercado


Se há escritores que não perdem, após a morte, a sua popularidade e cujas obras se vão continuando a imprimir e vender, como os livros de Simenon, por exemplo, outros há em que a crítica começa logo a questionar a qualidade da sua ficção, a seguir ao falecimento do autor, como foi o caso de John Updike. Ou mesmo em vida, como parece estar a acontecer, agora, com a avaliação que se tem feito  das últimas obras de J. M. Coetzee.
Na Inglaterra, a perda de interesse pela obra de Françoise Sagan (1935-2004) tem sido progressiva (o TLS regista-a) e raros, dos seus livros, têm sido reeditados, encontrando-se esgotados na sua maioria, talvez porque esse clima fluído e leve da ficção da escritora francesa, que lembra a atmosfera cinematográfica de um Rohmer ou de um Truffaut dos anos 60/70 ( certeiro, oTLS dixit), se tenha perdido para sempre, nos dias de hoje.