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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Do que fui lendo por aí... 71

 

"A linguagem busca constantemente impor o seu domínio sobre o pensamento. Na corrente de pensamento, ela gera remoinhos, aos quais chamamos «perturbações mentais», e aqueles bloqueios que dão pelo nome de obsessões. Todavia, a interferência, a incessante «turbação das águas» são também aquelas da criatividade. Nesta ondulação da maré, o acto de pura concentração, a tentativa de purgar a consciência das suas ficções vitais, das alucinações lúcidas de desejo, intencionalidade ou medo são, como já anteriormente fizemos notar, extraordinariamente raros."

George Steiner (1929-2020), in  Dez Razões (Possíveis) para a Tristeza do Pensamento (pgs. 33/4).


Nota pessoal: para quem, como eu, não se dá lá muito bem com a filosofia, este livro de ensaios, de George Steiner, é um manancial de reflexões singulares e irradiantes, que nos levam até longínquas paragens...

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

O próximo

 


Emprestado pelo meu bom amigo H. N., de um autor de que partilhamos o gosto, este será o livro que se segue, na leitura. O título é todo um programa...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Civilização e barbárie, o seu a seu dono

 

A coluna semanal de António Guerreiro na ípsilon do jornal Público contém sempre, ao fundo, uma espécie de P. S., em que o cronista comenta um dito anterior de um publicista; este último, de Miguel Sousa Tavares.
Esqueceram-se ambos, provavelmente, de referir que o tema já tinha sido abordado, de forma competente e mais aprofundada, aqui há alguns anos atrás, pelo ensaísta George Steiner (1929-2020).

domingo, 27 de agosto de 2023

Vai sempre a tempo...



Como dizia George Steiner (1929-2020) vale sempre a pena não morrer hoje, pela curiosidade de ler o jornal de amanhã (quando os jornalistas ainda tinham alguma qualidade profissional, acrescentaria eu). Pois, nessa mesma perpectiva e neste último mês, aprendi o nome e provei duas novas qualidades de frutos, que eu não conhecia de todo.




Foram eles: a pêra coche e os figos orelha mula. Estes últimos de pequena produção e originários do Algarve. A pêra, rijinha e o figo dulcíssimo. Por aqui ficam as imagens.



quinta-feira, 28 de julho de 2022

As palavras do dia (47)



De Estaline, são os silêncios que matam, em Hitler, é a palavra. Os Gregos tinham esta crença extraordinária de que um anátema lançado sobre alguém jamais se poderia desfazer. (...) Alguns povos crêem nisso, e eu também: a linguagem do grande ódio é uma arma mais poderosa do que todas as outras. A linguagem do amor, em Celan por exemplo, tenta reparar a queda do homem. 

George Steiner (1929-2020), in Magazine Littéraire (nº 454, junho 2006).

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Da leitura 44



"É um segredo de polichinelo que os intelectuais em regime de clausura e os homens que passam a vida emparedados entre livros e textos podem experimentar com especial intensidade as seduções de propostas políticas violentas, sobretudo quando a violência poupa as suas próprias pessoas."

George Steiner (1929-2020), in Martin Heidegger, pg. 31.

domingo, 4 de abril de 2021

Quatro sublinhados de leitura, para reflexão alheia

Devo-o ao meu pai, porque, como escrevi em Depois de Babel, ele soube adivinhar que uma língua que se aprende é uma nova liberdade, uma língua nova, um cosmos e um mundo por si só, enfim, uma probabilidade de sobrevivência inestimável. (pg. 26)

Se não soubermos quem era Hipnos, se não tivermos a decência de pegar num bom dicionário de mitologia para o descobrirmos, nada nos será acessível de René Char, do seu papel, da sua luta pela vida e pela liberdade. (pg. 119)

A arte abstracta, a de Paul Klee, de Kandinsky, ilustra a queda da matéria no silêncio com o qual tem laços indissolúveis. Em terceiro lugar, diria que a temática do ruído, na cultura e na educação modernas me apaixona. A intrusão do ruído, a impossibilidade de encontrarmos espaços consagrados ao silêncio, tanto na nossa existência privada, como na vida pública ou na educação reservada às crianças, parece-me ser a poluição mais grave com que a cultura moderna se confronta. (pg. 138/9)

O universalismo não é portador de qualquer valor de tolerância ou de acolhimento. Traz consigo o seu próprio dogma. O supermercado não quer produtos locais, enlata uma cultura capitalista de exportação que o mundo inteiro terá de sofrer. (pg. 177)


George Steiner (1929-2020), in Quatro Entrevistas... (VS Editor, 2020).


quinta-feira, 18 de março de 2021

Recomendado : oitenta e nove



Limitados no tempo, pelas suas mortes, os meus dois interlocutores e ensaístas mais respeitados, E. M. Cioran (1911-1995) e George Steiner (1929-2020), resta-me apenas recolher os despojos ou acolher para leitura os seus textos inéditos (para mim), que vão aparecendo nas editoras. O mais recente foi este Quatro Entrevistas com George Steiner (VS Editor, 2020) feitas pelo persa Ramin Jahanbegloo (1956). 

Que recomendo vivamente. 



sábado, 11 de abril de 2020

Do que fui lendo por aí... 36


Foi na música que o século dezanove cumpriu o seu sonho de criar formas trágicas comparáveis em nobreza e coerência às do drama clássico e renascentista: nos rituais e dores dos quartetos de Beethoven, no Quinteto em Dó Maior de Schubert, no Otello de Verdi e, perfeitamente, no Tristan und Isolde. (pg. 137)

George Steiner (1929-2020), in Tolstoi ou Dostoievski (Relógio D'Água, 2015).

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Steiner


Este Inverno tem-me sido fatídico, pessoalmente. E ainda não terminou...
Acabei de saber da morte de George Steiner ( 23/4/1929 - 3/2/2020 ) que, com A. Camus e E. M. Cioran, talvez tenha sido um dos ensaístas e pensadores que mais contribuiram para a minha formação pessoal e humanística.
Muito lhe fico a dever, sobretudo neste nosso mundo actual, em que os estímulos para reflectir são cada vez menores...

quarta-feira, 22 de maio de 2019

A cultura do placebo


Tenho vindo a assistir nos últimos anos, e com crescente inquietação, aos esforços e contorcionismos patéticos de muitos agentes culturais, no sentido de tornar acessível e mais apetecível às grandes camadas populares o gosto pela Cultura.
Na maior parte dos casos, isso passa por uma infantilização dos motivos e algumas vezes até por caricaturizar obras de arte que deveriam merecer algum respeito. Em vez dos esforços se concentrarem no desenvolvimento, para todos, do sentido estético e do gosto cultural, esta forma pífia de delicadeza da democracia contribui apenas para o aumento da barbárie - que Steiner refere.
O último anúncio do MNAA, fala por si...

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A pausa final, antes do silêncio?


Todos os anos e por esta altura, o TLS costuma ouvir alguns nomes marcantes da cultura e língua inglesa, para se pronunciarem sobre os livros que consideram mais interessantes, dos que sairam e leram durante o ano em curso. Este ano a obra mais referida é The Collected Letters of Flann O'Brien, escritor irlandês.
Muito raramente há referências a nomes portugueses e brasileiros, ainda que em traduções.
Presença habitual neste inquérito, era George Steiner (1929).
Que, este ano, faltou à chamada...


sexta-feira, 22 de junho de 2018

Citações CCCXLII


Em maior ou menor grau, o núcleo religioso do indivíduo e da comunidade foi degenerando até se transformar numa convenção social. Tornou-se numa espécie de cortesia, num conjunto de reflexos ocasionais ou superficiais.

George Steiner (1929), in Nostalgia do Absoluto (pg. 12).

quarta-feira, 18 de abril de 2018

George Steiner : a teoria da omissão

O silêncio, a dúvida e a procura também podem ser um sinal de sabedoria.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Humor negro (8) e judeu


É muito singular, mas complexo, o tipo de humor dos judeus. Se nos lembrarmos de alguns filmes de Woody Allen, por exemplo, verificar-se-á aquilo de que estou a falar. Mas até mesmo George Steiner recorre muitas vezes, nos seus livros de ensaios, a um tipo de humor muito particular...
O penúltimo TLS dedica uma das suas temáticas a Jokes and Jewishness e o director do jornal literário, Stig Abell (também ele judeu, creio), no seu editorial, conta uma anedota curiosa, que eu vou tentar adaptar à lingua portuguesa. Assim: um judeu, sobrevivente do holocausto, morreu e vai para o céu. Ao encontrar-se com deus, para meter conversa, resolve contar-lhe uma anedota sobre o holocausto. Quando acaba, deus diz-lhe: não achei piada nenhuma! Ao que o judeu lhe responde: porque não esteve lá!...

sábado, 24 de junho de 2017

Do que fui lendo por aí... (9 a.)


Da leitura, já feita, de As Artes do Sentido (Relógio D'Água, 2017), de George Steiner (1929), gostaria de destacar dois excertos:

Com exceções arcádicas (uma colocação num instituto; a obtenção do estatuto de celebridade nos media; a capacidade invejável de transformar conhecimento genuíno em livros didático-utilitários), o académico e o professor das Letras foram economicamente marginalizados. A captação de financiamento privado e público para a investigação pura, para a dimensão experimental na literatura, na música, no teatro e para publicações de qualidade que apelam a uma minoria, é hoje quase frenética. É duvidoso que a censura política ou a ameaça da supressão tenham sido tão nocivas e humilhantes para a vida do espírito na academia humanística como o é a tirania da candidatura a bolsas (no que toca ao tempo desperdiçado, à intencionalidade mascarada ou rebaixada). As humanidades mendigam, ao passo que, até aos recentes sobressaltos financeiros, as ciências naturais e sociais exigem. (pgs. 104/5)
...
As pseudoteologias e teofanias poderão desenvolver a virulência contagiosa da decadência. Muito possivelmente, e de certo modo em analogia com a chamada Idade das Trevas, grupos de homens e de mulheres, enlouquecidos pela erosão da privacidade, pela aniquilação sistemática do silêncio e do espaço para o pensamento que hoje nos persegue, poderão voltar-se para as quase esquecidas artes de leitura séria, de compromisso com a memória individual, de crítica inquirição colaborativa, que constituem os meios essenciais das litterae humaniores. Palavras de viva voz, palavras do coração poderão reverberar através das intimidades da redescoberta. Poder-se-á mesmo argumentar que as ciências, que hoje se encontram tão esmagadoramente em ascensão em termos intelectuais e empíricos, poderão implodir, em alguns aspectos, sobrecarregadas, paralisadas pela própria massa de informação que produzem, pela aceleração da especialização. Esta massa, esta multiplicação imparável de ramos e códigos especializados, torna já cada vez mais precárias a comunicação e a compreensão mútuas no seio de qualquer ciência ou família de ciências. Ninguém está hoje totalmente seguro de que o centro se aguente, de que sequer exista um centro. (pg. 123)

sábado, 3 de junho de 2017

Recomendado : sessenta e oito - George Steiner (1929)


Para quem costuma frequentar Steiner, esta entrevista do ensaísta, à Revista do Expresso, hoje, não trará, porventura, grandes novidades. Mas é sempre grato ler as sábias palavras de um dos já poucos pensadores globais, ainda vivo, deste nosso mundo.
Por isso, o recomendo vivamente.

domingo, 16 de outubro de 2016

Uma frase do passado


The Muses of Stockolm prize civility.

George Steiner, in The New York Times (30/9/1984).

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Divagações 115


Para que nos serve o saber, a cultura, o conhecimento? E tê-los, em parte, pode fazer-nos mais felizes? Tenho dificuldade em responder pela positiva. Muito embora, e na boa tradição judaica, que frequentes vezes George Steiner gosta de lembrar: o conhecimento é aquilo que ninguém nos pode tirar.
Por outro lado, o saber técnico ou científico tem, também, as suas utilidades práticas. E, quanto ao lado humanístico do conhecimento, ele poderá, entre outras coisas, permitir contar histórias. Que é uma coisa a que quase nenhum ser humano se negará a ouvir. Desde os tempos longínquos em que os homens se sentavam, à noite, em volta do fogo para se aquecerem, e conviver.
Nada disto porém se cruza, obrigatoriamente, com essa coisa inefável a que, à falta de melhor,  chamamos felicidade...

segunda-feira, 8 de agosto de 2016