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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Memória 127


O Circo, como espectáculo e como ambiente, desperta-me memórias desencontradas. Duas notas marcantes e exemplificativas: a alegria que me provocavam os palhaços, na minha infância, e, à saída, ver as míseras condições em que se albergavam os artistas, nas suas tendas mal agasalhadas. Também reparava, às vezes, nas meias rotas das trapezistas... Um misto, pelo menos em Portugal, de miséria dissimulada por lantejoulas e cores berrantes das indumentárias circenses.



O circo moderno nasceu de uma escola de equitação, criada em 1768, nas margens do Tamisa, por Philip Astley (1742-1814), a que ele foi acrescentando, para maior diversão do público, alguns palhaços, trapezistas, mágicos. A actividade, em geral, atingiu o seu primeiro apogeu em finais do século XIX e inícios do XX, como testemunham esquissos e telas de Seurat, Toulouse-Lautrec e Picasso, entre outros.
Nos anos 70, entrou em crise mas, num golpe de rins notável, a criação de escolas de circo obstou a um desemprego maciço. A inauguração de Le Cirque du Soleil (1984) foi também um bom sinal de futuro.


Alguns países europeus vão celebrar, durante 2019, com várias iniciativas, os 250 anos do circo moderno, tal como o conhecemos. E há toda uma nova bibliografia a ser publicada, sobre esta temática, sobretudo no Reino Unido.
E, muito embora, se clicarmos The Circus, no Google, nos apareça, intensivamente (malditos algoritmos!), o disco da Britney Spears e um filme sobre as eleições norte-americanas de 2016, deixando para terceiro plano as actividades circenses, o Circo há-de continuar!
Para alegria das crianças.