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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Agiotas e mecenas


 É com particular satisfação íntima que, por vezes, sei ou tenho notícias sobre mecenatos que se reúnem em vontade colectiva, e financeira, para adquirir (e doar, eventualmente), de forma a não deixar sair do país, obras de arte com interesse nacional. Se há nisto algum proveito natural para o(s) próprio(s), decorrente da dedução nos impostos, também há, no facto, algum brio patriótico que não pode ser desvalorizado.
Aquando da recente telenovela portuguesa dos Miró, ainda pensei, ingenuamente, que algum Santos, algum Roque ou Amorim, algum Belmiro se chegasse à frente, ou mesmo alguma instituição mostrasse interesse em que este acervo pudesse ficar em Portugal. Mas estes senhoritos estão mais interessados em levar dinheiro para a Holanda, do que deixar ficar telas em território nacional...
É essa a grande diferença, de qualidade. Porque, ontem, soube que a National Gallery, de Londres, enriqueceu mais o seu acervo, mediante um mecenato esclarecido. O quadro "Men of the Docks", do pintor americano George Bellows (falei dele, aqui, em 16/1/13), vai ficar na Inglaterra. E a National Gallery já lhe reservou lugar condigno, numa sala, entre Claude Monet e Camille Pissarro.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Pinacoteca Pessoal 43 : George Bellows


Nada sabia de George Bellows (1882-1925), pintor norte-americano, até ter notícia duma retrospectiva da sua obra a decorrer (até 18/2/2013) no Metropolitan Museum of Art (N. Iorque), o que me levou a tentar saber mais do artista, sobretudo depois de ver um quadro ("Stag at Sharkey's") muito impressivo, onde o movimento se combina com a agressividade do boxe, de forma admirável.
É considerado um pintor realista e, apesar da sua curta vida, tem uma obra vasta, interventiva e comprometida com a vida social urbana de Nova Iorque e as injustiças humanas, pelo mundo. É importante a sua fase de pinturas da luta de boxe (ilegal, mas praticado, clandestinamente, na época). Mas também cenas da vida dos bairros sociais, que fixou em muitas telas; e não menos significativas as litografias que fez para denunciar as atrocidades e violência da guerra, com a invasão da Bélgica pelos alemães, no início da I Guerra Mundial, no sentido de forçar a intervenção dos Estados Unidos, inicialmente, neutrais.
Seria, decerto, um artista com sentido de humor acentuado. Porque quando o criticaram por pintar a invasão alemã e a Guerra, sem a elas ter assistido, contrargumentou que Leonardo da Vinci também não tinha sido convidado para A Última Ceia...