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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Pinacoteca Pessoal 147


Se Cornish Landscape with Figures and Tin Mine (1975), que foi um dos últimos quadros pintados por Edward Burra (1905-1976), atesta, no dizer de alguns especialistas, uma empatia do pintor inglês pelo Surrealismo, não se pode dizer que a sua obra tenha sido capturada inteiramente por essa escola.



Tendo feito uma aprendizagem escolar relativamente clássica, na Inglaterra, viagens a Itália e estadias em França, e contactos diversos, proporcionaram-lhe uma abertura a novos horizontes da modernidade. A sua amizade com Paul Nash foi também importante e forneceu-lhe a aprendizagem necessária para se dedicar à gravura. Que, pela sua veia satírica, implícita, às vezes, faz lembrar alguns trabalhos de Georg Grosz.
A primeira das telas seguintes, Snack-bar, é de 1930 e encontra-se na Tate; a segunda denomina-se Marriage à la mode e permite que nos lembremos de Chagall...



No período da II Grande Guerra dedicou-se, esporadicamente, ao desenho de cenários e indumentária para ballet, em que teve algum assinalável sucesso. A última imagem, do quadro Cerejeiras no Inverno, parece acusar a influência do seu amigo Paul Nash.
A obra de Edward Burra está amplamente representada na Tate, bem como uma boa parte da sua correspondência se encontra nos arquivos do museu londrino.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

De fora para dentro, balancete e diversos


O último TLS, em texto de contracapa, começava por afirmar que 2010 teria sido o ano dourado dos blogues - depois aconteceu a queda gradual. Provavelmente isto terá sido a realidade, na Inglaterra. Que não em Portugal (somos mais demorados...), pelos meus modestos dados. O pico máximo de visitas ao Arpose ocorreu em Janeiro de 2013, com uma média de 340, tendo atingido o recorde a 24/1/13, com 360 visitantes. O decréscimo dá-se a partir daí, tendo estabilizado no último ano com uma média relativamente constante de 67 visitantes/ dia e cerca de 2.040/ mês.
A visualização de páginas, no entanto, é incomparavelmente maior: 12.674 de média mensal. São os  visitantes toca e foge... A perda de influência dos blogues deve-se à crescente popularidade do feicebuque e instituições quejandas, só comparável, em território nacional, ao afecto que desperta o nosso PR. É a vitória da simplicidade, do róseo e leve, do descomplicar, do amável sem consequências, do sentir sem pensar muito, em suma, do like global, que todos entendem e podem comungar, com ou sem fé, de olhos fechados, sacralmente.
No meio desta altura do mundo, em que os blogues são mera circunstância quase obsoleta, há, para quem os trabalha diariamente, e com alguma seriedade, de vez em quando, para lá dos raros comentários estimulantes, algumas pequenas surpresas. E cruas alegrias gratificantes.
O Arpose, por exemplo, recebeu hoje a primeira visita da Faixa de Gaza (via Ramallah, Palestine). Terá sido de algum palestiniano ou apenas de algum integrante de uma ONG local? Não sei.
Mas não há nada como desmistificar a imaginação. O(A) ilustre visitante veio consultar o poste intitulado O pastelinho de bacalhau, o copinho de três e as "search words", de 30/11/2011. Que tinha, por imagem, um sugestivo desenho de George Grosz.
Só espero que a visita tenha saído do Arpose suficientemente saciada e satisfeita!

quarta-feira, 15 de março de 2017

Apontamento 97: Engano de alma ledo e cego



Ao contrário de algumas almas, perdidas, tresmalhadas ou enganadas, continuo a acreditar no Projecto Europeu, matricial e fundador, que não tem NADA a ver com os desbragados Junckers, nem com os penteadinhos Dijsselbloems. E muitos menos com os círculos de amigos merkelianos e schäublianos.

Aliás, são estes últimos que nos meteram, sobretudo no dia de hoje, num pesadelo centrado num pequeno país dos queijos, situado a Norte. Eu explico.

A desmedida atenção à Holanda, neste momento, apenas se explica pelo enfraquecimento da União Europeia, que se acentuou nos últimos anos, certamente, devido a prestações pouco credíveis.

A viragem à direita, na Europa, deve-se, contudo, a estas criaturas – por vezes até já votadas à memória curta – como Blairs e Barrosos, etc. - que utilizaram o lugar como trampolim para outros voos, denegrindo, por completo, o Projecto Europeu naquilo que tem de mais genuinamente democrático e de paz.

Não duvido que a matriz do sucesso da direita se junta aos “pafunços troikianos”, porque parece que os “excluídos” escolhem, por vias que o entendimento desconhece, os seus mais assanhados executores.

Também não tenho dúvidas de que a educação continua a ser  o único meio de elevar o bem-estar social, cultural e espiritual, embora duvido, cada vez mais, do apoio, nesta tarefa gigante, dos meios de comunicação social, frequentemente com objectivos muito diversos, duvidosos e pouco consistentes.

Post de HMJ

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Apontamento 47: A deriva da Senhora Merkel é um pesadelo para o cidadão da Europa



Poucos dias antes das eleições para o Parlamento Europeu, a Senhora Merkel brinda-nos, mais uma vez, com a sua habitual arrogância e num total desrespeito pelos tratados fundamentais da UE, a saber:

“Os membros da Comissão são escolhidos em função da sua competência geral e do seu
empenhamento europeu de entre personalidades que ofereçam todas as garantias de independência.
A Comissão exerce as suas responsabilidades com total independência.
E, os membros da Comissão não solicitam nem aceitam instruções de nenhum
Governo, instituição, órgão ou organismo.”

Ao que parece, a “poderosa” Senhora já alcançou a “concordância, na GROKO [=coligação CDU/SPD] para a «ocupação» das posições-chave na UE”, claro está, depois do resultado das eleições próximas.

Perante esta deriva, no mínimo perigosa, pergunta-se o cidadão o que significa, para os políticos da Alemanha”, o preceito fundamental da UE, prevendo que “todos os cidadãos têm o direito de participar na vida democrática da União”. O cidadão da Europa irá votar no próximo Domingo, sabendo que, no seu centro, a Alemanha já dividiu os “tachos”, e certamente a seu favor ?


De facto, o ataque aos princípios fundamentais da UE não poderia ser mais significativo. E é uma profunda afronta aos princípios democráticos dos verdadeiros cidadãos da Europa.

Post de HMJ

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Da Janela do Aposento 42: As brincadeiras da Sociologia, à Portuguesa



O que despoletou o presente texto foi a afirmação, nada científica, de uma “excelente senhora” da nossa praça, licenciada em Sociologia. A propósito das praxes universitárias, a socióloga Rita Ribeiro conclui que “isto é uma brincadeira de gente crescida”.
Reacenderam-se, na minha memória, todas as luzinhas de aviso, reavivando situações, no meio escolar, em que episódios de agressão e violência físicas eram perfeitamente toleradas sob a designação, incorrecta e abusiva, de “brincadeiras”. Resolviam-se, desta forma iníqua, desvios de comportamento, quiçá pela ausência mútua de formação cívica, a contento das duas partes, “assobiando”, alunos e professores “para o lado”!
Contudo, sempre considerei inadmissível a inanidade e a tolerância perante esse “gérmen” da violência, provocando-me a repulsa uma reacção espontânea de intervenção, tanto na escola como em espaço público mais alargado. Pouco me importa, nesse contexto, a atribuição do epíteto de “intransigente”, porque não confundo palavras, de étimos e significados tão diferentes, como “violência”, “agressão” e “brincadeira”.
Considero, portanto, que o inequívoco respeito cívico pela dignidade humana é uma conquista civilizacional e o mais poderoso garante de uma sã convivência num mundo de paz. Por conseguinte, repugna-me, profundamente, que instituições de formação, básicas ou superiores, revelem um tão fraco sentido de um dos “últimos fins do homem”, a saber, o respeito pela dignidade humana.
Aliás, nesse fraco entendimento, reencontram-se velhos fantasmas de ditaduras com a actual cruzada do mundo financeiro contra a Humanidade. Com efeito, e a bem da paz, “é a hora” de não confundir o lúdico com cenas de violência, abjectas e reaccionárias, moralmente condenáveis e, até, esteticamente repugnantes. 

Post de HMJ

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Pinacoteca Pessoal 46 : 2 escolhas do Museu Ludwig (Colónia)


Houve tempo em que não resistia a comprar livros com reproduções das obras dos meus pintores preferidos: Dürer, Botticelli, Van Gogh, Renoir, Modigliani, Dufy, Soutine... Mas cheguei à conclusão que, uma vez lido, raramente voltava a pegar no livro; a não ser, uma vez ou outra, para relembrar algum quadro específico, por algum motivo muito especial.
Por isso, comecei a evitar estas tentações, até porque os livros de arte, devido às reproduções a cores são, normalmente, caros. Contento-me, nos últimos tempos, em fazer uma escolha criteriosa de postais, das obras que mais gostei de ver, num museu ou numa exposição. Da última visita que fiz ao Museu Ludwig, de Colónia, trouxe 3 postais, de que deixo dois na imagem deste poste.
O quadro "Menina Espanhola" (1927), de Georg Grosz (1893-1959), e "Duas Raparigas a vestirem-se" pintado, em 1908, por Oskar Kokoschka (1886-1980). Esta última obra faz-me lembrar, talvez pelo tema, alguns quadros de Paula Rego.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O pastelinho de bacalhau, o copinho de três e as "search words"


Os meus amigos devem lembrar-se de uma cena de um antigo filme português, em que Manuel dos Santos Carvalho (?) e Maria Olguim (?) se dirigem ao balcão de uma honrada taberna (lisboeta?) e dizem para o empregado: "- Queríamos um pastelinho de bacalhau..." E o empregado responde: "- Pastelinho de bacalhau, não temos!" E Santos Carvalho, após breve hesitação, diz para ele: "- Então, queríamos um copinho de três!"
Pois o motor de busca do Google é uma espécie de Santos Carvalho, quando não tem "pastelinhos de bacalhau" para dar aos cibernautas, apropriados às suas (às vezes, arrevezadas e desarrumadas) "search words", serve-lhes, em vez disso, "copinhos de três". Ainda ontem  um estimado pesquisador lisboeta escreveu, como "search words", o seguinte: "cordeiro assado na brasa de miranda do douro"; e o "Santos Carvalho" do Google mandou-o para o poste "Mercearias Finas 31 : uma vitelinha, mansa, de Fafe" colocado neste nosso Blogue. Ora, isto não se faz! Então o homem queria cordeiro e deram-lhe vitelinha!? Gato por lebre, desonestamente!
Mas há muito mais casos semelhantes, em que o desrespeito, laxismo e cegueira boçal do motor de busca do Google, trata mal os seus utilizadores. No mínimo, usando de cristã benevolência, diríamos que há um excesso de iliteracia, ignorância no motor de busca, que redunda, muitas vezes, num surrealismo hilariante. Refiram-se mais alguns casos deste habitual "trocar de alhos por bugalhos":
1. diz o cibernauta pio: "mulher de capote aguardente vinicas fabrica eduardo ferreira"; responde o Google: poste "Cecília Meireles", de 7/11/2010, aqui no Arpose.
2. um pesquisador brasileiro escreve, como "search words": "borda do cordel". E o Google indica-lhe: "Bibliofilia 46 : A Ceia dos Cardeais", de 30/4/2011.
3. outro investigador proficiente e curioso clica: "a poesia de cecilia meireles e as obras de arte de botero e adegas" (sic); e o motor de busca abre-lhe o poste "A obra de arte, segundo W. H. Auden", de 30/1/2011.
Por hoje, acho que já chega de "mundo às avessas" e de alta cultura tecnológica...