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sexta-feira, 17 de maio de 2024

Osmose 136

 

Costumo arrumar os livros nas prateleiras da biblioteca por afinidades subjectivas, ou em sequência cronológica. Os do António estão junto aos meus. Torga é vizinho de Régio. Mas vi-me aflito para descobrir o único livro de Casimiro de Brito (1938-2024), Corpo Sitiado (Iniciativas Editorias, 1976), que tinha, para além da plaquete canto adolescente inserta no conjunto poesia 61, que abordei no Arpose, em Bibliofilia 36 (2/9/2010). Casimiro de Brito (recentemente falecido) estava arrumado, mal, junto a Pedro Tamen. Rectifiquei: pu-lo ao lado de Gastão Cruz (1941-2022), outro dos 5 poetas que, com Luiza Neto Jorge (1939-1989), eu privilegio desse grupo geracional.

terça-feira, 22 de março de 2022

Ideias fixas 67


A exiguidade de reacções, na blogosfera, ao desaparecimento de António Osório (1933-2021) e, mais recentemente, de Gastão Cruz (1941-2022), demostram à exaustão o desinteresse (ou crassa ignorância)  dos blogonautas pela poesia. Apesar dos protestos de amor que fingem encenar, de bom tom, por alguns poetas... 

segunda-feira, 21 de março de 2022

Um poema de G. C.

 


As palavras despedem-se dos dias
em que falar é o melhor serviço
Caem mortas e vivas da linguagem
vitimada

               Mas quando regressarem
a sua fúria grande prenderá
nos humanos céus húmidos a arte
esquecida e excessiva da poesia


Gastão Cruz (1941-2022), in Campânula (1978), pg.63.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Para lembrar três poetas



Em 24 de Julho de 2004, o suplemento Mil Folhas do jornal Público editou um dossiê sobre o poeta Gastão Cruz (1941) que incluía esta foto acima e, do lado direito, um poema que evocava Ruy Belo (1933-1978) e Sophia Andresen (1919-2004). Aqui ficam.

sábado, 23 de março de 2019

Recomendado : setenta e oito


Não será uma novidade, porque esta Colóquio-Letras (nº 200) já saiu há algum tempo, mas porque é dedicada, maioritariamente, à celebração do centenário do nascimento de Jorge de Sena (1919-1978). E ainda por conter três cartas inéditas, imperdíveis, do poeta de Fidelidade, para Gastão Cruz (1941). Que as apresenta como só ele sabe e poderia fazer.
Recomendo, e não digo mais nada.

sábado, 7 de outubro de 2017

Miscelânea descentrada


Levei cerca de uma hora a ler um hebdomadário e um diário, saídos hoje, ainda frescos.

Haverá alguém que imagine o Prémio Nobel a ser atribuído a John Le Carré? Creio que não.

Premeia-se por contraste, para tomar posição. Veja-se o da Paz, ou a deslocação do Sabadell...

Sempre Verão, também cansa. Porque conheço algumas pessoas que aspiram a ver a chuva, de casa.

Os 2 jornais, que li, recomendam quase só vinhos de 9 a 30 e tal euros. Para quem?

Recordo que, nas Cooperativas do Douro, as uvas se estavam a pagar a menos de 1 euro, o quilo.

No "Expresso", há dois encartes, grossos, sobre Angola. Vingança do chinês, ou subserviência lusa?

Vou reler o último livro de Gastão Cruz (Existência) para arejar a vista e mudar de alma.

Que, como dizia um poeta inglês: a esperança terá de ir para outras coisas.

Até porque Londres e o seu hipotético nevoeiro não me vão, seguramente, mudar a vida.

sábado, 8 de julho de 2017

O seu a seu dono


Eu bem sei que os actuais directores de jornais são muito diferentes dos antigos. Que tinham, normalmente, uma cultura sólida, escreviam bem e eram competentes. Hoje, estes sujeitos são muito mais ligeiros, muito voluntaristas e simpáticos, pouco lidos e, decerto, confiantes na estupidez e ignorância dos leitores. No Público, e depois de Vicente Jorge Silva, digno representante da classe de jornalistas, tem sido sempre a descer, impiedosamente...
Atribuir a Lobo Antunes, por título de crónica ou editorial (viva o luxo!), um verso de Sá de Miranda, é um dislate. Literário, mas dislate. Mesmo que seja para alardear cultura, alarvemente, e a propósito de incêndios. Até já Gastão Cruz  tinha epigrafado o verso, em itálico, num soneto, em livro de 1969 (As Aves), referindo o Autor. Porque o romance de A. Lobo Antunes, com esse título, plagiado, saíu apenas em 2001. Mas estes directores de jornais são uns neófitos ainda imberbes, quanto a literatura pátria. Lembram-se de ontem, mal e de outiva, unicamente. Resultado dos programas escolares dos últimos anos? Não sei.
Porque ainda há poucos dias, também, um provecto e reformado amador de letras pátrias proclamava, pomposamente, Adolescente (1942) como sendo o primeiro livro de Eugénio de Andrade. Não é, é Narciso (1940) que, tal como a sua terceira obra (Pureza, 1945), o Poeta viria a renegar, anos mais tarde. Por isso, quanto a jornalistas, sejam eles directores ou aposentados críticos literários, hoje, estamos conversados. E o problema é que estas asneiras deixam rasto e fazem carreira. E vão sendo repetidas pelos ignorantes e distraidos, numa ladainha servil e acarneirada. Deus nos valha!...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Da explicação em poesia


Não sei já quem disse que analisar e explicar um poema é a melhor maneira de o destruir. De alguma forma, o estudo escolar de "Os Lusíadas" fez abortar, pelo menos parcialmente, a possibilidade de fruição inteira do nosso poema maior. Por outro lado, neste nosso tempo, raríssimos serão aqueles que terão oportunidade, paciência e o prazer de virem a ler, com proveito e gosto, as estâncias camoneanas descrevendo, genialmente e por exemplo, o fogo de Santelmo, ou, com imenso humor, o episódio  (pícaro) de Veloso. Alguma coisa se vai perdendo para sempre, dos antigos cânones...
Quando releio As Aves (1969), de Gastão Cruz (1941), lembro-me sempre de Sá de Miranda e de Mafra. E dos 6 meses, que por lá passámos, com diferença de 3 meses, na recruta e especialidade. É uma realidade prosaica mas, na altura, com a guerra colonial, essa realidade era também dramática. Tudo isto pode ajudar na leitura deste pequeno (grande) livro de poemas. Sobretudo para quem viveu esses outros tempos e os sentiu na pele.


sábado, 18 de maio de 2013

Do novo livro de Gastão Cruz, uma escolha


13

Os mortos estão
mortos? Onde existe o seu
tempo de vivos? Há dias em que
o traço desses dias
morre infinitamente e todavia o filme
de actos findos
continua a passar numa tela vazia

Gastão Cruz (1941), in Fogo (2013).

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Divagações 40


Por vezes, o acaso vem ter connosco. Para bem ou para mal.
Porque há vidas que se infernizam nos últimos anos, pela cupidez dos outros, à volta (nem será preciso citar Sartre), e por jogos de poder, tantas vezes, sinistros. Por onde as máscaras caem de vez, definitivamente. Mas há outros infernos a que somos poupados pela morte, pelo seu silêncio apagado - que não ouve, mais. Pelo caminho há sempre amizades que se perdem, filhos que naufragam, impossíveis afectos destroçados.
Mas foi com alegria discreta que sopesei e folheei, ao fim da tarde, o primeiro livro da reedição da obra de Eugénio de Andrade, com prefácio de Gastão Cruz, editado pela Assírio e Alvim. E o dia cumpriu-se, bem.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Outono das aves


Sempre me perguntei para onde vão as aves, nestes tempos de borrasca - que as não vejo.
Das andorinhas, sei eu que já foram para Sul. Mas o que será feito dos pardais que, ainda há uma semana, chilreavam, ao fim da tarde, a aconchegar-se no interior da árvore frondosa, ali defronte? Melros, hoje, não vi nenhum, nem mesmo as gaivotas apareceram. Apenas, o crocitar de (2?) corvos invisíveis.
Mas também eu já não páro na varanda a leste, senão alguns minutos, até os pés imóveis se harmonizarem com o frio da tijoleira. Em breve, só espreitarei do interior, para saber das rosas, dos 9 limões e do loureiro juvenil, muito rijo e direito.
Talvez os estorninhos já tenham começado a sobrevoar Lisboa, nos seus voos vertiginosos e densos. No domingo tenho que os procurar com atenção. E vem-me à memória Mafra e os versos de Outono de Gastão Cruz:

Dos castanheiros a folhagem árida
já desce no ar morto que se move
dentro da palidez do céu de outono
sobre as aves imóveis...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Recomendado : vinte e um - Gastão Cruz


Saído em Outubro de 2011, com poemas muito recentes (um deles tem a data de 15/8/2011), o que talvez explique alguma desigualdade no conjunto, este "Observação do Verão", de Gastão Cruz (1941), é um livro de poesia a ter em conta, e a recomendar. Não será, porventura, o melhor livro do Poeta, mas é seguramente um livro de re-visitações da memória: lá estão "As Aves" (Sá de Miranda) e Mafra, lá aparecem Fiama e Nava, Pedro Hestnes, referido expressamente como título de um poema - como que num equívoco do olhar fatigado. A linguagem é, talvez por isso, mais despojada e linear, quase paralela ao real, neste conjunto de poemas de Gastão Cruz. Numa dedicação fiel aos lugares de afecto, para evitar as excedências técnicas, ou de estilo.

Memória

A voz rouca da noite exprime a nossa
memória poderia dizer a
nossa história mas evito

o que possa
anular o sentido
do que procuro manter vivo.

sábado, 14 de maio de 2011

Salão de Recusados XXXV


1. Gastão Cruz (1941)

A boca equivocada é a
dos versos
oculta na folhagem da linguagem

Novamente se enreda
no abrupto
crepúsculo de folhas esmagadas
a fala restaurada

in Campânula (1978)

2. João Miguel Fernandes Jorge (1943)

Parti para o movimento da água
para o nome deste barco
premeditado incêndio de um corpo
de vigília e festas.

A aspereza é o nome
o acordado corpo
a incerteza o escreve.

in À beira do mar de Junho (1982)

3. António Franco Alexandre (1944)

...entrar de repente pelos olhos adentro e escancarar
as árvores: mas aquilo que amaste perdura.
junto da água morna os animais aguardam o ruído
vegetal da noite, e as luzes bocejam
a mansidão das pernas esticadas: o amor
não tem tempo, e dura no que amaste.
Dura de repente nos olhos abertos e
a água que respira no flanco dos animais
bocejando devagar a chegada da noite e das
redes e os passos mornos dos caçadores,
e as luzes escancaradas do silêncio. ...

in Sem palavras nem coisas (1974)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Bibliofilia 36 : Poesia 61



Creio que terá sido uma das últimas publicações colectivas portuguesas de poesia cujo título (Poesia 61) viria a definir e classificar este grupo de poetas. Cada um contribuiu com uma plaquette: Casimiro de Brito (Canto Adolescente), Gastão Cruz ( A Morte Percutiva), Fiama Hasse Pais Brandão (Morfismos), Luíza Neto Jorge (Quarta Dimensão) e Maria Teresa Horta (Tatuagem). O conjunto de pequenos cadernos, entre 16 e 24 páginas, era envolvido por uma capa com 1 linóleo de Manuel Baptista. A edição foi impressa na Tipografia Cácima, de Faro, em 1961.
A colectânea é rara. O meu exemplar, com as 5 plaquettes e capa, foi comprado em 1963 ou 1964, na Livraria Lácio, ao Campo Grande. Custou-me, na altura, Esc. 20$00.