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sábado, 8 de janeiro de 2022

Últimas aquisições (36)


Por razões várias as minhas compras de livros, usados sobretudo, têm diminuído substancialmente nos tempos recentes. As visitas aos alfarrabistas, por sua vez, também têm decrescido muito. A mais recente foi para ir buscar, à rua da Misericórdia, um livro que HMJ tinha reservado.
Não pude deixar de fazer uma rápida vistoria à banca central da loja e acabei por escolher 2 livros, em muito bom estado, que provavelmente teriam vindo da biblioteca da germanista Maria Leonor Machado de Sousa (1932-2021), que fora também directora da BNP. E que falecera em Setembro passado.
O livro editado pela Gallimard, em 1972, na sua colecção Poésie, decepcionou-me por não ter sequer um estudo introdutório à obra lírica do ensaísta e poeta francês. Pelo contrário, o célebre estudo de Marañón publicado pela Tavares Martins (Porto) teve um aparato gráfico e geral de muito boa qualidade. Editou-se em 1947, na sua versão portuguesa.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

A sorte dos livros


Há livros que, após um sucesso retumbante, se apagam para sempre na obscuridade e no esquecimento. Não terá sido o caso de La Peste, de Albert Camus (1913-1960), que ainda é hoje um dos top-ten da Gallimard, a seguir a Le Petit Prince, de Antoine de Saint-Exupéry e de L'Étranger, do mesmo Camus.
Publicado em 1947, La Peste vendeu 22.000 exemplares na primeira semana e 100.000 até ao final desse ano. E embora a crítica literária não lhe tenha sido muito favorável, bem como o autor que o considerava um livro falhado, o público leitor excedeu as expectativas de compras, na época.
Integrada na Colecção Miniatura (nº 55), com capa de Bernardo Marques, a obra foi editada, em Portugal, em finais dos anos 50, e reeditada recentemente. E embora só obliquamente o tema se possa associar à peste bubónica ou a uma pandemia, dado que o texto é uma metáfora sobre o nazismo, a Itália e a França, países europeus mais atingidos pelo Covid-19, apressaram-se também a reimprimir  o livro...
Assim ressurgiu A Peste.

domingo, 14 de julho de 2019

Terceiras vias


Tenho a convicção enraízada de que grande parte das traduções que lemos, em Portugal, durante o século XX, de obras de escritores russos, foram feitas directamente das versões francesas. Duvido que houvesse muitos tradutores portugueses, por essa altura, que dominassem a língua eslava. O mesmo se poderia talvez dizer de obras originais chinesas e japonesas que, provavelmente, foram vertidas, já em segunda mão, de traduções inglesas. Raramente as editoras portuguesas tinham a franqueza de informar, no entanto, os leitores desse aspecto que, hoje, me parece ter alguma importância e que seria uma forma de honestidade intelectual.
Lembrei-me disto ao tomar conhecimento que Yukio Mishima (1925-1970), sendo um anglófilo conhecido, nunca facilitou nem permitiu que os seus romances fossem, em primeira mão, traduzidos para outra língua que não fosse a inglesa. E assim aconteceu até há bem pouco tempo: todas as obras publicadas em França, do escritor japonês, eram traduzidas do inglês. Só recentemente, e após a morte da sua viúva, que continuou a respeitar a vontade dele, apareceu em francês uma obra de Mishima traduzida do original. Trata-se de um dos seus primeiros livros, Confession d'un Masque (1949), que foi editado agora pela Gallimard, em tradução de Dominique Palmé, feita directamente do japonês.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A democratização da glória


O nosso tempo está carregado de pressa e sofreguidão. Não se compadece com as minudências do rigor nem com o olhar desapaixonado da distância. A reflexão ponderada, para muitos, é pura perda de tempo e uma inutilidade dispensável.
E a própria e prestigiada colecção La Pléiade, da Gallimard, começa a parecer-se, cada vez mais, com os panteões e os nóbeis, que entraram num processo acelerado de banalização democrática.
O escritor português António Lobo Antunes (1942) vai integrar, também, La Pléiade. Não sei se fico contente... Mas, pelo menos, Fernando Pessoa não ficará sozinho, nas estantes da Gallimard, a falar com os seus botões ou com os seus heterónimos, em português. E Pessoa merece tudo. Mesmo as más companhias.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Camus e a felicidade


Sob a chancela da Gallimard, saiu em 2017, um grosso volume contendo 865 cartas da correspondência trocada entre Albert Camus (1913-1960) e a grande actriz francesa, de origem espanhola, Maria Casarès (1922-1996), que terá sido - pese embora a relatividade da classificação - o grande amor, na vida, do romancista francês. O volume foi organizado por Catherine Camus, filha do prémio Nobel de 1957.
Neste caso, eu diria que é legítima, aquela que chamo a coscuvilhice nobre e, assim, ter a tentação de comprar e ler o livro...


Da intensidade desses afectos, de expressão mais intelectual nas cartas de Camus e mais fortemente terrestre, nas de Casarès, têm falado os críticos literários, que saudaram efusivamente a publicação do livro. Não resisto a transcrever, do penúltimo TLS, um retrato original, que dele traça John Fletcher: "Embora ele (Albert Camus) não fosse convencionalmente bonito, as suas feições - um cruzamento entre Fernandel e Humphrey Bogart - atraiam as mulheres."
E por onde andaria a felicidade, no meio destes dois seres humanos, que deram o seu melhor ao Teatro? Há que dar, naturalmente, a palavra final a Albert Camus...


Palavras estas que não deixam de ser acompanhadas por uma sábia e subtil ironia.

sábado, 11 de abril de 2015

Imortalidades


A polémica mais acesa, presentemente, em França e nos meios intelectuais, é a pré-anunciada inclusão da obra de Jean d'Ormesson (1925) na prestigiada colecção La Pléiade, da Gallimard. Muitos contra, alguns, a favor. O simpático Académico ficará situado entre Mark Twain e Casanova, que se lhe seguirá. Escusado será dizer que estar representado na colecção é uma consagração e o direito de ser considerado um clássico - a fictícia imortalidade...
Há sempre divisões, sempre que um vivo é institucionalizado, ou um recém-falecido, como foi o caso da polémica a propósito da entrada de Simenon na célebre colecção francesa. Mas como me dizia um romancista, aqui há uns anos: "Eu quero a glória e o proveito é enquanto estou vivo!..." Felizmente que o nosso Panteão Nacional só acolhe os mortos. O clamor acaba por se atenuar, quase sempre...