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terça-feira, 22 de agosto de 2023

Sinal dos tempos



Em vez do cristalino e singular cantar de galo, temos agora o rouco e antipático crocitar de múltiplas gaivotas, em volta dos contentores do lixo, para nos acordar de manhã.
Longe vai o tempo de Alexandre O'Neill (1924-1986) em que, poeticamente, uma dessas aves, hoje horrorosas, lhe "trazia o céu de Lisboa..."

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Impromptu (40)


Posso entrar?
É que está muito frio, cá fora...

sábado, 5 de agosto de 2017

Paisagem com aves


Não tenho visto muitos pássaros, este Verão.
Mas no sexto andar, com terraço, do prédio em frente, 8 ou 9 pombas, jovens, costumam pousar, quase todos os fins de tarde, desde a Primavera. E parecem divertir-se saltitando do telhado para o murete e do murete para o telhado, alternadamente. O andar está devoluto, certamente, e as pombas sabem-no ou pressentem. Não creio que lá façam ninho. Julgo antes que o local funciona, para elas, como uma espécie de parque infantil com autonomia plena.
Cerca das 20h30, as pombas juvenis desamparam o lugar. Pouco depois, ao alto, passa uma última gaivota solitária, de Leste para Oeste. Em direcção ao mar. Quando não chega, pontual, acendo ainda uma cigarrilha, na varanda, expectante, como se aguardasse o raio verde de que fala Júlio Verne.
Lá vem ela!
Vai quase cheia, a lua...