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domingo, 25 de dezembro de 2022

Antologia 13



Da escritora goesa Vimala Devi (1932), inserto no volume 12 (capa em imagem) da Antologia da Terra Portuguesa (Bertrand), citando, sobre o Natal em Goa, nas páginas 196/7, transcreve-se:

"O habitante de uma grande cidade, acostumado a multidões serpenteando por entre armazéns, lojas e pastelarias, na lufa-lufa de compras, de olhos arregalados para as montras repletas de brinquedos, doces e bugigangas, achará decerto o Natal de Goa muito monótono."
(...)
"Também em Goa, pobres e ricos, muito portuguêsmente, fazem presépio. Certas famílias, com alguma antecipação, semeiam nachinim, cereal que grela rapidamente em terra espalhada sobre uma pequena tábua. Quando as folhinhas começam a aparecer, formam um tapete verde, sobre o qual é armado o presépio de palha.
Ao contrário da Europa e da América, em nenhum lar goês se vê árvore de Natal. Por essa mesma razão, não há o costume de trocar presentes entre parentes e amigos. Durante toda a minha infância em Goa nunca recebi nem dei uma prenda de Natal. No entanto posso afirmar que, se alguma vez senti o verdadeiro simbolismo desse dia, foi precisamrnte aí."
(...)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Sacro e profano (2)


Não seria decerto como nas igrejas da antiga Goa, em que os espaços para as diversas castas indianas eram estanques. Mas da casa senhorial, neste caso, havia um passadiço por onde as gentes do palacete acediam, ao alto, na capela. Criados e povo entravam pela porta da rua, chapeada, para ouvir missa. Quando lha abriam para o serviço divino.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Dos fumos do Império a destino turístico


Nas sua parte róseo-mundana, o último L'Obs (nº 2737) dedica uma página a Goa, incentivando os leitores e potenciais turistas a visitar a antiga capital do nosso ex-Estado da Índia.
Para lá da informação errada de que Goa teria sido colónia portuguesa até 1962 (foi-o apenas até 1961), o artigo é animador e aliciante, quanto a este destino turístico. E a preços, também...

domingo, 18 de maio de 2014

Dia Internacional dos Museus : dos fumos da Índia (ex-portuguesa)

Esta exposição (Esplendores do Oriente - Jóias de Ouro da antiga Goa) foi inaugurada a 16 de Abril e poderá ser vista no MNAA, até 7 de Setembro de 2014. O vídeo é suficientemente elucidativo sobre a sua importância. Fica a recomendação.

com os melhores agradecimentos a AVP.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Curiosidades 35 : o Abade de Faria


Quem tenha lido "O Conde de Monte-Cristo", de Alexandre Dumas (pai), lembrar-se-á, com certeza, da figura singular do Abade de Faria. Este clérigo e cientista (José Custódio de Faria), de origem luso-goesa, ao fazer-se amigo de Edmond Dantès, na Prisão-Castelo da Ilha de If, irá permitir ao herói do romance não só evadir-se, mas também vir a entrar na posse dum fabuloso tesouro. Essa riqueza possibilitará, a Dantès, exercer mais tarde a vingança sobre os seus três torpes inimigos (Danglars, Morcef e Villefort). Tudo isto foi a imaginação ficcionada de Dumas, em livro. Mas o Abade de Faria existiu, realmente. Terá nascido, em Goa, em finais de Maio de 1746, formou-se em Teologia e estudou Química. Veio a integrar um grupo de revoltosos que se propunham derrubar o poder português em Goa (Revolução dos Pintos). Descoberta a conspiração, o Abade de Faria refugiou-se em França, onde viria a estudar e aplicar a hipnose no tratamento de doenças nervosas. Exerceu funções de professor e capelão, vindo a morrer em Paris a 20/9/1819. O livro de Dumas, "O Conde de Monte-Cristo", um dos mais conhecidos e lidos do escritor, foi publicado em 1844.
Em imagem pode ver-se a estátua do Abade de Faria, em Goa, e a reprodução de duas páginas da adaptação a BD (brasileira) do romance de Alexandre Dumas (pai), de Janeiro de 1955 (Colecção Pequenina, nº 10).

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sob o signo da Índia


De manhã cruzei-me, por 2 vezes, com Sikhs e os seus típicos turbantes, barbas e bigodes cerrados e crescidos, monoteistas, originários do Punjab e, ao que parece, afáveis. Apercebi-me depois que estavam a pintar uma casa, ali para as bandas do Chiado. Mais tarde, numa livraria de Campo de Ourique que estava em saldos (leve 3, pague 2) de livros brasileiros, para extinção de fundos, adquiri dois volumes de Graham Greene e um de John Le Carré, em tradução. Num deles, "Reflexões", Graham Greene fala de viagens e vários locais do Mundo. A Goa ( Goa, a Incomparável) dedica 7 páginas bem interessantes. A sua visita terá decorrido, provavelmente, em 1963, pouco depois da saída dos portugueses e da integração na União Indiana, dos territórios de Goa, Damão e Diu. Graham Greene refere que os indianos de Goa não falam mal dos portugueses, e têm boas recordações do último governador luso (Vassalo e Silva). Mas demos a palavra ao romancista, num pequeno excerto sobre Goa: "...Parecia um sombrio lugar apocalíptico, a Velha Goa, com o corpo encolhido de São Francisco Xavier na grande igreja do Bom Jesus, construída em 1594, o dedo do pé que uma senhora cortou com uma mordida preservada num relicário, e o crucifixo de prata em seu túmulo retorcido por um ladrão católico, uma semana antes. Num armário da mesma igreja estavam as caveiras dos mártires, e outras partes dúbias preservadas em vidros com essências, que me lembravam os que são vistos nas vitrinas dos especialistas chineses em Kuala Lumpur, anunciando tratamentos para hemorróidas. (...) Nas paredes e nas casas há sinais para evitar o mau-olhado; uma caveira é pendurada numa mangueira carregada, para prevenir qualquer olhar de inveja; nas pilastras dos portões há leões para preservar a casa do mal - são sinais católicos e hindus - quem se importa? (...) Portugal contribuiu para a formação do caráter especial de Goa e esse caráter pode sobreviver a Portugal por um ou dois anos. ..."

sábado, 9 de abril de 2011

Pequenas histórias da História


1. Filipe III, ao receber o duque de Bragança, D. Teodósio, pai de D. João IV, disse-lhe que pedisse alguma coisa. Ao que o duque respondeu: " - Os avós de V. Magestade e os meus deram tanto à minha casa que a desobrigaram de pedir."

2. Um castelhano, que foi negociar para Goa, perguntou que tipo de homem era Afonso de Albuquerque. Logo um soldado português o informou: " - Quem é?! É um homem que vos saberá comprar, mas que não vos sabe vender."

sábado, 18 de dezembro de 2010

Memórias Pragmáticas de um Império



A 18 de Dezembro de 1961, o pequeno território de Damão é invadido pelas tropas indianas e, até ao final do ano, todo o espaço que constituia, na altura, o chamado Estado Português da Índia, seria integrado na União Indiana.
O ano de 1961 é, por isso, uma data de viragem para o dito Império Português. O forte de S. João Baptista de Ajudá (Ouidah), na costa do Daomé, depois de incendiado (por ordem de Salazar), fora entregue, às autoridades do antigo Benim, em 1 de Agosto de 1961. Mas desde finais dos anos 50, com as independências das antigas colónias de França e Inglaterra, e mais tarde da Bélgica, os sinais de mudança eram perceptíveis. Mas o Estado Novo não soube ou não quis entender esses sinais.
Em finais dos anos 50, já grupos de Satyagrahas (combatentes pacíficos pela liberdade, inspirados em Gandhi) invadiam os territórios de Goa, Damão e Diu, de forma maciça e pacífica. Entretanto, na rádio (Emissora Nacional), ciclicamente, se ouvia o estribilho: "Os sinos da velha Goa e as bombardas de Diu serão sempre portugueses!", ao mesmo tempo que se ouvia o dobre dos sinos; mais tarde, a palavra de ordem seria: "Angola, é nossa!"

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mulheres em Goa no séc. XVIII



Já aqui se referiram (A Carta da Índia, de Luís de Camões - 28/4/2010) as mulheres de Goa, no séc. XVI. Desta vez, passaremos aos finais do séc. XVIII e às observações turísticas do Senhor De Laporte no seu "Viajante Universal...(tomo V), que nos diz o seguinte:
"...As mulheres desta cidade amam especialmente os Europeus; e como as vigiam cuidadosamente, empregam toda a casta de estratagemas para manifestar a paixão que lhes têm. Dizem que empregam o sumo de uma erva chamada "troa" para adormecer seus maridos, quando querem gozar livremente de seus amores, e também se servem dela os homens para corromper as mulheres, quando estas não cedem às suas instâncias.
Em Goa não se veem as mulheres Portuguesas, nem mestiças pelas ruas: quando saem, ou seja para ir à Igreja, ou para as suas visitas, vão em palanquins cobertos, e acompanham-nas tantos escravos, que não é possível falar-lhes. Quando se apresentam em público, vão magnificamente adornadas, e carregadas de muitas pérolas, e pedrarias; porém nas suas casas andam com a cabeça nua, e os pés descalços, sem mais vestido, que uma anágua curta, e uma saia de pano pintado. São tão ciosos os maridos, que não lhes permitem falar com homem algum, ainda que seja parente. A contínua ociosidade em que vivem as mulheres de Goa, incita-as a buscar algum divertimento por via de algum namorico particular: se bem que há muitas honestíssimas, que resistem a todas as persuasões dos seus amantes. Sua ocupação regular é estar constantemente mascando o bétele, que , como já vos disse, lhes enegrece os dentes, e gengivas. ..."