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segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Murilo Mendes (1901-1975)

 


Reflexão Nº 1


Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
é a circulação e o movimento infinito.

Ainda não estamos habituados com o mundo
nascer é muito comprido.



Murilo Mendes, in Os Quatro Elementos (1935).

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Drummond


É para mim, com Cecília Meireles, um dos grandes poetas brasileiros do séc. XX. Mas também um prosador notável ("Contos de Aprendiz" e "Contos Plausíveis), bem como foi um cronista muito atento à realidade. Passam hoje 110 anos sobre o nascimento (31/10/1902) de Carlos Drummond de Andrade, e aproveito para lembrar um seu pequeno texto de "Contos Plausíveis", pleno de bom humor e intitulado A Incapacidade de ser Verdadeiro:
Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
- Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.

para MR que, como eu, também gosta muito de Drummond.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Memória 49 : Cândido Portinari


Ainda hoje, quando se fala de pintura brasileira, o nome que me vem logo à cabeça, é o de Cândido Portinari (1903-1962). Os seus quadros, associo-os, muitas vezes, à prosa magnífica de Graciliano Ramos, talvez porque grande parte da pintura de Portinari reflecte os deserdados da fortuna - os mais pobres ou infelizes. Do "Chorinho", quadro que encima este poste, eu gostava tanto que tive a veleidade de o copiar, a aguarela, em tempos da minha recuada juventude.
Quase poderia dizer-se, com ironia, que Cândido Portinari morreu pela pintura. De facto, a partir de 1954 foi-lhe diagnosticada um grave intoxicação pelo chumbo, proveniente das tintas que usava a pintar. Foi desaconselhado de continuar a praticar o ofício, mas a sua vocação era mais forte. O seu estado de saúde agravou-se e veio a morrer, com apenas 58 anos. Nasceu, faz hoje, exactamente, 107 anos.